O que trago esta tarde pode parecer simples. Hoje muitos perguntam: para que serve o CDS? Mas a pergunta que interessa, a pergunta crucial, é outra: que CDS temos nós de ser para que os portugueses nos reconheçam como necessários?
A resposta está na história, mas não apenas. Não é suficiente dizer que o CDS foi importante. Foi. Isso conta e deve ser honrado. Mas um partido não vive só do que foi. Vive daquilo que hoje, aqui, agora, ainda tem para oferecer ao país.
Ora, aquilo que o CDS tem para oferecer a Portugal é, antes de tudo, uma política de sensatez.
Quando falo de sensatez, não falo de sermos frouxos. Falo, pelo contrário, dessa coragem mais difícil que consiste em resistir às modas do momento, a essas teorias que prometem reconstruir o mundo e acabam sempre por desorganizar a vida das pessoas.
Não são essas tendências que pesam na balança do CDS. Para o CDS só uma medida conta: a medida da vida portuguesa.
A família não começa do zero. A escola não começa do zero. A língua não começa do zero. Nem a liberdade, nem a nacionalidade começam do zero. Portugal não começa do zero.
A própria origem do CDS o confirma. Foi quando Portugal precisava de uma direita patriótica, cristã, atlântica e europeia, capaz de temperar as paixões da revolução, que o CDS nasceu. E com ele a missão de defender Portugal.
É essa tradição que o CDS leva para a AD. Sem nós, a AD poderia ser uma solução eleitoral. Mas não teria a mesma coragem histórica: a coragem que um dia Freitas do Amaral demonstrou quando votou contra a Constituição.
Por isso, se queremos ser fiéis à nossa história, temos de falar menos de nós e mais do país. Temos de nos deixar de disputas estéreis. Sou novo, mas vivi tempos muito difíceis no CDS. Talvez dos mais difíceis.
Por isso, srs Congressistas, perante tensões internas, apetece dizer: um congresso deve ter debate e confronto, sim; mas não podemos permitir que daqui saia um partido mais pequeno e fechado sobre si mesmo. Tem de sair um CDS mais forte.
Porque o CDS é necessário.
Há um português que trabalha, que paga impostos, que educa os filhos, cuida dos pais e faz contas ao final do mês. Não pede à política que lhe resolva tudo. Pede-lhe uma coisa mais modesta: que não lhe complique ainda mais a vida. Quer segurança na rua, um futuro para os seus filhos e um país que não tenha vergonha de si mesmo.
É a esse português que o CDS deve falar quando defende a família como a primeira comunidade e quando defende a vida desde a concepção até à morte natural. É a esse português que deve falar quando pensa nos jovens que querem trabalhar, ter casa e constituir família sem que isso pareça uma ambição excêntrica. É a esse português que deve falar quando defende trabalho honesto, habitação possível e razões para ficar em Portugal.
Esse português não quer que a escola se transforme num laboratório ideológico. Quer que ensine. Não quer que a nacionalidade portuguesa seja tratada como um procedimento qualquer. Quer que continue a significar pertença.
Não quer que a memória dos combatentes que serviram Portugal seja apagada por um desconforto incompreensível. Quer justiça, gratidão e verdade. E quer ver honrados os seus heróis, como Marcelino da Mata, soldado português cuja bravura faz parte do nosso património histórico e militar.
Tudo isto parece CDS. E é CDS. Mas é CDS precisamente porque antes é Portugal. O que defendemos como partido nasce dessa obrigação primeira de servir Portugal como ele é, como o recebemos e como o devemos transmitir.
O CDS não pode nunca pedir desculpa por existir. Precisa, isso sim, de saber para que existe. Existirá tanto mais quanto mais souber falar, sem complexos, ao país real — e não à caricatura de país real que tantas vezes certos protagonistas promovem. O país real é real a sério. Existe em Lisboa e no Porto, como em Alcobaça ou em Guimarães, em Faro ou Vila Real, nas ilhas, no interior e no litoral.
Honrar o CDS não é viver do passado. É estar à altura dele. É continuar uma missão de sensatez que começou quando Portugal precisava de ser defendido da vertigem revolucionária e continua hoje, quando Portugal precisa de ser defendido da perda do bom senso.
Lutar pelo CDS é lutar por uma ideia maior de Portugal.
Honrar o CDS é honrar Portugal.
Discurso proferido no 32º Congresso do CDS-PP, em Alcobaça, no dia 16 de Maio de 2026.