O conceito de valor social é, provavelmente, desconhecido para a maior parte das pessoas. Consiste na preocupação que algumas organizações têm, na sua atividade, de considerarem e avaliarem o impacto integral das suas ações a nível económico, social e ambiental. Interprete-se organizações como empresas privadas ou públicas, institutos, fundações ou qualquer outra estrutura, dedicadas às mais diversas atividades, ao fornecimento de produtos ou serviços. Este conceito de valor social é amplo, mas o objetivo é que haja um esforço consciente para que o impacto integral da ação de uma presumida organização seja positivo na sociedade, com criação de contribuições para o bem-estar, resiliência e crescimento dos indivíduos e da comunidade.

O valor social do indivíduo seria uma adaptação do conceito à pessoa na sua ação como cidadão e profissional. A sociedade apresenta um sistema de funcionamento que lhe é própria e se faz de forma padronizada. Um indivíduo que dê a uma sociedade aquilo que os seus elementos mais procuram será mais recompensado do que aquele que não dá. Assim, num país sem água potável ou sem acesso a cuidados de saúde, o valor será de quem tenha as competências de os proporcionar. Da mesma forma, uma sociedade que valorize o entretenimento acima de tudo, compensará sobretudo quem o proporcione (distinga-se entretenimento de cultura). Ambas as situações têm valor social, sem dúvida. A questão é, se damos como dado adquirido o acesso a água potável e a cuidados de saúde, não lhe damos valor subjetivo. Os indivíduos que tenham estas competências terão um grande valor social individual, mas nunca terão o reconhecimento e, consequentemente, não terão o retorno de alguém que proporciona entretenimento.

Ações proporcionadas por profissionais envolvidos em educação, saúde, segurança, justiça, são essenciais a uma sociedade livre. As pessoas que tal proporcionam têm um valor social individual inquestionável. No entanto, na sociedade ocidental, vemos indivíduos a serem recompensados com posições profissionais apetecíveis pela sua contribuição para a manutenção do status quo, mas sem impacto social, ambiental, económico com “saldo positivo”. Outros ocupam posições de administração que visam o lucro, que seria de um elevado valor económico se criasse mais emprego ou melhores salários, ao invés de procederem despedindo funcionários em situação de crise, para depois distribuírem dividendos ou reclamarem prémios. Assim, estes indivíduos têm um baixo ou alto valor social individual? A lista de situações destas poderia ser trabalhada e crescer muito. Mas algo mais surge de tudo isto, em particular o grau de (des)motivação que tal provoca. Alguém que exerça funções na proteção da saúde e perca o emprego, ou nunca o obtenha, que não consiga entrar ou voltar ao mercado de trabalho, perde o valor social individual. Alguém que exerça funções como professor e, face a todos os constrangimentos a que o sujeitam, decida mudar de carreira (porque não, investidor bolsista, por exemplo), perde o seu valor social individual. Todos conhecemos histórias similares. Por isso, e também importante, as novas gerações serão compostas por indivíduos motivados para serem protagonistas de um “reality show” ou para trabalharem em instituições de apoio a crianças ou idosos? Não há dúvidas sobre quais terão maior valor social, individual e não só.

O indivíduo que dá muito à sociedade deveria receber em proporção. O indivíduo que usa o sistema onde está inserido apenas para se beneficiar a si próprio deverá ter uma recompensa menor ou, melhor ainda, deverá ser motivado a adquirir valor social individual. Necessariamente, todo o humano procurará ter valor, nos sentidos de poder, perfeição (ou a imagem de que os tem). Os símbolos desse valor são adquiridos por uma aprendizagem e, de forma mais pronunciada, por uma imitação daquilo que o rodeia. Estamos num círculo vicioso e, tristemente, o valor social individual é o que menos valor subjetivo terá na forma como estamos a evoluir. Assim, este valor social individual é aquele que corre o risco de nunca ser implementado como um exemplo, com o continuado empobrecimento real da sociedade.