“Nas últimas horas tem estado a circular nas redes sociais uma frase atribuída ao cardeal D. António Marto. As supostas afirmações publicadas nunca foram proferidas. O bispo da Diocese de Leiria-Fátima abstém-se de entrar em campanhas eleitorais e não se pronuncia sobre qualquer candidato ou partido”. É assim que começa o comunicado da diocese Leiria/Fátima sobre a publicação que aqui analisamos.

O post, com centenas de partilhas, não é único, e não é apenas num perfil que circula. Ao mesmo tempo, são virais no Facebook várias outras imagens de cardeais portugueses com frases que também não terão dito. A fórmula é a mesma: “Um cristão católico” não vota no candidato do Chega, um partido “de ideologia fascista”. É o que se lê aqui também. Neste caso concreto, fica claro, pelas declarações do próprio do bispo visado, que este “não se pronuncia sobre qualquer candidato ou partido”, como explica em comunicado. O conteúdo da publicação é, por isso, falso.

A publicação não vem acompanhada de qualquer contexto ou fonte, como a data ou ocasião, em que as supostas declarações terão sido proferidas, pelo que também não foi possível ao Observador procurar quaisquer outras pistas sobre as alegadas palavras de D. António Marto, através de fontes alternativas.

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Mas o assunto não se ficou pelo comunicado lançado pela diocese Leiria/Fátima. A Conferência Episcopal Portuguesa também viu a necessidade de clarificar as publicações que têm circulado nas redes sociais, incluindo esta. À agência de notícias de teor religioso Ecclesia, a Conferência Episcopal esclarece, através do porta-voz Manuel Barbosa, que se certificou de que não foram feitas “afirmações pessoais sobre candidatos e sobre partidos”, por parte de D. António Marto e de outros membros destacados da Igreja Católica. A única posição da Conferência Episcopal Portuguesa que é pública relativamente às eleições presidenciais — que também a diocese Leiria/Fátima fez questão de salientar — é o conselho para que os portugueses vão votar. Mas, quanto ao perfil dos candidatos, a garantia é de que a igreja não quer interferir na escolha dos portugueses.

Conclusão

É o próprio bispo D. António Marto a negar ser o autor da citação que lhe é atribuída numa publicação viral no Facebook. Além disso, também a própria diocese lançou um comunicado, seguido de outro esclarecimento da Conferência Episcopal Portuguesa. Esta publicação não é isolada, havendo outras a circular nas redes sociais com o mesmo propósito: fazer parecer que a Igreja Católica desaprova o candidato André Ventura, quando na realidade não se pronunciou publicamente sobre ele, pelo menos na figura dos bispos e cardeais. A publicação em análise é falsa.

Assim, segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO 

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

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