Igreja Católica

Guadalupe: um caminho para o céu na vida quotidiana

Autor
  • Mons. Fernando Ocáriz
463

Muitas vezes somos tentados a prescindir de ambicionar grandes coisas, a renunciar a certos sonhos por sentirmos limitações e erros. Guadalupe mostra que é possível sonhar e ir longe confiando em Deus

Guadalupe Ortiz de Landázuri vai ser beatificada no próximo dia 18 de maio, em Madrid. Este acontecimento é motivo de alegria e de esperança, porque mostra, uma vez mais, que Deus chama todos a viverem uma vida plena com Ele, chama à santidade, e que tudo isso é possível nas vicissitudes da vida quotidiana.

Foi uma mulher que amou a vida que Deus traçou para ela; tornou-a sua e foi feliz. Ainda nova, sofreu a morte do pai, que enfrentou com serenidade e firmeza. Apesar das dificuldades, decidiu completar os estudos de Química e abraçar uma profissão que era pouco frequente nas mulheres do seu tempo; a seguir, dedicou-se ao ensino com todas as suas forças. Quando conheceu S. Josemaria Escrivá e descobriu que Deus a chamava para viver a sua vida cristã segundo o espírito do Opus Dei, não hesitou em entregar-se generosamente a procurar a santidade na vida quotidiana. Guadalupe permaneceu aberta ao que Deus lhe pedia em cada momento: renunciar à profissão por um tempo para retomá-la mais tarde, viajar para o México para iniciar a presença evangelizadora do Opus Dei no continente americano, regressar a Espanha e voltar ao ensino, fazer o doutoramento numa idade madura.

O exemplo de Guadalupe é luz e alento para ver em cada vida comum um caminho de santidade, onde os projetos, sonhos, desafios e planos, mais ou menos previstos, se cruzam com mudanças, dificuldades e problemas inesperados. Ela sobressai em amar o que Deus dá, querer o que Deus quer, confiar e esperar em Deus, e viver plenamente o presente tal como é, colocando o futuro nas mãos de Deus.

Guadalupe era alegre, corajosa, determinada, empreendedora, acolhedora. Tinha a certeza de que Deus estava perto e a amava. Uma certeza que lhe deu simplicidade e serenidade e não a deixava ter medo dos erros e defeitos pessoais, dando-lhe liberdade para procurar amar a Deus e os outros sempre e em tudo. Muitas vezes seremos tentados a prescindir de ambicionar grandes coisas, a renunciar a certos sonhos, por sentirmos limitações e erros. Guadalupe mostra que é possível sonhar e ir longe se, apesar das dificuldades, confiarmos em Deus, no seu amor por nós

Esta química de Madrid conciliou uma vida profissional intensa com a intimidade com Deus e o serviço aos outros. As suas muitas cartas registam as muitas tentativas de pôr Deus em primeiro lugar e, embora nem sempre conseguisse o que queria, recomeçava de cada vez com novo empenho. Procurou abrir momentos definidos ao longo do dia para o encontro pessoal com Deus, momentos de oração para buscar força para depois o encontrar noutras circunstâncias. Qualquer pessoa, apesar das tarefas que enchem o dia, pode, se quiser, encontrar Deus, que espera cada um a todo o momento e especialmente na eucaristia.

Tem um certo sabor providencial que o dia 18 de maio, data da beatificação, tenha sido também o dia em que Guadalupe fez a Primeira Comunhão. Uma coincidência que recorda a estreita união que existe entre a eucaristia e a santidade pessoal.

Guadalupe pode ser vista como modelo para descobrir Deus no trabalho bem feito. Tinha consciência de que podia tornar Deus presente na atividade profissional e, nela e através dela, dar a conhecer Deus aos outros. O amor a Deus e o empenho profissional levavam-na a comprometer-se com as necessidades sociais do seu tempo; não foi indiferente ao sofrimento dos outros e isso incitou-a a promover iniciativas de desenvolvimento social tanto no seu país como no México. Guadalupe era uma apaixonada pela Química, o trabalho era para ela um lugar de realização profissional, mas, sobretudo e principalmente, um espaço para se relacionar com Deus e se dar aos outros, para servir.

Muitos recordam dela a alegria, o riso contagioso, que tornava a vida agradável. Este caráter alegre e aberto era certamente, em parte, temperamental, herdado, mas era também, e muito, fruto do esforço e do sacrifício que ninguém vê. Teve vários anos uma doença cardíaca, que lhe dava cansaço e exaustão, mas optou por abraçar esta dificuldade e tinha o sorriso habitual de quem não se dá importância a si mesma. Ao pensar na Guadalupe vem-me à mente aquela afirmação de S. Josemaria: “dar-se ao serviço dos outros é de tal eficácia que o Senhor o premeia com uma humildade cheia de alegria”.

Neste mês de maio, especialmente dedicado a Maria, peço à Mãe de Jesus que a figura de Guadalupe nos inspire e nos leve a aceitar os convites de Deus para a nossa vida, para sermos como ela felizes, «bem-aventurados», como a Igreja a declarará dentro de dias.

Prelado do Opus Dei

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