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Apesar dos apoios significativos dos governos terem mitigado os efeitos mais nefastos da pandemia, passado um pouco mais de um ano, os efeitos negativos sobre o emprego e a pobreza não foram totalmente evitados. A Eurostat estimou que na Europa a probabilidade de estar em layoff ou ser despedido em 2020 era superior a 20% para os trabalhadores com rendimentos mais baixos e 15% para trabalhadores com rendimentos mais elevados. O risco de pobreza também aumentou, mas de forma heterogénea entre os diferentes países da UE, com efeitos mais significativos em alguns países de Leste, nos países do Sul (incluindo Portugal) e na Áustria e Suécia. Os mais jovens também foram mais afetados por esta crise. Entre o final de 2019 e o primeiro trimestre de 2021, o emprego entre os jovens até aos 24 anos desceu 3,4%, perto do dobro dos indivíduos com mais de 40 anos.

Uma parte destes efeitos será revertida à medida que a vacinação progride e se aprende também a viver melhor com uma doença que se tornou endémica. Mas outra poderá ter um impacto a médio e longo prazo. Desde logo, porque a redução do emprego entre os mais jovens ou o atraso na entrada no mercado de trabalho tem um efeito na sua formação profissional, o que afeta também os seus rendimentos e a capacidade de poupança no futuro.

Mas os efeitos serão mais difíceis e duradouros para as pessoas com menores rendimentos e menor formação porque a pandemia acelerou tendências anteriores que reduzem a sua capacidade de recuperar rendimentos num futuro pós-crise. O emprego nas tecnologias de informação teve uma aceleração meteórica nos últimos cinco anos (cresceu 25% na UE e 45% em Portugal), sendo que sensivelmente um terço desse crescimento aconteceu no último ano. A transformação energética contribuiu também para uma subida significativa do emprego no setor da eletricidade e do gás (11% e 29% na UE e em Portugal, respetivamente). Para além do mais, a pandemia apoiou a recuperação em alguns setores, por exemplo, o setor financeiro e de seguros aumentou o emprego desde o final de 2019, depois de vários anos de quedas, suportado nas fintechs, que apostam na transformação tecnológica do setor financeiro, seguros e de pagamentos.

Setores como o retalho, a restauração e o alojamento, que absorvem empregos de menores qualificações, já começaram a recuperar da crise. Mas o que parece certo é que a pandemia será responsável por uma das mais rápidas recomposições do emprego mundial, no sentido em que exige mais e melhores qualificações. As próprias medidas de apoio de emergência nos países avançados focaram também nos setores verde e digital. Mas para serem verdadeiramente inclusivas, têm de assegurar a formação que permita aos trabalhadores fazerem face a essa maior exigência.   

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