A Europa foi sempre palco de grandes civilizações, como a Romana e a Grega, bem como das culturas nativas que estiveram na base do direito, da filosofia e do modo de vida europeu. No seu auge, o Império Romano detinha cerca de 35% da economia mundial — um valor que, curiosamente, corresponde ao ponto mais alto da participação da atual União Europeia no PIB global. Hoje, esse peso caiu para pouco mais de 19%; com o Reino Unido incluído, esse valor subiria para cerca de 22,5%.
Num cenário em que antigas potências como a Índia e a China regressam ao protagonismo — na verdade, civilizações que, ao longo da história, alternaram entre os dois primeiros lugares da economia global —, e em que os Estados Unidos continuam como a maior economia do mundo, torna-se fundamental que a União Europeia jogue com os seus trunfos.
A UE continua a ser a maior superpotência comercial do mundo, sendo o principal exportador global. Detém ainda o maior mercado interno de bens e serviços do planeta — embora o seu potencial esteja claramente aquém do desejável, travado por entraves à plena integração do mercado único. Entre esses obstáculos destacam-se as barreiras não alfandegárias: o fraco reconhecimento mútuo das qualificações profissionais, regras fragmentadas entre Estados-membros, setores fortemente protegidos e, sobretudo, a burocracia e o excesso de certificações, tanto europeias como nacionais.
Apesar dos desafios, a UE ainda representa cerca de 20% do PIB mundial, reúne mais de 440 milhões de pessoas — mais do que os Estados Unidos, embora menos que a Índia e a China — e, se fosse um país único, seria a segunda maior economia mundial, com um PIB de cerca de 20 biliões (triliões) de dólares.
No entanto, o cenário é de decadência. A União Europeia parece finalmente ter despertado de um longo e ingénuo “sonho cor-de-rosa”, onde todos partilhavam abraços emocionados. Hoje, confronta-se com uma humilhação tecnológica imposta pela China e com o dinamismo inovador dos Estados Unidos. A Europa corre o risco de se tornar um museu: envelhecida, sobre-regulada, e alheada da realidade de um mundo onde os outros inovam mais, trabalham mais e crescem mais, impulsionados por menores níveis de regulação, menores impostos e Estados Sociais menos pesados.
É urgente resolver o problema estrutural do baixo crescimento económico e da fraca produtividade nos Estados-membros. Para isso, a UE deve:
Estabelecer uma taxa máxima de IRC de 15%;
Eliminar o imposto sobre mais-valias de capital e dividendos;
Unificar os mercados de capitais europeus;
Incentivar o acesso das empresas ao capital de risco e reduzir a sua dependência da banca;
Reformar os mercados de produto a nível nacional para promover concorrência e baixar preços;
Eliminar o IVA na eletricidade e gás, aliviando os custos de contexto e atraindo investimento estrangeiro.
Estas medidas terão, a curto prazo, um impacto material nas receitas fiscais, pressionando as finanças públicas. No entanto, essa perda deve ser compensada por uma redução drástica e estratégica da despesa pública: reestruturação de prestações sociais, fusão de organismos públicos e contenção da máquina estatal. Só com maior agilidade e leveza os países europeus conseguirão impulsionar o crescimento, reforçar a produtividade, preservar o seu modo de vida e manter relevância geopolítica.
Nesse quadro, a adesão do Canadá à União Europeia — dentro de uma possível união PAN-europeia — seria estratégica. Tal passo permitiria reforçar as relações comerciais, expandir o poder geopolítico europeu e aproximar o PIB europeu do norte-americano. Em paralelo, a integração dos países dos Balcãs e o regresso do Reino Unido à UE são vetores fundamentais de uma política externa que permita à Europa ultrapassar a China e rivalizar com os Estados Unidos de forma direta.
Falta, contudo, ambição e visão à atual geração de políticos europeus. Mas a Europa já demonstrou ser capaz de construir projetos grandiosos — lentamente, sim, mas com profundidade. A União Europeia é, provavelmente, o melhor projeto político da história moderna. Agora, precisa de ser reformado, agilizado e preparado para enfrentar um mundo caótico, competitivo e, por vezes, bárbaro.
Como disse Mario Draghi há poucos meses: “Façam algo!”