Mais do que um teto e quatro paredes, a casa é, para muitos, um porto seguro, onde construímos memórias e nos refugiamos após um dia difícil. Não é por acaso que 31% dos portugueses afirmam que a ‘casa ideal’ contribui diretamente para o seu bem-estar físico e emocional. Para 59% dos portugueses o seu lar é o local preferido para estar.

No entanto, a realidade é que muitas casas que não se encontram nas condições que gostaríamos: 2/3 dos portugueses admitem que a sua casa necessita de reparações ou melhorias urgentes. Problemas como infiltrações, humidade e mau isolamento de janelas e portas estão no topo da lista das queixas recorrentes. Dados do Grupo Ageas Portugal referem que mais de 67% dos portugueses dizem ter, pelo menos, uma necessidade urgente de melhoria da sua habitação, sendo o isolamento de janelas e/ou portas a preocupação principal.

Estes problemas são intensificados por condições meteorológicas adversas cada vez mais frequentes. As tempestades intensas, chuvas torrenciais e outros fenómenos extremos têm posto à prova o estado de conservação das habitações e a sua resistência estrutural, levando a um natural aumento na procura por soluções associadas à proteção.

Equipamentos tecnológicos e métodos não destrutivos permitem apurar com precisão a origem das infiltrações, por exemplo, limitando as áreas a intervir. Diagnosticar a origem dos problemas é essencial para viver com bem-estar e segurança, pois casas com deficiente impermeabilização e mau isolamento térmico são prejudiciais para a saúde, aumentando a probabilidade de contrair ou agravar doenças respiratórias.

Quem nunca se viu às voltas com uma mancha preta no teto ou na parede, sem identificar a origem da mesma? Devemos assim agir “antes que aconteça”.

Nos EUA, Reino Unido e outros países da Europa, é comum realizar uma inspeção detalhada (intitulada “home inspection’) antes da compra de uma casa para identificar possíveis problemas e evitar surpresas desagradáveis.

As nossas casas devem ser um local de conforto e bem-estar e não de preocupações constantes, por isso é uma boa prática realizar uma inspeção preventiva à rede de abastecimento e escoamento de água, aos componentes elétricos ou ao estado de conservação da construção, a cada oito anos.

Pequenas mudanças também podem fazer toda a diferença, como a substituição de janelas antigas, a instalação de isolamento adequado nas paredes e coberturas ou a implementação de sistemas de monitorização de consumos de água, gerador de alertas em caso de leituras incomuns. Embora exijam um investimento inicial, estas soluções traduzem-se em poupanças significativas a médio e longo prazo.

Adicionalmente às melhorias físicas, é essencial refletir sobre a proteção financeira das nossas casas. Em 2024 registou-se um crescimento de 3 a 4% no mercado dos seguros multirriscos habitação, devido à inflação e ao aumento dos custos de construção, segundo dados da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF). Em Portugal, este crescimento surge num contexto preocupante, uma vez que se estima que cerca de 79% das habitações não possuem cobertura contra fenómenos sísmicos e que 45% das mesmas não tem proteção adequada para incêndios e outras situações intrínsecas aos seguros multirriscos habitação.

Em resumo, quando falamos em desafios climáticos e económicos, a forma como cuidamos e protegemos as nossas casas e economias são parte do plano estratégico do nosso próprio bem-estar. Apostar em melhorias graduais, desde o isolamento adequado até à instalação de sistemas mais eficientes devem ser vistas como investimentos que valorizam o nosso património e reduzem custos a longo prazo. Equilibrar estas dimensões – a melhoria física e a proteção financeira – garante às nossas casas (e a cada um de nós) aquilo que sempre deveriam ser: espaços de conforto, segurança e de construção de memórias.