Como monárquico convicto no seio de uma república parlamentar cada vez mais  esvaziada de sentido institucional, almejo um Portugal com instituições sólidas,  credíveis e impregnadas de autoridade moral; dinâmicas na resposta aos desafios dos  tempos e resilientes face às derivas sectárias que minam o nosso tecido social.

Acredito num Estado em que o serviço público se exerça com elevação, com  desinteresse pessoal, e com fidelidade aos mais altos desígnios da Nação — e não  como palco de vaidades, selfies e jogos de influência partidária, como tristemente se  tornou a Presidência da República. Uma magistratura outrora símbolo da unidade  nacional, hoje reduzida a teia de interesses e culto narcísico da imagem.

Tenho por certo que o Portugal de hoje, arruinado nas suas instituições e deprimido na  sua alma, não corresponde ao verdadeiro génio do povo português. Esta dissonância  entre o potencial imenso da nossa cultura e a mediocridade reinante constitui, para  quem como eu sonha com uma Pátria digna da sua História, um motivo de inquietação  profunda.

Ao contrário da maioria, não me iludo com messianismos nem com salvadores  providenciais. Acredito que a regeneração nacional começa dentro de cada um de nós  — nas nossas atitudes, na forma como nos relacionamos com o bem comum. Não é  exequível ambicionar uma economia pujante ou uma administração eficaz sem operar  antes uma reforma moral e de mentalidades, que resgate o espírito de responsabilidade  individual.

Cada cidadão deve assumir a sua quota de responsabilidade cívica, seja na sua vida  familiar, no seu prédio, na sua freguesia, no clube desportivo, na associação ou no  partido político. Toda e qualquer teoria redentora que prescinda deste princípio está  votada ao fracasso. Como bem dizia José Joaquim Lopes Praça, pedagogo português do  século XIX, “o génio da liberdade alimenta-se mais dos nossos costumes do que do vigor  das nossas leis”.

Somos, em termos gerais, um povo sentimentalista, desconfiado, pouco dado à  assunção de responsabilidades coletivas. Vivemos a suspirar por um passado  mitificado e a aguardar ressurreições impossíveis — de Salazares ou de D. Sebastiões  —, como se uma revolução externa fosse capaz de redimir os nossos vícios estruturais.

E mesmo à medida que se avizinham novas eleições presidenciais, com candidaturas já  anunciadas como a do almirante Gouveia e Melo ou de Luís Marques Mendes, não se  vislumbra no horizonte cívico uma verdadeira alternativa dotada da sabedoria, da  estatura institucional e do carácter irrepreensível que a Chefia do Estado exige.

Gouveia e Melo, ainda que merecedor de respeito pela sua ação logística no contexto  pandémico, não possui a profundidade institucional nem a visão de estadista que se  exige para o mais alto cargo da Nação. Já Luís Marques Mendes, figura conhecida do  comentário político e das tramas partidárias, representa o prolongamento do sistema  tal como está — experiente, sim, mas conformado e previsível.

Ambos estão a léguas da figura serena, discreta e profundamente enraizada na tradição  histórica que é Sua Alteza Real, o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança — legítimo  herdeiro da Coroa de Portugal, símbolo vivo de uma continuidade nacional que se  estende por quase nove séculos. Não se trata apenas de uma linhagem, mas de um  ideal: o ideal de um Chefe de Estado acima das lutas partidárias, isento, moralmente  elevado, e verdadeiramente comprometido com a missão histórica de Portugal.

Recuso-me, pois, à resignação. Recuso a banalização da política, o abaixamento moral  das instituições e a abdicação da memória nacional. Não abdicarei de lutar — com a  palavra, com a ação, com o exemplo — por um Portugal à altura da sua História, que  inspire respeito e não piedade, que eleve a consciência cívica e não a afogue em  silêncios cúmplices, que reencontre, enfim, a claridade da sua missão no mundo.