Voltam a circular nas redes sociais imagens de uma alegada “invasão muçulmana” num mercado de Natal na cidade de Essen, na Alemanha. O vídeo, partilhado milhares de vezes em todas as plataformas, não é novo, e é possível encontrá-lo numa publicação feita a 11 de dezembro de 2024. É a data em que surgem as imagens publicadas nas redes sociais de Christine Anderson, membro do Parlamento Europeu, cargo para o qual foi eleita pelo partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha.
Ao desmentir que o vídeo em análise neste artigo é uma “demonstração de força” muçulmana, como defendem os autores das mais recentes publicações, o website de verificação de factos Lead Stories identifica mais imagens gravadas no mesmo local, do mesmo momento onde é possível pela paisagem confirmar que se trata da cidade de Essen, na Alemanha.
As imagens mostram centenas de pessoas num mercado de Natal, a desfilar acompanhadas de rufar de tambores, músicas, assobios e cânticos. Algumas erguem a atual bandeira da Síria, que à data, 8 de dezembro de 2024, representava a oposição ao regime, como explica a enciclopédia Britannica.
Há várias notícias sobre as comemorações da queda do regime de Bashar Al-Assad. A Agência de Notícias Alemã (DPA) noticiava a 8 de dezembro que milhares de membros da comunidade imigrante síria tinham saído à rua para celebrar, e explica que “em 2015, no auge da guerra civil a Alemanha acolheu 890 mil refugiados sírios”.
As contas das autoridades alemãs apontam para 11 mil pessoas a comemorar nas ruas da cidade de Essen, 6 mil em Munique, 5 mil em Berlim, 3 mil em Mainz e “milhares de outras em Hamburgo, Nuremberga, Hamm, Wuppertal, Düsseldorf e Dortmund no domingo”.
Depois de 24 anos à frente do país, a 8 de dezembro de 2024, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos avançava à Agência de Notícias France-Presse (AFP) que “Assad deixou a Síria pelo aeroporto de Damasco, antes da retirada dos membros das forças armadas e de segurança”.
Na mesma data a DPA noticiava que o então chanceler alemão, Olaf Scholz, tinha recebido de braços abertos o fim do regime de al-Assad e que tinha também lembrado a brutal opressão do povo sírio que levaram muitos a fugir do país. “O povo sírio sofreu terríveis dificuldades. O fim do regime de Assad na Síria é, portanto, uma boa notícia”, disse Scholz.
Conclusão
Com mais de um milhão de sírios no país, à data da queda do regime, a Alemanha tem a maior diáspora síria na União Europeia. Centenas de milhares chegaram ao país depois do início da guerra civil na Síria, em 2011.
As imagens em análise neste artigo de verificação de factos mostram as celebrações da queda do regime de Bashar Al-Assad, que pôs fim a 50 anos de ditadura, e decorreram em dezembro de 2024. Tal como demonstrado numa publicação partilhada nas redes sociais pela eurodeputada Christine Anderson. Não se trata de uma recente “invasão” ao mercado de Natal da cidade de Essen como está a ser descrito em várias partilhas.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.