As imagens de um grupo de pessoas vestidas de vermelho, com alguns objetos nas mãos e a forçar a entrada num portão estão a circular na internet como sendo associadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Brasil. Os indivíduos acabam por abandonar o local devido à chegada da polícia, que disparou balas de borracha para dispersar os manifestantes.

A publicação argumenta também que os indivíduos estão a tentar partir as “bombas da barragem do canal hídrico de Sertânia”, situadas no município de Pernambuco, no Brasil.

Porém, as informações divulgadas nas redes sociais não se comprovam, tendo em conta que nem estas pessoas pertencem ao MST nem o vídeo foi gravado no Brasil.

O protesto em causa aconteceu em Joanesburgo, na África do Sul, no início do mês. Levado a cabo pelo Sindicato Nacional dos Metalúrgicos da África do Sul — sendo até possível confirmar que as camisolas vermelhas que os manifestantes trazem vestidas têm exatamente o símbolo do sindicato —, a manifestação aconteceu em frente à Aeroton Steel, uma siderúrgica sul-africana.

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O dia em causa ficou marcado por este incidente, mas desde o dia 5 de outubro está a decorrer uma greve nacional do setor do aço devido aos baixos salários. Mais de 155 mil membros do setor — afiliados no principal sindicato — partiram para as ruas, depois de terem rejeitado um contrato com a Federação das Indústrias de Aço e Engenharia da África do Sul. Não há data para o fim da greve e, até agora, já morreu um trabalhador devido à repressão das autoridades.

Conclusão

É falso que as imagens da publicação partilhada nas redes sociais se refiram a uma tentativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Brasil, de tentar partir as “bombas da barragem do canal hídrico de Sertânia”, situadas em Pernambuco. O vídeo é do início do mês, mas o incidente passou-se em África do Sul — e não no Brasil — e faz parte de um dos protestos dos membros do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos da África do Sul, que estão em greve nacional desde o dia 5 de outubro. Ou seja, o momento aconteceu, houve repressão das forças policiais, mas nem o local nem os protagonistas são os referidos na publicação.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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