Dia 18 de Maio irão realizar-se as quartas eleições legislativas em menos de 6 anos em Portugal. Nestes 6 anos a Direita cresceu como nunca, mas continua dividida como sempre.

Em 2024, o espaço ideológico à direita do PS (AD, IL e CHEGA) conseguiu um total de 138 deputados. Quando António Costa conseguiu a sua maioria absoluta em 2022, a esquerda toda junta alcançou 133 deputados. Ou seja, a vitória da Direita em 2024 foi de tal forma hegemónica que conseguiu ultrapassar a maioria de esquerda que lhe antecedeu, principalmente quando o PS obteve uma maioria absoluta, o que torna este feito ainda mais notável.

Mesmo com todos estes fatores alinhados, os partidos à direita foram incapazes de articularem um projeto de mudança política, económica e civilizacional para Portugal de forma estrutural e a longo prazo. Luís Montenegro recusa associar-se ao CHEGA por receio que este o “engula” como muitos partidos da Nova Direita Europeia “engoliram” os partidos da Direita Tradicional. Casos como França e Itália são exemplo disso mesmo, onde a Direita Tradicional se tornou residual e Le Pen e Meloni tomaram a vanguarda desse espaço ideológico.

Por outro lado, Ventura receia que ao associar-se ao PSD não consiga alcançar aquilo que os seus pares europeus conseguiram, ou seja, colocar “o novo partido da direita” à frente “do velho partido da direita”. Se a associação for muito próxima, Ventura sabe que corre o risco de o eleitorado passar a ver o CHEGA como um CDS 2.0 do ponto de vista mediático.

Estes dois fatores que aqui coloco são questões de interesse partidário e de ego pessoal, quer para Ventura, quer para Montenegro. Contudo, convenhamos que há algo mais importante que estas duas coisas. O interesse nacional.

O país precisa de uma reformulação a fundo e no quadro partidário atual (com o que se espera a 18 de maio, bem como a maior dificuldade de reproduzir no continente aquilo que aconteceu na Madeira, isto é, uma maioria PSD/CDS-PP), essa mudança só será possível com um entendimento entre a AD, o CHEGA e a IL, quer num prisma de acordo parlamentar, quer num prisma de acordo governamental. Por muito que custe a alguns eleitores destes três partidos, esta é a única forma de acabar com as governações bafientas de bloco central que colocaram o país estagnado nos últimos 25 anos.

Para a História ficam os vencedores e para se vencer é preciso fazer-se cedências. Donald Trump percebeu isso nos Estados Unidos. Independentemente de se gostar ou detestar a visão ideológica de Trump, o mesmo percebeu que para vencer da forma que venceu iria ter de fazer cedências e alargar o MAGA a outros espaços ideológicos. Daí a sua aproximação a Robert Kennedy Jr. (conquistando eleitorado mais moderado) e a Elon Musk (conquistando parte do ramo das Big Tech). De frisar que estes dois homens votaram à esquerda em toda a sua vida.

Isto não é sobre ideologia, é sobre poder. Enquanto a Direita não tiver esse poder nunca poderá pôr em prática a sua ideologia. Ao mesmo tempo que a Esquerda, independentemente de maior ou menor força parlamentar, consegue sempre manter-se unida (talvez pelo seu princípio filosófico coletivista), a Direita parece preocupar-se mais com aquilo que a separa do que com aquilo que a une (talvez pelo seu princípio filosófico individualista). Para a Esquerda, a união faz a força. Para a Direita, a força faz a união. Por isso é que o regresso de um líder como Pedro Passos Coelho é tão desejado. Passos Coelho é essa força.

Assim sendo, desejo viver num Portugal onde exista menos esforço fiscal para os contribuintes. Onde os empreendedores e as empresas são vistos como o motor do país e não como os maus da fita. Onde o Estado tem um papel de intervenção reduzido na sociedade e na economia. Onde a imigração é controlada, as ruas são seguras, a polícia é respeitada e a saúde (pública ou privada) funciona. Todos os partidos à direita do PS concordam com aquilo que aqui escrevi neste último parágrafo. É com isto que as pessoas se preocupam. Sentem-se, conversem e aproveitem a hegemonia de Direita em que Portugal se encontra. Há TGV’s que só passam uma vez.