“Bruce Springsteen fez uma pausa no concerto para dizer a sua verdade. Taylor Swift apareceu sem avisar. Juntos, lançaram uma nova e poderosa canção — e uma mensagem que abalou o mundo”, lê-se. “A multidão ficou atónita. Uma única frase no ecrã dizia tudo: ‘Vocês sabem do que se trata. Eles também sabem’. Agora, o Sindicato dos Músicos está a apoiá-los, e um EP secreto pode estar a caminho…”

O texto, publicado na última semana no Facebook, soma dezenas de gostos e partilhas e repete-se, com algumas variações, em diversas redes sociais. Só que não passa de informação falsa.

Não há qualquer fonte fidedigna, de nenhum meio de comunicação social, nacional ou internacional, que reporte que a cantora pop norte-americana e o músico tenham estado juntos em palco num concerto, que estejam a colaborar num tema original ou que tenham lançado uma canção em conjunto. Nas redes sociais e páginas oficiais de ambos os artistas também não consta qualquer informação. Ora, dada a notoriedade de ambas as figuras, caso a informação tivesse sido avançada esta teria conquistado espaço na imprensa.

Algumas das publicações que difundem esta teoria fazem-no com fotografias de ambos, procurando dar a entender que estes partilharam o palco num espetáculo ao vivo. No entanto, é visível que se trata de uma montagem, mais não seja pelas características das imagens, que revelam que são fotografias tiradas em locais diferentes, com luzes distintas.

Na série de imagens exibida acima, nem sequer há coerência no visual de Taylor Swift, que surge ora de cabelo curto liso, ora de cabelo comprido ondulado, o que nos permite concluir que não são sequer fotografias do mesmo dia.

Além disso, as fotografias usadas são de eventos diferentes: as de Swift são de um concerto em Buenos Aires em novembro de 2023, e as de Springsteen em atuações em novembro de 2022 e abril de 2023.

É verídico que Taylor Swift, uma das maiores cantoras pop da atualidade, já mencionou por diversas vezes que Springsteen é uma das suas referências enquanto letrista, e Springsteen também expressou admiração pela artista, mas nada disso prova que colaboraram num tema musical — algo que, caso tivesse acontecido, estaria já em plataformas como o Spotify ou o Youtube.

A única frase verdadeira no texto difundido nas redes sociais, com respetivas variantes, é a de que a Federação Americana de Músicos está a apoiar ambos os artistas. De facto, no dia 16 de maio, a organização fez um comunicado sobre o ataque do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos dois artistas.

A Federação Americana de Músicos dos Estados Unidos e do Canadá não se calará perante o facto de dois dos nossos membros — Bruce Springsteen e Taylor Swift — terem sido escolhidos e atacados pessoalmente pelo Presidente dos Estados Unidos. Bruce Springsteen e Taylor Swift não são apenas músicos brilhantes, são modelos e inspirações para milhões de pessoas nos Estados Unidos e em todo o mundo. Quer se trate de “Born in the USA” ou da “Eras Tour”, a sua música é intemporal, tem impacto e um profundo significado cultural. Os músicos têm o direito à liberdade de expressão e nós somos solidários com todos os nossos membros.”

Tal como Springsteen, Swift tem sido crítica de Trump. Antes das eleições de 2020, a cantora escreveu no Twitter (atual X): “Depois de ter alimentado o fogo da supremacia branca e do racismo durante toda a sua presidência, tem a lata de fingir superioridade moral antes de ameaçar com violência? Quando começam os saques, começam os tiros? Votaremos contra ti em novembro.”

Já em maio deste ano, Trump escreveu na sua rede social, a Truth Social, a classificar Springsteen de “insistente e detestável” e uma ”ameixa seca de um roqueiro (a sua pele está toda atrofiada)”. Numa outra publicação, disse: “Alguém reparou que, desde que eu disse ‘ODEIO A TAYLOR SWIFT’, ela deixou de ser “BOA”?

Dias depois, o Presidente dos EUA atirou-se a Springsteen de novo, desta vez pelo apoio à sua oponente democrata em 2024, Kamala Harris: “Quanto é que Kamala Harris pagou a Bruce Springsteen pelo seu mau desempenho durante a campanha para presidente? Porque é que ele aceitou esse dinheiro se é tão fã dela? Não se trata de uma contribuição importante e ilegal para a campanha?”.

Conclusão

Não há nenhum facto que prove o que é alegado. Nenhuma agência de notícias credível noticiou um concerto conjunto entre Swift e Springsteen. Até à data, não se verificou qualquer colaboração musical.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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