Perante a afronta à liberdade de ensino movida pela atual maioria de esquerda, engane-se quem pensa que as escolas privadas tinham vida fácil no polo oposto, protagonizada por Salazar, por via da sua suposta amizade com o Cardeal Gonçalves Cerejeira. Um olhar isento à realidade, não vê, naquele tempo, apoios, subsídios, estímulos, nem legislação favorável; nem credibilização, pois os alunos tinham que fazer exames nas escolas “oficiais” no final de cada ciclo para obterem o diploma; nem valorização social, pois o “ensino particular” era claramente marginalizado. Tudo isto, num cenário em que a maioria dos alunos do ensino liceal frequentava colégios, gerando, assim, poupanças significativas para as finanças públicas.

Se Salazar não simpatizava com a “liberdade”, obviamente se incluiria, por maioria de razão, a “liberdade de ensino”, materializada na atribuição de subsídios e apoios às escolas privadas e aos pais que as escolhiam. E Salazar queria controlar a educação, pois bem sabia a força que ela encerra.

Neste campo, como em outros, o Cardeal Cerejeira discordava abertamente do Presidente do Conselho. Dois testemunhos ilustrativos:

– «O ensino particular (…) está sujeito a uma fiscalização que tem muito de estreita regulamentação. É ainda o nosso país neste aspeto um dos mais estatistas: não será exagero afirmar que a escola única é o regime oficial. A própria França, que a tem defendido como ideal político, subsidia, não obstante, as escolas católicas. Moveu-a o sentimento da liberdade escolar e do reconhecimento do direito das famílias. A escola única (única porque só ela tem o favor do Estado) não respeita nem o direito da Igreja nem o das famílias» (Cardeal Cerejeira, cit. pelo deputado Urgel Horta, Assembleia Nacional, Diário das Sessões de 12/12/1956, p. 122).

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