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Não é de agora, mas há semanas em que o facto se torna mais óbvio. Esta que está a terminar foi mais uma, graças ao funeral de Harald V, o rei da Noruega que morreu há poucos dias, aos 89 anos. O facto é este: nas repúblicas, as “pessoas” — essa entidade sem corpo nem personalidade jurídica ou fiscal — interessam-se pelas monarquias. |
Umas gostam genuinamente das famílias reais, adorariam ter uma e contemplar reis e rainhas, alimentar tradições e fotografar paradas. Para outros, é um interesse próximo daquele que muita gente nutre por crianças, cães ou a vida no campo: só se as primeiras e os segundos forem dos outros e só se a terceira for de passagem e sem trabalho à mistura. E há um terceiro grupo, o dos voyeurs que apenas esperam pela próxima tragédia ou pelo escândalo que há de vir. |
A razão pode ser a mesma para todos estas coletividades: a monarquia exerce fascínio porque é coisa que não parece deste tempo e que, por alguma razão (ou várias), sobreviveu. Como se os dinossauros tivessem vencido a batalha contra o meteorito fatal. Como se os jornais em papel tivessem mantido o lugar que tinham antes da digitalização da vida em geral. Como se as cidades tivessem triunfado face às transformações ditadas pelas viagens low-cost. |
Trata-se da verdadeira novela da vida real, pelo trocadilho vocabular e porque, como estão lá longe (para estes efeitos, Badajoz é longe), são vistas como uma fantasia que podia muito bem ser escrita por guionistas especializados na área. Ao mesmo tempo, é a mesmice corriqueira a acontecer aos mais especiais dos especiais. Como é que reviravoltas, polémicas e tragédias que sucedem à humanidade comum batem à porta de quem habita em palácios? Como é que nesse ambiente decorrem os mesmos dilemas de quem aluga um T2 na praceta? E como é que se lida com tudo isso mantendo penteados impecáveis e um guarda-roupa que dita tendências? |
Para quem vê de longe, fazer parte de uma família real parece ser um misto de glamour com fado vadio. É um destino traçado que em vez de xailes ostenta colares de pérolas. É um exigente conjunto de regras auto-imposto por uma classe que precisamente fez história ditando leis e mandamentos sobre todos os outros. É um paradoxo, um “catch 22”, a mais longa das séries que deixa os espectadores sucessivamente a fazer a pergunta: será que esta vai ser a última temporada? |
Até ver, estamos bem longe dos capítulos finais. Sobretudo porque as outras personagens, os co-protagonistas dos episódios — os súbditos — vão querendo que tudo se mantenha. E enquanto assim for, o fascínio, a interrogação e a schadenfreude vão continuar. |
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Para ver
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Cinema
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A comédia "Santo António: O Casamenteiro de Lisboa", de Ruben Alves, o francês "Filho de Ninguém" e o sul-coreano "Hope", de Na Hong-jin, são as escolhas de Eurico de Barros esta semana.
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Teatro
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O encenador português leva à Culturgest, em Lisboa, um dilema familiar em planetas diferentes para especular sobre o futuro e falar do abismo entre gerações. Segue-se Guimarães — e não só.
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Teatro
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A nova produção do Teatro São João, no Porto, é um monólogo com ecos de “Medeia”, de Eurípedes, e texto de Jacinto Lucas Pires. A estreia acontece já nesta quarta-feira. Depois, segue em digressão.
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Séries
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A clássica sitcom dos anos 90 conquistou a Gen Z, mas "Adults", na Disney+, quer ser a verdadeira comédia da vida real sobre os jovens adultos da atualidade. Será que vai conseguir tal proeza?
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Séries
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A semana arranca com um triângulo amoroso em quatro episódios, continua com a história de Laurence Tureaud e termina no meio do terror real de de "A Killer Story".
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Para fazer
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Lifestyle
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Das louças virais às farturas, dos expositores estreantes aos veteranos: na freguesia lisboeta de Carnide, há muito para ver, ouvir, comprar, comer e beber neste evento anual que une tribos urbanas.
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Para saber
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Música
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Junta o vira do Minho ao hip hop e ao forró, é uma estrela no TikTok e uma personagem envolta em mistério. No primeiro dia do Festival F, em Faro, fomos perceber porque move (cada vez mais) multidões.
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Casas Reais
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Da Rainha Mette-Marit no cortejo à presença do xamã e do filho condenado na Catedral, a família real norueguesa consolida a sua armadura resistente a escândalos nas cerimónias fúnebres do antigo Rei.
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Estilo de Vida
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A primeira-dama de Nova Iorque viaja para Arcos de Valdevez para uma "jornada pela história do Islão em Portugal". Experiência ocorre no Paço da Glória, onde também são organizados retiros de luto.
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Crime
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O tribunal pôs um (aparente) ponto final no caso que se arrastava há 30 anos e Duane Davis foi considerado culpado pela morte do eterno mártir do hip-hop americano. Mas estará tudo esclarecido?
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Para ler
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Pré-Publicação
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Entre a glória, a ambição e o pesadelo: o Observador faz a pré-publicação de um excerto do mais recente livro de Katja Hoyer, "Weimar: A Vida à Beira da Catástrofe", a publicar a 7 de setembro.
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Livros
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Quais os argumentos de Christine Webb, em "O Símio Arrogante", para defender que todos os seres vivos têm o mesmo valor, como a ciência e o "conhecimento indígena"? — ensaio de José Carlos Fernandes.
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Para ouvir
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Moda
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De Eton ao Japão, das origens do kilt à cultura Pop com Britney Spears, voltamos aos bancos da escola e fazemos contas: quanto custa andar fardado?
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Cultura
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Os comediantes, as decisões, as críticas e as piadas: a polémica em volta do festival Commedia a la Carte é o tema da conversa desta semana no Pop Up.
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Um objeto
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