1. O que é o geocaching e para que serve?

  2. O Geocaching é uma atividade ao ar livre que funciona como uma espécie de “caça ao tesouro” no mundo real através de coordenadas GPS. Os praticantes (geocachers) deslocam-se até ao local indicado e procuram uma pequena caixa (geocache ou cache) que se encontra escondida.

    Por norma, cada cache está colocada num sítio com algum tipo de interesse, seja ele histórico, uma paisagem digna de ser fotografada, um ponto conhecido numa cidade ou uma cascata escondida no meio do nada.

    O principal objetivo é dar a conhecer novos locais ou, caso já os conheça, descobrir pequenos tesouros escondidos em objetos do dia-a-dia em que geralmente ninguém repara.

  3. Como surgiu o Geocaching?

  4. A 2 de maio de 2000, o sinal GPS disponível ao público passou a ter a precisão até então reservada apenas aos militares. A fim de testar a precisão do sistema, Dave Ulmer teve a ideia de criar o “Great American GPS Stash Hunt”. Ulmer decidiu esconder, a 3 de maio, um balde preto num bosque perto de Beavercreek, em Oregon, que tinha no interior um diário de bordo (agora chamado de logbook), um lápis, uma cassete VHS, uma bala, entre outros pequenos itens.

    De seguida, partilhou online as coordenadas e explicou que o localizador só poderia utilizar o recetor GPS para chegar ao local. Se conseguisse encontrar o balde devia tirar algo e deixar outro objeto em troca.

    Ao fim de três dias, duas pessoas encontraram o balde preto e partilharam a experiência online. As semanas seguintes levaram a que mais pessoas quisessem esconder os seus próprios recipientes por estarem entusiasmados com a ideia, fazendo com que a prática se espalhasse rapidamente.

    No primeiro mês, Mike Teague, a primeira pessoa a encontrar o balde de Dave Ulmer, decidiu começar a recolher todos os textos que indicavam as coordenadas de algum recipiente e partilhou todos na página pessoal: GPS Stash Hunt.

    Surgiu então a necessidade de substituir o nome da atividade devido às conotações negativas associadas à palavra “stash” (transmitia a mensagem de que seria algo secreto que ninguém deveria descobrir).

    Foi da combinação de terra, esconder e tecnologia que surgiu o termo “geocaching”. Mais tarde, Jeremy Irish e Mike Teague criaram um novo site dedicado à atividade e, a 2 de setembro de 2000, foi apresentado o site www.geocaching.com, com 75 caches escondidas no mundo. Atualmente, só em Lisboa, existem cerca de sete mil caches espalhadas pela cidade.

  5. O que é uma geocache e onde as posso encontrar?

  6. Uma geocache (ou simplesmente cache) é um recipiente escondido em qualquer local do mundo e que pode, ou não, possibilitar a troca de objetos entre os praticantes da atividade.

    Normalmente serve para dar a conhecer um local específico e deve ser encontrada através das coordenadas GPS partilhadas com a comunidade através do site oficial. Podem estar escondidas, literalmente, em qualquer local (atrás de um sinal de trânsito, numa estátua, debaixo de um monte de pedras, no cimo de uma montanha, etc).

    As caches podem ter dificuldades que vão do 1 ao 5, sendo que 1 é muito fácil e 5 é extremamente difícil (de encontrar ou de resolver, dependendo do tipo de cache). Também o terreno é avaliado na mesma escala, sendo que, normalmente, o terreno de nível 5 implica a utilização de material específico (por exemplo, para fazer escalada).

  7. O que é preciso para fazer Geocaching?

  8. O Geocaching é uma atividade para todos os bolsos. Isso quer dizer que não precisa de gastar dinheiro em nada que, nos dias atuais, não tenha já.

    Como funciona através de coordenadas GPS, basta utilizar um aparelho GPS de mão (de caminhadas ou bicicleta) ou o smartphone.

    Além disso, precisa apenas de criar uma conta em geocaching.com

  9. Quais são as regras para praticar?

  10. São poucas (mas importantes) as regras que deve cumprir ao praticar Geocaching:

    1. Deixe tudo tal e qual como encontrou;
    2. Se retirar algum objeto da cache, deixe outro em troca;
    3. Escreva sempre o registo no logbook;
    4. Escreva a experiência no site oficial;
    5. Sempre que possível, limpe a zona em redor;
    6. Não entre em propriedade privada a não ser que esteja indicado no texto da cache que o deve fazer;
    7. Seja discreto ao praticar a atividade.
  11. Quem esconde as geocaches?

  12. As geocaches são escondidas por geocachers.

    Qualquer praticante pode esconder e submeter para revisão uma cache, desde que seja bem planeada e cumpra todos os requisitos.

    É aconselhável que apenas coloque uma cache depois de já ter encontrado várias e de diferentes tipos e dificuldades, assim já terá um conhecimento mais aprofundado de como deve proceder.

    Ganhar experiência é importante, porque vai permitir descobrir boas caches que acabam por servir de inspiração.

  13. Quais são os tipos de cache que existem?

  14. Cache Tradicional – Este é o tipo de cache que corresponde à primeira que foi escondida. É apenas um container (caixa), que pode ser de diversos tamanhos e que está escondido no local exato das coordenadas.

    Cache Mistério – Estas caches (quase) nunca estão no sítio das coordenadas indicadas. Existe sempre um puzzle/enigma que precisa de ser decifrado ou resolvido para que consigam obter as coordenadas finais.

    Multi-Cache – São caches que envolvem mais que uma localização para onde o geocacher se deve dirigir. É parecido, por norma, com um peddy papper. O geocacher segue as indicações até ao local onde ela está marcada, aí recebe um pista para as próximas coordenadas e assim sucessivamente até chegar à coordenada final.

    EarthCache – Estas caches estão marcadas em pontos geográficos que permitem ao geocacher aprender algo sobre a Terra. No texto da cache encontra-se um conjunto de notas educativas sobre a geologia do local a visitar. Para que o geocacher possa fazer o registo em como “encontrou” uma cache deste tipo, deve enviar ao responsável as respostas às perguntas que são colocadas no texto.

    Letterbox Hybrid – São caches semelhantes às Multi-Cache, mas aqui funciona como se fosse uma história que leva o geocacher a percorrer diversos pontos até chegar à coordenada final. Uma característica única deste tipo de caches são os carimbos que identificam a geocache em questão e que servem para o praticante registar a visita num bloco próprio e, mais tarde, recordar a visita. Este carimbo deve permanecer dentro do container final.

    Cache Evento – Como o nome indica, este tipo de caches é um evento onde diversos geocachers se reúnem para trocar experiências, num determinado local e com uma data e hora estipulada. A “cache” é arquivada depois do evento terminar. Ainda existem duas variantes deste tipo de cache: Mega Evento, quando tem mais de 500 pessoas a indicar que vão comparecer, e Giga Evento, quando mais de cinco mil pessoas indicam que vão estar presentes.

    Evento Cache In Trash Out (CITO) – Uma iniciativa ambiental da comunidade em que o objetivo principal é limpar e preservar áreas naturais. Estes eventos reúnem geocachers que estejam focados em limpar o local ou plantar novas árvores, entre outras iniciativas ambientais.

    Cache Wherigo – Um conjunto de ferramentas que levam a uma pequena jornada através de diversas coordenadas GPS. Este tipo de cache permite que o utilizador interaja com objetos virtuais e reais ao longo do caminho, levando o geocacher a fazer parte da história até chegar ao local final. Este tipo específico precisa de um dispositivo que seja compatível. Quase todos os smartphones Android suportam a aplicação WhereYouGo que permite abrir este tipo de caches.

  15. Que tipos de cache devo procurar primeiro?

  16. Para iniciar a atividade, é recomendado começar por caches tradicionais com uma dificuldade igual ou inferior a 2.

    São mais fáceis de encontrar, podem ter tamanhos e aspetos muito diferentes e servem para ir conhecendo o que pode estar escondido e em que locais.

    Em caches como as Mistério ou as Multi, depende de fatores como:

    • Facilidade em resolver enigmas difíceis;
    • Resistência para percorrer distâncias maiores, uma vez que a dificuldade pode ter a ver com a distância necessária para completar os pontos todos da multi-cache.
  17. O que devo fazer depois de encontrar uma cache?

  18. Depois de encontrar a cache não há muita coisa a fazer. Basta abrir o recipiente (atenção que pode existir uma maneira específica para o abrir, não convém forçar nada a não ser que seja dada essa indicação), procurar pelo livro de registos (logbook) e assinar com o nome de geocacher, a data em que encontrou a cache e uma pequena anotação de como foi a experiência (caso haja espaço para isso).

    Se existirem objetos dentro da cache poderá trocar por outros que tenha levado de valor igual ou semelhante.

    Depois do registo físico estar completo, basta fechar tudo e deixar tal como encontrou, escondida e arrumada no mesmo local.

    Depois basta fazer o registo online a contar como foi a experiência. É importante que faça registos completos para que o utilizador saiba o que correu bem, o que correu mal, se deve mudar algo na cache, entre outros fatores.

  19. O que posso encontrar dentro de uma cache?

  20. Obrigatoriamente, dentro de uma cache, vai sempre encontrar um logbook (livro de registos) e uma stash note (nota dirigida a todas as pessoas que explica o que é o Geocaching).

    No entanto, dentro de uma cache, pode encontrar, literalmente, tudo. Qualquer coisa serve para trocas.

    Além de objetos do dia-a-dia podem ainda ser encontrados Travel Bugs e GeoCoins vindos de todos os cantos do mundo, sobre os quais pode saber mais na pergunta seguinte.

  21. O que são Geocoins e Travel Bugs?

  22. Estes são objetos especiais utilizados no geocaching e conhecidos por Trackables. É um determinado objeto com um código associado (que estará numa chapa ou no próprio objeto) que o identifica como algo único.

    Normalmente cada Trackable pode ser um Travel Bug ou uma GeoCoin. O primeiro tem um objetivo a ser cumprido, que pode ser lido na página do objeto. No site ou na aplicação basta pesquisar pelo código associado e surge uma página de registo igual à das caches mas, neste caso, com uma descrição do que é o Travel Bug, de que país é originário e qual o objetivo dele.

    As GeoCoins acabam por ser semelhantes mas, como o nome indica, em formato de moeda ou pin. O processo de registo é exatamente igual ao dos Travel Bugs.

    Ambos devem ser retirados de uma cache apenas se o geocacher tiver outro item para deixar em troca.

  23. O que é um "atributo"?

  24. Os atributos são pequenos símbolos que ajudam a identificar como é o meio envolvente da cache, o material necessário, os cuidados a ter e as permissões do local.

    São símbolos maioritariamente a preto e branco e, se carregar em cima de cada um na aplicação, é possível ver o que significam os símbolos.

    Pode aceder à lista completa de atributos com a indicação da respetiva legenda.

  25. O Geocaching usa termos fora do comum. Eis um breve glossário.

  26. São vários os termos fora do comum que aparecem associados ao Geocaching, tanto em inglês como em português, especialmente nos registos das experiências.

    Alguns dos mais comuns são:

    • TFTCThanks For The Cache;
    • OPC – Obrigado Pela Cache;
    • Muggle – Uma pessoa que não é geocacher;
    • PTPower Trail (um caminho com várias caches do mesmo grupo que leva o geocacher numa caminhada guiada);
    • Reviewer/Revisor – Pessoa responsável por garantir que a cache está em conformidade com as regras;
    • DNFDid Not Find (Não encontrei);
    • FTFFirst To Find (Primeiro a encontrar);
    • STFSecond To Find (Segundo a encontrar);
    • TTFThird To Find (Terceiro a encontrar);
    • TB Hotel – Hotel de Travel Bugs;
    • Waypoint – Um ponto de referência para uma localização específica;
    • CITOCache In Trash Out.

    Os restantes termos podem ser encontrados no glossário de termos.