Há as mudanças instantâneas, a auto-ajuda, o coaching e o “faça você mesmo”. As frases motivacionais e os exemplos inspiradores. A ânsia de resultados imediatos, o sucesso fácil e o viver depressa. A impaciência, a baixa tolerância à frustração e as compras por impulso. A ânsia de ter tudo e a atenção sobre todas as coisas, ao mesmo tempo. A inteligência artificial e o chat GPT. Há a ideia de que tudo é fácil, rápido e sem dor. E há, ainda, a alma de silicone das pessoas muito resolvidas. A vertigem de controle e a hegemonia do aqui e do agora. E o ontem que se transformou numa espécie de jurássico. E o amanhã num longe, distante demais.

Na sociedade do imediatismo vende o descartável. O querer tudo e o fartar-se depressa. Num mundo assim, para que serve o conflito, a dúvida, a meditação, os sonhos, a esperança ou a perseverança? Para perder tempo. Na sociedade do imediatismo supõe-se que as novidades virais prevalecem sobre a sabedoria. E que o pensar, o perscrutar, o interrogar ou a transformação cabem na categoria das coisas que nos atrapalham e atrasam.

Tudo porque o imediatismo acarinha a estupidez e arrepanha quem pensa. Castiga quem arrisca e elogia quem repete. Na sociedade do imediatismo os erros e os falhanços vivem em guetos. E a ansiedade e a depressão não são nem sinais vitais nem factores de crescimento mas experiências de catástrofe. Na sociedade do imediatismo para cada dificuldade há um fármaco que a resolve. E, nela, cresce-se em isolamento, sem silêncio nem vagares. Na sociedade do imediatismo a felicidade é um atalho onde não cabem nem a tristeza nem a dor.

A sociedade do imediatismo é uma conjugação de recursos financeiros, tecnologia, marketing e redes sociais. Com uma pitada de impulsividade, de ganância e mimetismo.

Mais que o álcool, o tabaco, os fármacos ou as drogas sintéticas; mais que os videojogos ou os jogos de azar, há uma droga silenciosa no nosso tempo. Que vicia, “agarra” e contagia! Que é transversal a quaisquer idades e a todos os estratos sociais. E que cria angústia, agitação, défices de atenção, depressão ou burnout. Chama-se imediatismo. E é a cocaína dos distraídos.