É um assunto que está a motivar várias publicações e reações nas redes sociais. Associada ao consumo de bebidas alcoólicas como gin ou vodka, já se registaram mais de 50 intoxicações por metanol e dez mortes, de acordo com o Ministério da Saúde brasileiro.

Em algumas das publicações, mostra-se fotografias e um vídeo de uma mulher numa maca e intubada que “estaria entre a vida e a morte”. A jovem seria da cidade de Barcarena, do estado do Pará, na região do Nordeste do Brasil. “Já perdeu a visão e alguns órgãos já pararam de funcionar”, lê-se nos posts.

Segundo as publicações, a jovem de Barcarena teria ficado naquele estado porque teria ingerido Coca-Cola contaminada com metanol. “Não consumam Coca-Cola e Heineken. Estas são as bebidas adulteradas em Barcarena.”

Porém, o Ministério da Saúde brasileiro, na apresentação dos últimos números sobre as intoxicações por metanol, a 20 de outubro, especificou que ainda não houve quaisquer casos reportados no estado do Pará, o que já demonstra que as informações publicadas nas redes sociais sobre este assunto não são fiáveis.

As incoerências não se ficam por aqui. A fotografia em que aparece uma mulher numa maca não foi tirada em Barcarena. Foi antes tirada no Hospital Municipal de Santa Luzia, no estado brasileiro do Maranhão. Como refere a imprensa regional, a mulher na maca chama-se Sara Taynara Rezende e morreu asfixiada — e não por intoxicação por metanol.

Não houve também nenhum registo, nos dados do Ministério de Saúde, de nenhum caso ou morte da intoxicação de metanol no Maranhão.

Adicionalmente, nas redes sociais, a Coca-Cola publicou um desmentido sobre o assunto. “É falso que uma mulher tenha passado mal e [tenha] sido hospitalizada por ingerir Coca-Cola adulterada com metanol”, lê-se. “O vídeo mostra uma mulher no hospital, mas não tem relação com a bebida”, garante a marca de refrigerantes.

Conclusão

Não existe nenhuma sustentação para os rumores que indicam que uma mulher foi internada por ingerir Coca-Cola contaminada no Pará ou no Maranhão. O Ministério da Saúde brasileiro não faz qualquer menção a estes dois estados brasileiros nos dados que têm sido até agora publicados sobre as intoxicações por metanol. A fotografia que aparece nas publicações é de uma mulher que morreu asfixiada num hospital do Maranhão — e não de uma jovem de Bacarena. A Coca-Cola também desmentiu estes rumores.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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