Aos 11 anos já trabalhava. Ainda bem, pois considero que fui afortunado por esse facto. A vida ensinou-me cedo que o trabalho não é um castigo, é antes uma ferramenta que muito valorizo. Cedo aprendi que o sucesso não se herda, constrói-se, sendo que quando olho para trás, para o caminho que percorri desde os tempos em que ajudava na pequena empresa de transportes do meu pai até à liderança, juntamente com os meus irmãos, de um dos maiores grupos logísticos da Península Ibérica, confirmo que ser um líder bem-sucedido não se aprende nos livros. Eles são um suporte valioso, mas não esgotam a aprendizagem. É muito importante o aprender a fazer. E a fazer bem. E o saber fazer com os outros ao nosso lado e com humildade.

Liderar é criar valor que fique. Não falo de lucros momentâneos, mas sim de consistência. Acredito que a satisfação está na construção e que o lucro é uma consequência. Só assim os resultados resistem ao tempo e criam mais valor para todos, nomeadamente clientes e colaboradores. Estou convicto de que o valor de uma empresa se mede pela sua solidez quando o vento sopra contra e as adversidades testam os seus alicerces. Nessas alturas, só a visão, o rigor, o propósito e a ambição são fatores críticos. A sorte, como costumo dizer, não aparece se não formos atrás dela. E para ir atrás dela é preciso saber onde queremos chegar.

Tracei a minha meta bastante cedo: em vinte anos queria pôr a Transportes Luís Simões entre as cinco maiores do país. Dezoito anos depois, estávamos lá. Não por acaso. Mas porque todos os dias, durante esses dezoito anos, fizemos tudo para isso.

Assim, a liderança e o sucesso não são um lugar, mas sim uma responsabilidade e um caminho. E este caminho começa também nas pessoas que nos rodeiam. Não é preciso ter muitos, é preciso ter os certos. Aqueles que vestem a camisola, que fazem acontecer, que sabem mais do que nós em muitas coisas e que, por isso mesmo, merecem espaço para brilhar. Um bom líder não é o que faz tudo. É o que põe cada um a fazer o que sabe fazer melhor.

Quando uma equipa percebe o “porquê”, o “como” vem por arrasto. Sozinhos podemos ir mais rápido, mas juntos vamos muito mais longe. Mas liderar é também preparar quem vem a seguir. Não basta deixar números. É preciso deixar cultura, valores, estrutura e confiança.

As gerações seguintes só terão sucesso se entenderem o que sustenta os resultados e tiverem a ambição de envolver, de escutar o cliente, de antecipar o mercado e de manter o foco nos objetivos. E isso ensina-se com o exemplo, com coerência e com entrega. E estou seguro de que a 3.ª geração da Luís Simões está preparada para ser bem-sucedida em continuar o legado.

Assim, e depois de todos estes anos, continuo a acreditar no que sempre me orientou: liderança e sucesso não se herdam. Fazem parte de um percurso que se constrói, mas que pode ser alcançado.