Nos últimos dias, vários utilizadores têm recorrido às redes sociais para especular sobre o caso Jacob Blake, o afro-americano de 29 anos que ficou gravemente ferido depois de um polícia o ter baleado sete vezes nas costas, em Kenosha, no estado norte-americano do Wisconsin. Uma das publicações alega que Jacob Blake tinha uma “faca”, que “não largou”, e que teria dito à polícia que ia buscar uma arma ao carro — o que teria motivado a reação por parte do agente de autoridade. 

A publicação é acompanhada por imagens retiradas de um vídeo que captou o incidente e que mostram Jacob Blake aparentemente com algo na mão: só que a má qualidade das fotografias torna impossível perceber que objeto é esse. No entanto, o autor da publicação assume que é uma faca e coloca até uma imagem do tipo de faca de que, supostamente, se trata. O que é, no mínimo, enganador.

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Não há nenhum vídeo que tenha captado com rigor o que aconteceu no passado dia 23 de agosto. O Departamento da Polícia de Kenosha não usa câmaras corporais — como é usado por outras polícias nos Estados Unidos — e o vídeo captado por uma testemunha não tem muita definição. É verdade que um comunicado de 26 de agosto do Departamento de Justiça dos EUA, citado pelo USA Today, adiantava que os polícias encontraram uma faca no chão do carro, do lado do motorista. No entanto, o mesmo comunicado não esclarece se a faca esteve nesse local durante todo o confronto ou se Blake a pode ter segurado em algum momento. Na imagem da publicação, Blake pode estar a segurar uns óculos de sol ou qualquer outro objeto ou até uma faca — mas, nesta fase, não passam de hipóteses.

A função que a faca encontrada teve neste confronto não é clara pelo que qualquer afirmação que se possa fazer não passa de uma suposição, especialmente numa altura em que o relatório do Departamento de Justiça de Wisconsin ainda está a ser realizado. Por exemplo, o autor do vídeo que captou o incidente, Raysean White, disse à Associated Press que ouviu os polícias gritarem: “Largue a faca”. No entanto, garante não ter visto nenhuma faca.

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No vídeo que captou o momento, não é possível perceber o que Jacob Blake e o polícia dizem uma vez que a conversa é abafada pelos gritos dos espectadores. Isto significa que não é possível, nesta fase, saber ao certo o que os intervenientes disseram, muito menos se Jacob Blake avisou a polícia de que ia ao carro buscar uma arma. O advogado da vítima também assegura que o homem de 29 anos estava desarmado.

Certo é que, apesar dos pormenores serem ainda escassos, é já sabido que não havia qualquer arma adicional no carro. O comunicado de 26 de agosto do Departamento de Justiça dos EUA também adiantava isso mesmo: que, após “uma busca no veículo [a polícia] não encontrou armas adicionais”. Esta informação afasta a tese apresentada na publicação de que Jacob Blake teria dito à polícia que ia ao carro buscar uma arma — já que não foi encontrada qualquer outra arma no carro.

Conclusão

Não é possível afirmar com certeza, nesta fase, que Jacob Blake tinha uma faca, nem que não tinha. É certo que os polícias encontraram uma faca no chão do carro, do lado do motorista, mas o Departamento de Justiça dos Estados Unidos não esclarece se a faca esteve nesse local durante todo o confronto ou se Blake a pode ter segurado em algum momento. Na imagem da publicação, Blake pode estar a segurar uns óculos de sol ou qualquer outro objeto ou até uma faca — mas, nesta fase, não passam de hipóteses.

Também não se pode afirmar com certeza que o homem de 29 anos teria dito à polícia que ia ao carro buscar uma arma. No vídeo que captou o momento, não é possível perceber o que Jacob Blake e o polícia dizem uma vez que a conversa é abafada pelos gritos dos espectadores. Certo é que não foi encontrada qualquer outra arma adicional no carro, confirmou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Devido à falta de provas, especialmente numa altura em que o relatório do Departamento de Justiça de Wisconsin ainda está a ser executado, não é possível garantir com toda a certeza as afirmações que constam na publicação. A questão da função da faca ainda é uma incógnita.

Assim, segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ENGANADOR

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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