A direita ficou refém de uma revolução marxista com mais de 50 anos e que culturalmente nos deixou condicionados por uma democracia incompleta e, por isso, imperfeita.

Durante 40 anos, a esquerda foi assumindo a liderança do país, dos seus costumes e das suas verdades, levando os partidos, que pretendiam ser representantes dos ideais da direita, a acomodar o seu discurso e as suas acções numa atitude politicamente correcta de não confrontar as ideias, correntemente consideradas como a única verdade, defendidas pelas ideologias dessa esquerda.

Em resultado de uma frustração de quatro décadas, marcadas por um caminho de promessas não cumpridas e em que, as poucas vezes que algum representante do centro não de esquerda assumia a condução do país, teve que remediar os nefastos resultados da gestão socialista, começou a despontar uma estrutura de contestação ao sistema que se assume ser do sector radical da direita, e que assumiu para si, para além dessa contestação, os temas que deveriam ter sido sempre defendidos por aqueles que pretendiam representar a direita.

Tal foi a sensação de conforto que essa alternativa trouxe ao espaço político da democracia, ao mostrar que é possível defender os princípios e valores que caracterizam a direita, que o seu crescimento tem sido muito forte e rápido numa população que se sentiu por muito tempo abandonada.

E só não é maior e mais rápido esse crescimento porque existe uma população significativa, dessa mesma direita, que ainda tem dificuldade em se aliar com os elementos radicais que hoje dominam essa alternativa.

Por tudo isto, a direita encontra-se hoje num momento importantíssimo para definir o seu futuro e tem essencialmente dois caminhos que pode escolher.

Por um lado, pode deixar seguir a linha de crescimento de um partido mais radical, populista, que se baseia mais na contestação do que nos ideais para desenhar a sua estratégia e que, com o correr do tempo se irá normalizar junto do eleitorado, tornando-se menos radical e mais aceitável para vir a ser governo. Ou, pode a direita entender que este é o momento de voltar a criar uma alternativa credível junto ao eleitorado, que defende com coragem os ideais de direita, que renega ao politicamente correcto e que está disposta a pôr mãos à obra para conseguir (recuperar o seu eleitorado), que hoje se encontra albergado nas hostes do partido da contestação.

Eu acho que só a segunda alternativa nos poderá servir, se queremos voltar a dar crescimento e dignidade ao nosso país e aos portugueses.  Só uma direita corajosa e consciente dos princípios e valores do humanismo cristão nos poderá dar uma sociedade dirigida ao Bem Comum e ao desenvolvimento dos seus cidadãos.

Tem aqui uma oportunidade a democracia cristã.

Bom trabalho.