É considerado um dos “Presidentes mais temidos” de África, de acordo com publicações nas redes sociais. O líder da junta militar que governa o Burkina Faso, Ibrahim Traoré, adota posições conservadoras e teria imposto mais medidas do género, de acordo com os posts.
Uma dessas medidas mais conservadoras e rígidas consiste no facto de “todas as mulheres” do país africano terem sido proibidas de “exporem os seus corpos com roupas íntimas na internet”.
Outra passa por Ibrahim Traoré ter banido os homossexuais no país. De acordo com as publicações nas redes sociais, haveria uma pena pesada quer para os homens que assumam a sua homossexualidade, bem como para mulheres que publiquem fotografias com “roupas íntimas”: “Cinco anos de prisão”.
É verdade que, em agosto de 2024, a junta militar do país localizado na África Ocidental decidiu proibir as relações entre o mesmo sexo. “A homossexualidade e as práticas conexas são agora proibidas e punidas por lei“, sublinhou o ministro da Justiça do país, Edasso Rodrigue Bayala.
Contudo, o ministro da Justiça ressalvava que as penas ainda não tinha sido determinadas. Em agosto de 2025, não há qualquer informação publicada que indique quais seriam as penas para homossexuais no Burkina Faso. Não existe, por isso, qualquer referência aos cinco anos de prisão que sugerem as publicações nas redes sociais.
Sobre as mulheres não poderem expor o corpo na internet, não existem informações oficiais que comprovem que o governo do Burkina Faso tenha avançado com essa legislação, apesar de a junta militar ser assumidamente conservadora. Nem existe igualmente qualquer referência aos cinco anos de prisão, caso as mulheres publicassem fotografias ou vídeos com roupas íntimas.
O mais parecido que aconteceu, em outubro de 2024, foi que o Conselho de Superior de Comunicação do Burkina Faso baniu a transmissão do reality show The Bachelor, emitido num canal privado. O motivo? “Estigmatizava as mulheres africanas”.
Conclusão
As alegações nas publicações nas redes sociais são maioritariamente falsas. Não existe qualquer norma publicada pela junta militar do Burkina Faso que proíba que as mulheres exponham os corpos com “roupas íntimas” na internet, nem sequer que exista uma pena de prisão de cinco anos para a prática desse suposto crime. Sobre a homossexualidade no país, é verdade que o governo do país proibiu efetivamente as relações entre pessoas do mesmo sexo em 2024, mas não ainda não existe uma pena para a prática desse crime no país.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ENGANADOR
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de factchecking com o Facebook.