Vladimir Putin, Bill Gates e Anthony Fauci protagonizam várias publicações no Facebook, que começaram a ser disseminadas no início de abril. Nessas publicações, garante-se que o Presidente russo está a exigir a extradição do fundador da Microsoft e do o ex-diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infeciosas nos EUA, para responderem na Rússia por crimes de “bioterrorismo”. Se isso acontecer, garante-se nos mesmos posts, a guerra na Ucrânia termina no minuto seguinte.

Num post, com data de 8 de abril, alega-se mesmo que o “pesadelo da cabala começa agora”, porque a “Rússia tem a prova”. “As elites estão em pânico. O mundo está em ponto de rutura”, acrescenta-se ainda.

Só após uma extensa introdução é que finalmente é revelado na publicação em análise o que, afinal, expõem os arquivos de inteligência da Rússia. “A Covid-19 foi projetada. Bloqueios, decretos e passaportes de vacinação foram planeados previamente”, garante-se ainda, atribuindo as culpas das restrições implementadas durante a pandemia aos dois “criminosos” que estarão prestes a responder à justiça russa.

“Gates canalizou milhões para projetos de manipulação de vírus. Governos ocidentais conspiraram com a Big Pharma para transformar uma pandemia em uma máquina de fazer dinheiro”, é assegurado no Facebook, onde se garante que a tomada de posição de Putin “não é um bluff”. “A Rússia tornou isso uma condição não negociável para acabar com a guerra na Ucrânia“, conclui-se.

A verdade é que não existem notícias fidedignas que apontem para a veracidade de qualquer uma destas mensagens partilhadas nas redes sociais. Se Putin tivesse avançado com o pedido de extradição destas duas figuras reconhecidas internacionalmente, já seriam muitas as notícias publicadas sobre o assunto. Ainda mais se tivesse colocado a extradição como condição para o fim da guerra na Ucrânia.

Os único artigos jornalísticos sobre a matéria são precisamente verificações de factos, como é o caso da que foi feita pelo jornal de fact-checking norte-americano Snopes, que, além de constatar que a realidade não atesta a alegação que envolve Anthony Fauci, apresenta mais uma razão para confirmar a falsidade da informação a circular nas redes sociais: Os EUA e a Rússia não têm um tratado de extradição entre si. Sendo Fauci norte-americano, não poderia sequer ser extraditado.

Em relação a Bill Gates a mesma lógica aplica-se. E também não existe registo de notícias que apontem para que o multimilionário esteja na calha da justiça russa por causa da sua tão apontada intervenção na pandemia que começou em 2020.

Não é de agora que as redes sociais são utilizadas para disseminar as teorias da chamada “nova ordem mundial”, que negam há mais de cinco anos a gravidade da pandemia de Covid-19 e retratam vários líderes mundiais e atores das elites globais enquanto inventores e promotores do cenário em que milhões de pessoas ficaram fechadas em casa graças a um vírus contagioso.

Fact Check. Bill Gates disse que as vacinas contra a Covid-19 vão servir para “controlar” a humanidade?

É frequente, tal como nas publicações analisadas, que Putin seja apresentado como a figura central de uma alegada resistência a este grupo de malfeitores. Gates tem sido ao longo dos últimos anos uma das caras mais utilizadas pelos promotores de um discurso em que a Covid-19 é apreentada como uma “oportunidade de controlo da humanidade“.

A teoria da conspiração mais conhecida de que foi alvo foi a de que teria colocado microchips nas vacinas contra o SARS-CoV-2, exatamente com o tal plano de controlo da humanidade em mente.

Conclusão

É seguro afirmar ser falsa a informação de que Putin está a emitir pedidos de extradição em relação a Bill Gates e Anthony Fauci. Não há notícia de que nenhum dos dois homens tivesse sido chamado a responder à justiça russa pela sua suposta intervenção na pandemia de Covid-19. Muito menos que o Presidente russo tenha utilizado tal requerimento judicial como condição para finalmente terminar a guerra na Ucrânia.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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