O caminho de terra é estreito, encoberto por um nevoeiro espesso, e um passo em falso pode significar uma queda de um precipício. São, de acordo várias publicações no Facebook, Instagram e Twitter, “imagens inéditas” do vulcão Rinjani, na Indonésia, que mostram “as condições precárias e o alto risco” do percurso percorrido por Juliana Martins, a jovem brasileira que caiu no vulcão durante uma visita guiada.
No vídeo, de 14 segundos, é possível ver um grupo de pessoas a percorrer o trilho, a certo momento um dos caminhantes escorrega, mas acaba por recuperar o equilíbrio e segue caminho. As imagens, defendem os internautas, são a prova de que o percurso devia ser proibido.
“Essa caminhada deveria ser fechada há muitos anos. Um caminho estreito com abismo imensos acabou com a vida de uma jovem garota”, comenta alguém em resposta à publicação do vídeo. “Deveria ser proibido o turismo nesta trilha super arriscada nas margens da cratera do vulcão na Indonésia!”, afirma outro. Mas foi realmente este o percurso que Juliana Martins percorreu?
Primeiro, importa perceber se o vídeo foi produzido por Inteligência Artificial. A ferramenta a Hive Moderation garante que não é o caso, atribuindo uma classificação de 0% nessa análise. “Provavelmente não contém conteúdo gerado por IA”, lê-se na página.
Ao pesquisar frames do vídeo com o Google Lens é possível chegar a vários resultados, muitos anteriores às notícias sobre o acidente no vulcão Rinjani, que aconteceu no dia 20 de junho de 2024. O clip original parece ter sido partilhado numa conta de TikTok por um utilizador da Indonésia com o nome “saputraaziii”, que tem uma série de publicações sobre trilhos que percorreu nesse país. O autor refere na legenda que se trata na verdade do vulcão Raung, também na Indonésia.
Não são, portanto, imagens do mesmo vulcão do acidente de Juliana Martins. A jovem morreu devido a um traumatismo provocado pela queda do Rinjani, o segundo maior vulcão da Indonésia. Já esta semana, e na sequência de outros acidentes com turistas, as autoridades do parque que gere os acessos ao vulcão anunciaram o fecho de algumas rotas, segundo noticiou o Jakarta Post.
Conclusão
É falso que o vídeo partilhado nas redes sociais mostra o trilho percorrido no Rinjani pela jovem Juliana Martins, que morreu depois de uma queda durante um passeio turístico numa das trilhas do vulcão.
O autor do vídeo original, publicado no TikTok, refere que as imagens foram captadas no vulcão Raung.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.