Foi verdadeiramente surpreendente assistir ao desnorte total do Partido Socialista nesta última semana.
Depois de ter passado por um processo de destruição de uma maioria absoluta que lhe dava uma folgada aceitação junto do eleitorado português, os socialistas têm vindo a percorrer, numa louca correria, qual bicicleta desgovernada por uma ladeira, um caminho desnorteado, sem qualquer visão de estratégia e aumentando o seu nível de perda de uma forma muito acentuada.
A escolha de Pedro Nuno Santos foi, para qualquer pessoa com um mínimo de bom senso, uma aposta no erro, na desfocalização da maioria do eleitorado que lhes tinha dado a maioria e a criação de um pseudo projecto de radicalização ideológica que foi brutalmente penalizado pelo eleitorado e que resultou na passagem do partido socialista para terceira força política no nosso país.
Em face desta clara advertência eleitoral, o Partido Socialista parecia ter compreendido a lição e retomou a sua linha mais moderada – assumindo inclusivamente uma postura de humildade pública a que não estávamos habituados – elegendo José Luís Carneiro como seu secretário geral e dando assim uma nova esperança ao seu próprio eleitorado de que poderiam voltar um dia a melhorar a sua posição na política nacional.
Toda a retórica utilizada para a nomeação de José Luís Carneiro foi baseada na moderação e na perspectiva de que, para recuperar o partido haveria que aceitar permitir ao governo que governe, de forma a conquistar de novo uma estabilidade política que claramente agrada à maioria.
É claro que, ao mesmo tempo, foram sendo dados recados mais ou menos claros de que esta postura deveria ser reconhecida pelo governo de forma a tornar o partido socialista no alegado preferencial para a condução das suas políticas.
E há que reconhecer que o governo de Luís Montenegro até estava convencido de que, em face dos comportamentos menos fiáveis que o Chega tinha assumido na legislatura anterior, essa seria de alguma maneira uma inevitabilidade.
Outra coisa é acreditar que o governo estaria sempre dependente do apoio que lhe desse o Partido Socialista, tornando assim aquele partido no verdadeiro condutor da governação de Portugal.
Mas até aqui tudo é legítimo e está dentro daquilo que se espera da discussão e negociação política.
Ninguém pode criticar um partido, tenha ganho ou perdido nas eleições, de tentar marcar a sua posição e de tentar influenciar ao máximo a condução política do país.
Aquilo que já não consigo entender é, após a verificação de que perderam a primeira batalha dessa influência, num tema em que tal estava claro que ia acontecer e que foi o tema da imigração, o partido socialista retorne imediatamente a um discurso sem humildade, de dramatização absurda da realidade política, assumindo que a população, que votou numa maioria de 70% nos partidos que propunham aquilo que foi decidido agora, está a ser desconsiderada e tornando o seu discurso de novo radical, intolerante e ideológico.
Será que José Luís Carneiro afinal não é moderado, é intolerante e ideológico, ou será que são as estruturas do partido socialista que apesar de terem aceite José Luís Carneiro continuam a acreditar que seria a política de Pedro Nuno Santos que deveria continuar?
Já assistimos a uma tomada de posição muito forte contra o autarca de Loures por estar a fazer cumprir a lei.
Afinal o que quer este PS?
A mim parece-me que quer seguir o exemplo dos seus camaradas franceses que, com enorme arrogância conseguiram praticamente extinguir o socialismo na sua terra.