Mertz veio dizer que o sistema de pensões alemão é insustentável.
Em França , com um crescimento da despesa pública insustentável, e à beira de ter que chamar o FMI, o Primeiro Ministro vai apresentar uma moção de confiança no parlamento para conseguir força política para fazer passar um orçamento de austeridade. Provavelmente a Moção de Confiança vai ser chumbada e a França terá nova crise política e irá novamente para eleições e continuar sem Reformas, até que tenha que chamar o FMI.
A França é o paradigma da força contestatária a tudo que seja mexer nos direitos adquiridos.
Há 2 anos, num evento internacional transmitido em direto para todo o mundo (a abertura dos Campeonato Mundial de Rugby de Nações) um estádio cheio vaiou o Presidente Macron, reeleito pela maioria dos Franceses apenas um ano antes, de forma intensa e prolongada, durante toda a sua intervenção. Motivo: o descontentamento com o aumento da idade da reforma dos 62 para os 64 anos.
Enquanto os países europeus de regimes democráticos estão estagnados e o seu Estado Social a deteriorar-se, países autocráticos/ditaduras, como Singapura e China crescem exponencialmente. A superioridade no aumento da prosperidade dos regimes autocráticos resulta em que os seus dirigentes possam Governar sem ter que pensar em eleições, sem ter que dar satisfações e planeando a longo prazo sem ter que governar para o curto prazo. E sem a maçada das contestações e greves que são logo fortemente reprimidas.
Quer isto dizer que se recomenda o abandonar a Democracia e as Liberdades? Não, bem pelo contrário. Mas sem dúvida que é preciso garantir a estabilidade, o tempo e o poder de quem Governa para que as Reformas possam acontecer. Sem isto a tentação autocrática um dia irá ganhar.
Duas medidas são necessárias:
- O governos têm que estar escudados em sólidas maiorias absolutas no Parlamento. Para isso o Governo, ou o programa de Governo, têm que ser aprovados por 50% +1 dos deputados. (e não apenas não rejeitados).
Para isto ou se altera o Sistema Eleitoral de forma a facilitar maiorias de um só partido ( círculos uninominais com duas voltas ou dividir os grandes ciclos em círculos pequenos) ou os partidos aceitam a regra de que quando os eleitores não dão um maioria a um só partido têm que fazer coligações estáveis - A duração de uma legislatura tem que ser de seis anos.
Normalmente só ao fim de dois anos um Governo tem a consciência e o conhecimento necessário das reformas que precisam de ser feitas. E precisa depois de quatro anos para as implementar, sendo que o último é já a pensar nas eleições
É preferível ter um Governo de seis anos do que com dois mandatos de quatro anos. (A nossa história tem demonstrado que ao fim de seis anos existe já uma paralisante saturação).