É uma imagem que circula nas redes sociais que parece de um site de notícias. Nessa foto, lê-se que a comunidade islâmica de Lisboa emitiu um comunicado, em que afirma que a marcha LGBT+ é uma “provocação” e um “desrespeito à religião” muçulmana.
Segundo essa mesma imagem que está a circular nas redes sociais, a comunidade teria mesmo pedido ao presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, para a proibir.
Nas redes sociais, ridiculariza-se a situação. “Está a ser simplesmente delicioso. Quando o wokismo bate de frente com o wokismo!”, escreveu um utilizador, numa referência ao movimento woke e à alegada defesa das minorias relativamente à população muçulmana.
Outro utilizador indigna-se com essa alegada notícia. “A comunidade islâmica a interferir nas nossas decisões! Eu não sou a favor dos LGBT mas também não sou a favor dos islamistas! Fora de Portugal!”
No entanto, analisando a imagem, há algo que não bate certo: o facto de estar uma referência, como uma espécie de crédito, a um alegado órgão de comunicação social chamado “Carneiro da Manhã”, que não existe. O grafismo é, ainda assim, muito parecido com o do “Correio da Manhã”, o que pode induzir várias pessoas em erro.
Ainda sobre a imagem, não existe qualquer referência ou comunicado oficial nos canais oficiais ou nas redes sociais da Comunidade Islâmica de Lisboa, que faça esse comentários sobre a marcha LGBT+.
Aliás, em resposta ao pedido de esclarecimento do Observador, a Comunidade Islâmica de Lisboa emitiu um comunicado, em que clarifica o assunto e que, desta vez, foi efetivamente divulgado nos seus canais oficiais. “Circula nas redes sociais uma notícia falsa atribuindo à nossa comunidade um pedido para proibir a marcha LGBT.”
“Esclarecemos que essa declaração é totalmente falsa e nunca foi emitida por nós”, garante a Comunidade Islâmica de Lisboa, que defende o “respeito, o diálogo e a convivência pacífica entre todas as pessoas, independentemente da sua orientação ou crença”.
A Comunidade termina o comunicado oficial a pedir “responsabilidade na partilha de informações” por parte dos utilizadores das redes sociais.
Conclusão
A informação que está a circular nas redes sociais de que a Comunidade Islâmica considera a marcha LGBT+ uma “provocação” e que pediu a Carlos Moedas para a cancelar é mentira. A instituição nunca partilhou nenhum comunicado sobre esse assunto, esclarecendo depois que a “declaração é falsa” e que “nunca foi emitido”, defendendo o “respeito, o diálogo e a convivência pacífica entre todas as pessoas”.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.