A Académica vive um momento crítico, do ponto de vista financeiro e desportivo. Todavia, a circunstância de haver três candidaturas ao próximo acto eleitoral, que envolvem um total de 156 associados, é prova da vitalidade da Briosa e da sua verdadeira dimensão. A dura realidade com que nos deparamos diz-nos que para o ano estaremos a disputar a Liga 3 e que há processos de insolvência em curso, cujos planos de pagamento importa assegurar; mas ainda assim, a Instituição vive, ergue-se e luta. O nosso Fado – o de Coimbra – não é o da resignação: é o do Amor e da saudade por uma Coimbra, por uma Academia, por uma Académica, que tarda em cumprir-se.

No próximo dia 1 de Junho, os associados da Briosa são confrontados com três projectos distintos na sua génese e na sua exequibilidade. E porque é de futebol que falamos, é fundamental assinalar as “balizas” com que nos deparamos, para que saibamos o campo no qual nos podemos mover e onde e de que forma podemos jogar.

A primeira baliza é definida pelos processos de insolvência em curso. O plano de recuperação da SDUQ foi homologado e está em execução, enquanto se aguarda ainda a decisão judicial referente ao processo de insolvência da AAC/OAF. Caso este venha a ser aprovado – como esperamos e desejamos – a Instituição ficará com encargos anuais a rondar os 600 mil euros/ano para assegurar o cumprimento das dívidas do passado. Se acrescentarmos a isto a gestão corrente, o investimento na formação, na equipa feminina e na equipa profissional, facilmente percebemos que qualquer solução de governo terá que acautelar, do lado da receita, todas estas despesas.

A ideia de que o actual modelo societário – Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas -, preconizado pela Lista B, é o que melhor se adequa à realidade actual, padece de um lirismo e de um desconhecimento da realidade preocupantes. Qualquer solução responsável para o futuro da Briosa tem que acautelar as necessidades do lado da receita, com entradas de liquidez que assegurem, desde logo, o cumprimento do (s) plano (s) de recuperação. Basta analisar as contas da AAC/OAF e da SDUQ – embora apenas tenham sido apresentadas aos sócios as contas da SDUQ de 2023/2024 e do clube de 2022/2023…- para se perceber o deficit anual e recorrente da Instituição e o preocupante (e irreversível) risco de incumprimento do (s) plano (s) de recuperação que tal acarreta. Acresce que, por via da revisão do protocolo de utilização do Estádio Cidade de Coimbra com a CMC, as receitas daí advenientes apenas poderão ser afectas ao sector não profissional (formação e futebol feminino). Não tiremos, pois, os olhos desta baliza: persistir no actual modelo de SDUQ, como preconiza a Lista B, conduzirá ao definhamento da AAC/OAF e à sua morte lenta.

O campo tem, todavia, duas balizas, como sabemos: e a segunda “baliza” são os Estatutos da AAC/OAF e o Protocolo celebrado entre a AAC/OAF e a Direcção Geral da AAC. Em ambos se prevê que a Académica pode constituir sociedades desportivas, desde que o clube (AAC/OAF) detenha a maioria do capital social. Daí que fazer depender um projecto da transformação da actual SDUQ numa SAD com possibilidade de o investidor adquirir maioria do capital social seja irrealizável nos dias de hoje, não sendo previsível ou expectável que tal venha a ser possível num futuro imediato. Essa possibilidade – de criação duma SAD com a maioria do capital a passar para as mãos dum investidor externo desconhecido -, foi admitida pela Lista C, mas não se afigura nem desejável (no plano dos princípios), nem viável, nem exequível no curto/médio prazo. E os associados não poderão igualmente perder de vista esta baliza quando entrarem em campo no próximo dia 1 de Junho.

Daí que defenda convictamente que a solução passa, no actual contexto, pela implementação duma SAD com maioria do clube, envolvendo investidores responsáveis, ligados ao tecido empresarial da região, com ligação afectiva à Briosa, que é o que a Lista A – Construir o Futuro (liderada pelo Dr. Joaquim Reis) conseguiu. Do ponto de vista prático, esta solução tem várias vantagens: não carece de alteração dos estatutos do OAF, nem implica a revisão do protocolo celebrado com a Direcção Geral da AAC; permite a entrada de liquidez para acautelar o cumprimentos do (s) plano (s) de recuperação; envolve empresas da região, fortalecendo a ligação entre o tecido empresarial, a cidade, o clube e a academia; respeita a matriz identitária da Briosa, garantindo que o clube detém a maioria do capital; permite avançar para uma imprescindível e progressiva profissionalização de setores chave dentro da Instituição.

Como candidato à Presidência da Mesa da AG do AAC/OAF pela Lista A, sinto-me convicto de que é este o caminho. Ambição e responsabilidade terão que estar de mãos dadas. Como “árbitro” imparcial e independente que sou e serei, não posso deixar de assinalar que é neste campo, com estas balizas, que se irá jogar o futuro da Briosa.

Não podemos marcar auto golos em nenhuma das balizas no próximo dia 1 de Junho. É o futuro da Briosa que está em jogo. Vamos, juntos, “Construir o Futuro”.