E ganhou bem, porque jogou com vontade do princípio ao fim, porque optou por não cair na provocação de agressividade vergonhosa dos argentinos e porque utilizou os seus jogadores em função das capacidades e das necessidades de cada momento.
Mas principalmente porque foram uma equipa.
Notava-se que estavam todos a remar no mesmo sentido, com a mesma força e com o mesmo ritmo.
Não havia vaidades e todos davam o que tinham para dar.
Num campeonato marcado por uma desagradável subserviência a interesses políticos, que sempre deixam suspeitas sobre as razões das decisões, como foi o caso da suspensão da punição de um jogador norte americano logo a seguir a um pedido de Trump e a tentativa de interferir constantemente em todas as diversas formas que o futebol mundial preserva na sua história, para dar mais espaço ao lucro, deixaram uma imagem dos responsáveis por este evento e pelo futebol mundial, muito feia e podre.
Já há alguns anos fomos confrontados com uma verdadeira situação escandalosa no comportamento dos responsáveis da federação internacional de futebol e este ano parece que tudo voltou a ser como dantes…
Tudo isto se passou ao mesmo tempo a que assistimos a um momento extraordinário de uma seleção de um país insular africano, de reduzida dimensão e população, a surpreender-nos com uma actuação excecional que chegou a ameaçar a chegada da Argentina à final do torneio.
Num evento em que muitos deram o seu melhor para chegar mais longe, há uns dirigentes que se sentem acima de todo o mundo e que tomam atitudes de baixo nível sobre um desporto que devia ser exemplo para quantos das gerações mais novas, o praticam e para a todos aqueles que o vêm.
Costumava ser de cima que se esperava ver o exemplo, mas infelizmente é em cima que mais vemos aquilo que menos gostaríamos de ver.
Já no que respeita à nossa seleção, a escolha de um treinador fraco, que permite a determinados jogadores influenciar a decisão de como se leva o jogo e que torna uma equipa como um património para a satisfação dos desejos pessoais de um jogador, é claramente uma solução perdedora que compromete todos os restantes e que diminui aquilo que o país mereceria.
Com uma seleção carregada de valores muito acima da média, que levou os próprios a considerarem-se candidatos à vitória, a realidade ficou a uma enorme distância das expectativas.
Poucas vezes se viu uma equipa portuguesa com força, com criatividade, com alegria e, principalmente, com unidade.
E nos poucos momentos em que isso aconteceu, não houve capacidade para manter essa força até ao momento da decisão.
Foi pena, pois muitos dos jogadores mereciam ter tido outra oportunidade.
E o pior foi, no momento da derrota, na chegada a casa, quem foi mais responsável pelas decisões erradas que não permitiram a vitória, nem sequer teve a coragem de enfrentar os portugueses que defraudados esperavam a sua equipa na chegada a Portugal.
Foi anunciado um novo treinador para Portugal e ouvi-o dizer aquilo que me faz acreditar que podemos mudar.
Que vem para ganhar, que vem para mandar e que vem com a ambição do lugar que vai ocupar.
Se cumprir isto já será uma pedrada neste espectáculo que tem perdido muito da sua dignidade.
Viva Portugal.