O homicídio de Charlie Kirk, conhecido ativista pró-Trump morto a tiro durante um debate, encheu as notícias e teve um impacto profundo nos Estados Unidos e não só, com as reações de todos os lados do espectro político a sucederem-se. Kirk foi, de resto, homenageado num funeral de grandes dimensões, num estádio do Arizona com capacidade para 60 mil pessoas, onde figuras como Donald Trump, JD Vance ou Marco Rubio discursaram.

É, por isso, verdade que a morte do símbolo do movimento MAGA teve um enorme impacto político e mediático, e até que a cerimónia de homenagem exigiu medidas de segurança muito rigorosas. Mas as imagens que têm estado a circular, sendo amplamente difundidas nas redes sociais, para provar que a homenagem a Kirk “parou os Estados Unidos” não são verdadeiras e não correspondem a esse momento.

Foram várias as páginas e meios que divulgaram a imagem de uma enorme escolta policial, de dezenas de motas de polícias, supostamente a caminho da homenagem a Charlie Kirk. Entre esses meios estão páginas identificadas em estudos prévios como disseminadoras de fake news, como é o caso do Conexão Política, aqui mencionado num estudo noticiado pelo Globo.

Numa pesquisa inversa, em busca da origem destas imagens, surge a primeira pista: a imagem chegou a ser publicada, em setembro, no contexto de uma homenagem ao detetive Didarul Islam, em Nova Iorque. Islam morreu num ataque a tiro na cidade, no final de julho, que fez quatro vítimas mortais.

Como contava então a CNN, o polícia era um imigrante de 36 anos, vindo do Bangladesh, que trabalhava na polícia de Nova Iorque há três anos e meio. Na altura, as autoridades nova-iorquinas e o presidente da câmara, Eric Adams, deixaram as suas condolências pela morte do polícia, que tinha dois filhos (e um terceiro a caminho, já que a mulher estava grávida). Foi descrito como um “herói”.

Ora, não só este vídeo aparece associado à “guarda de honra” então montada pela polícia como chegou mesmo a ser divulgado mais perto da data da morte do agente. Ou seja, em agosto o vídeo original era publicado e descrito como a “procissão para o funeral” de Islam, “morto em serviço”: “Um bonito adeus a um herói que arriscou a sua vida para proteger toda a gente”, escrevia nas redes sociais Adeel Rana, presidente da NYPD Muslim, que representa os muçulmanos que integram as forças de segurança da cidade.

O vídeo era assim publicado cerca de um mês antes da morte de Charlie Kirk, e num contexto muito diferente.

Conclusão

O vídeo em causa não mostra uma homenagem a Charlie Kirk, mas antes ao polícia Didarul Islam, que morreu no final de julho. O vídeo original foi aliás publicado em agosto, antes da morte de Kirk.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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