O número que salta à vista é o dos lucros. Os cinco principais bancos do sistema financeiro nacional lucraram, no primeiro semestre, 2.554 milhões de euros. Dá sempre azo a conversa sobre os lucros dos bancos, cujos presidentes tentam mostrar que se deve a uma rigorosa gestão das contas. E acenam com o aumento dos créditos concedidos. A Caixa Geral de Depósitos e o BCP estabeleceram novos recordes para os lucros semestrais. |
Ainda assim, Miguel Maya, presidente do BCP, é vocal a dizer que não está satisfeito com o rácio de transformação, abaixo de 70%, do banco. Esta é a percentagem dos depósitos que o banco consegue converter em crédito. Santander e BPI estão acima dos 100%, o que João Pedro Oliveira e Costa, presidente do BPI, acredita ser um nível bom para bancos que, esclareceu, não tiveram de limpar o passado. |
Ainda que haja bancos que queriam estar a dar mais crédito, a tónica dos principais bancos, nas várias conferências de imprensa de apresentação de resultados, foi no sentido de que a contratação de empréstimos está a crescer. Todos viram esses valores subirem, quer na habitação, quer no consumo, quer nas empresas. O Banco de Portugal já mexeu nas regras macroprudenciais para tentar conter essa evolução do crédito, que está, no caso da habitação, a ser ajudado pela garantia pública. As regras entraram em vigor a 1 de agosto e os bancos acreditam que terá um impacto entre 5% e 10% na produção de crédito à habitação. Todos dizem compreender a medida do supervisor, mas nem todos consideram haver um problema. |
O problema que veem no setor é o dos impostos. E agora que também a contribuição adicional para o Fundo de Resolução foi considerada inconstitucional num caso que envolveu o BCP esperam que todos os bancos vejam devolvido o dinheiro que pagaram. |
Taxar lucros excessivos outra vez? Governo vai tentar |
Já tinha sido tentado com pouco sucesso. Em 2022 o Governo socialista tinha implementado uma taxa sobre lucros excessivos na distribuição e setor da energia que não chegou a render 10 milhões de euros por ano, muito abaixo das expectativas. Volta agora a ser aprovado em Conselho de Ministros uma nova taxa sobre lucros excessivos para o setor dos combustíveis, o mesmo é dizer para a Galp. Será aplicável apenas a 2026. A contribuição será de 33% na parte em que os resultados relevantes apurados em 2026 excedam em mais de 20% a média dos lucros apurados nos exercícios de 2024 e 2025. |
Foi anunciada depois da Galp apresentar lucros chorudos — mas a empresa fez questão de dizer que a maioria era gerado fora de Portugal — e depois do PS insistir na crítica aos preços dos combustíveis e de José Luís Carneiro se ter reunido com Luís Montenegro, depois mesmo de Joaquim Miranda Sarmento ter quase descartado a implementação da taxa no Parlamento. |
Finalmente conhecido o valor da Prestação Social Única |
Está cumprido mais um passo para Portugal não perder cerca de 600 milhões de euros do PRR. Mas ainda não está concluído. O Governo aprovou em Conselho de Ministros o diploma que regulamenta a Prestação Social Única, que agrega numa só prestação 13 apoios atualmente existentes. Ainda tem de passar pelo crivo do Presidente da República. |
Não se conhecia o valor de referência, que agora fica determinado em metade do valor da IAS (Indexante de Apoios Sociais) — ou seja 268,60 euros. A prestação social única vai entrar em vigor apenas em janeiro de 2027. A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, admitiu que, “pontualmente, pode haver uma das antigas prestações que tinha um regime mais favorável, mas globalmente o regime é mais favorável”. |

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A EMPRESA |
Será, se se concretizar, a maior farmacêutica a nível mundial. O Financial Times avançou que a AstraZeneca e a Bristol Myers Squibb (BMS) estão em conversações “preliminares” para uma possível fusão. O valor conjunto ascenderia a quase 350 mil milhões de euros. |
Só que isto significa uma empresa britânica, a AstraZeneca, comprar uma norte-americana, a BMS. O que dirá Trump e a sua Administração de um negócio destes? A Reuters entretanto avançou que não há negociações em curso, citando, sob anonimato, um gestor da companhia. Certo é que depois da notícia de domingo do Financial Times, as ações da AstraZeneca caíram mais de 9% (a maior queda desde 2020), com alguns dos acionistas a questionarem a lógica do negócio quando a empresa britânica tem sido bem sucedida com Pascal Soriot à frente da gestão há 14 anos. |
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