Cá nos encontramos, novamente, a sensivelmente um mês das eleições que ditam a composição da Assembleia da República e, por consequência, quem nos governará durante o próximo mandato, pairando entre os portugueses a incerteza sobre quem resultará vitorioso.
Apesar da panóplia de hipóteses que nos será disponibilizada em boletim a 18 de maio, sabemos que será pouco provável termos como chefe de governo alguns líderes partidários bem conhecidos do nosso quotidiano, nomeadamente: Rui Tavares, Mariana Mortágua, Inês Sousa Real, Rui Rocha ou Paulo Raimundo. Sobrando-nos assim para as contas dos potenciais vencedores Luís Montenegro, P. Nuno Santos e André Ventura.
Sucede que um dos três terá de vencer, impondo-se assim a questão sobre como cada cenário afetará o futuro dos portugueses nos próximos meses.
Vitória do PSD.
A estratégia de Luís Montenegro era muito simples, passando simplesmente por replicar o que havia feito António Costa. Ou seja, conciliar eleições com um mau momento da oposição – entenda-se Partido Socialista – para que se mostre possível consolidar a governação de forma facilitada.
Acontece que Montenegro não é Costa, encontrando-se desta forma bem distante da maioria absoluta que o último logrou, restando-lhe aspirar uma curta vitória que confirme o quão mal e sem soluções se encontram os remanescentes partidos.
Não bastante, a vitória social democrata prova que qualquer futuro governante pode, entre as mais que legitimas sociedades comerciais, deixar de prestar esclarecimentos ao povo e provocar um ato eleitoral que, não só se verifica dispendioso para os cofres da nação, como também implica o atraso do planeamento e desenvolvimento nacional.
Vitória do PS.
Pedro Nuno Santos talvez seja – a par de António José Seguro – o líder socialista mais apático do qual tenho memória. Independentemente da vasta experiência política do proponente a Primeiro-Ministro, parece que este ainda não entendeu que para a campanha ser triunfante, a estratégia tem de passar pela introspeção e mudança ao invés de insistir no comportamento pouco combativo perante o PSD.
O ex-Ministro das Infraestruturas e da Habitação, que também foi Secretário de Estados dos Assuntos Parlamentares, Secretário-Geral da Juventude Socialista e deputado em já 5 legislaturas, apresentou-se há pouco mais de um ano com a imagem de fazedor e certo é que, volvido este tempo, pouco ou nada fez, estando a conjuntura de ruína e instabilidade interna a ser projetada para a atuação e os resultados do visado.
Como se tal não fosse bastante, qual será o resultado de um escrutínio atento à atividade empresarial de Pedro Nuno Santos e respetiva família? Não colocando em causa a legalidade da mencionada, será sempre em moldes muito próximos aos de Montenegro, e o país tornará a eleições graças a isso.
Vitória do CHEGA.
Existe quem faça um enorme sigilo sobre o voto, nunca assim fui. Já votei em diversos partidos e espero continuar a fazê-lo, alternadamente. Acredito que muito mal estarei se, quando tiver 50 anos votar no mesmo partido de quando tinha 18, sem nunca ter experimentado outras ideias, contextos e fases.
Posto isto, nunca votei no CHEGA e não vou fazê-lo desta vez. Contundo, já depositei a minha confiança quer em PS, quer em PSD, o que não farei nesta oportunidade de 2025. Verifico-me completamente descrente desta base bipartidária que vem minando e atrasando o país.
No entanto e em sentido inverso, sem embargo de todas as polémicas que nos últimos meses envolveram o partido de André Ventura, não me apercebo de qualquer desmobilização por parte dos respetivos apoiantes, demonstrando-se cada vez mais acérrimos e engrenados pela clara debilidade dos adversários.
Depois dos tangentes resultados do anterior ato eleitoral, o maior desafio que detém Ventura não passa por vencer PSD ou PS, mas sim por conseguir manter a grande fação que representa depois de vitorioso, sendo assim previsível que o CHEGA só deixe de crescer após ser concedida a Ventura a oportunidade de governar e provar que é bem pior do que quem por lá tem andado.
Em suma, e para prejuízo dos portugueses, a não ser que exista uma vitória esmagadora de qualquer um dos dois do costume (PSD e PS) ou uma vitória do CHEGA (que obrigue a um pacífico governo de bloco central entre PSD e PS), tudo o que for tangencial provocará a ocorrência praticamente imediata de novas eleições.