Ouvi recentemente líderes do BE e do PCP dizerem que a Europa quer a guerra e não a paz e que não é necessário mais dinheiro para a Defesa Europeia. Estas afirmações são absolutamente falsas e intelectualmente desonestas.
A União Europeia foi construída sobre valores fundamentais como a dignidade humana, a liberdade, a democracia, a igualdade, o Estado de direito e o respeito pelos direitos humanos. Estes princípios foram essenciais para transformar um continente marcado por guerras e destruição num espaço de cooperação e prosperidade.
Além disso, o comércio livre e a integração económica sempre foram vistos como ferramentas para garantir a paz, promovendo o desenvolvimento e o bem-estar dos cidadãos europeus. Os quatro pilares do mercado único (que tão atacados têm sido nestes últimos tempos) – a livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas – fortalecem os laços entre os Estados-membros, criando interdependências que tornam a guerra entre eles impensável.
Dizer que a Europa deseja a guerra é injusto e desonesto; pelo contrário, a Europa procura agora fortalecer as suas capacidades militares como forma de dissuasão e defesa contra possíveis agressões de estados autoritários.
As lições foram aprendidas da maneira mais difícil; após as grandes guerras, o continente europeu pautou-se pela paz, defendendo o comércio livre e a democracia liberal como pilares fundamentais da sua estabilidade. A cooperação e a colaboração entre os países europeus sempre foram baseadas em princípios e valores que promovem o diálogo e o entendimento mútuo, evitando conflitos sempre que possível. Os compromissos com o estado de direito e os direitos humanos reforçam a ideia de que os exércitos europeus não se destinam a conquistas, mas sim à preservação da segurança e da liberdade de seus cidadãos.
Ao contrário de ditadores imperialistas com estratégias militares ofensivas, a União Europeia e seus Estados-membros nunca tiveram como objetivo a agressão, mas sim a preservação da paz e da segurança, numa ordem internacional baseada em regras em não em esferas de influência.
O necessário reforço da sua capacidade militar deve ser visto como uma necessidade diante dos desafios globais e das ameaças externas, garantindo a proteção dos europeus e a defesa dos valores democráticos que sustentam a sua identidade. Num mundo onde a instabilidade geopolítica cresce, a UE precisa de uma defesa sólida, apoiada na NATO, para proteger as suas liberdades e evitar que conflitos externos comprometam a segurança do continente, dos seus estados e dos seus cidadãos.
Além disso, o modelo europeu de integração não se baseia na força militar, mas sim no fortalecimento das relações comerciais e políticas. A livre circulação de bens e serviços permite um mercado sólido e inovador, enquanto a mobilidade de capitais e pessoas facilita o investimento e o intercâmbio de conhecimentos e cultura. Estes elementos reforçam a interdependência entre os Estados-membros e parceiros estratégicos, garantindo que a cooperação prevaleça sobre o conflito.
A UE nunca impôs o seu modelo pela força, pela guerra, pela violência, mas sim pela paz, demonstrando, por meio de ações reais, que a estabilidade e a prosperidade podem ser alcançadas pela colaboração, pelo comércio livre e pelo respeito pelos valores democráticos e liberais.