Chegou a altura das matrículas no ensino básico e secundário — que decorrem até 22 de julho — e com ela, um momento muito importante de reflexão, de decisão e de alguma ansiedade para uma boa parte dos pais e encarregados de educação. Há alunos a mudar de ciclo e de escola, outros só de escola – entre públicas, entre privadas e entre públicas e privadas – e outros só de ciclo. Em qualquer dos casos, a mudança é um risco percebido pelas famílias, mas que pode ser mitigado pelo recurso à melhor informação que os rankings nos dão, a nível nacional. Longe do ruído mediático que os acompanha quando são divulgados, estes dados disponíveis à distância de um clique, se bem usados, podem ser uma bússola fiável para melhor escolher o estabelecimento de ensino.
Quando analisamos os rankings de 2024, publicados em abril, conseguimos identificar boas notícias, que creio que devem ser uma base de informação relevante para a reflexão, discussão e tomada das decisões familiares importantes nas próximas semanas. Os rankings evoluíram muito e para melhor desde que foram lançados – os de 2024 apresentam um conjunto de informação que permite uma análise mais completa e justa das escolas face ao modelo dos primeiros anos. Em particular, o chamado ranking da superação, que avalia a diferença entre as notas dos exames e o valor esperado em cada escola, introduz uma nova e mais profunda dimensão de análise, que é o valor acrescentado de cada escola. A medida da superação esbate também as diferenças injustas entre escolas privadas e públicas, que pode ajudar a muitas decisões de migração entre público e privado e vice-versa.
Na análise do ranking da superação verifica-se uma realidade muito distinta da percepção instalada: em cerca de 600 escolas, há perto de 300 que estão acima do valor esperado, ou seja, criam valor face à sua população discente, havendo uma boa distribuição entre públicas e privadas. No top 20, 14 escolas são públicas e apenas 6 são privadas. No top 5, temos 3 escolas públicas e 2 privadas. Parece-me que este tipo de instrumento, que desoculta informação e que aponta para o real valor acrescentado das escolas, permite às famílias terem a oportunidade de fazer uma reflexão mais adequada e atempada para a tomada de decisão. Para isso, basta considerar um grupo restrito de escolas da proximidade da residência dos alunos ou do trabalho dos pais para fazer uma análise comparativa de desempenhos.
Outro destaque nos rankings vai para a identificação de escolas com boas práticas pedagógicas a seguir. Em abril ficámos a conhecer melhor as escolas de Oliveira de Azeméis, de Nelas, de Vouzela e tantas outras, que merecem ser destacadas e cujas boas práticas devem ser disseminadas. Esta é também uma boa forma de ajudar à decisão da escolha de estabelecimento de ensino, reduzindo a percepção de risco.
Os rankings têm ainda uma grande margem a melhorar e devem passar a incluir a de ponderação de mais critérios, como o background familiar (habilitações literárias, emprego e rendimentos dos pais), o corpo docente (estabilidade, idade, assiduidade), a dimensão das escolas (número de alunos em exame, número de alunos por turma), a expressão numérica e origem dos alunos imigrantes, a ação social escolar e os apoios extraescola – sobretudo explicações, entre outros. Acredito que as famílias de todo o país ficarão a ganhar muito se consultarem os rankings neste período de matrículas. Sugeriria até que sejam as escolas, os serviços educativos das autarquias e outras organizações que trabalham na área da Educação, a promover a utilização desta ferramenta que está disponível para as famílias à distância de uma simples pesquisa na internet. Já com cerca de 20 anos de existência, os rankings são hoje um sistema mais justo e inclusivo de transparência do sistema escolar e de escrutínio dos cidadãos, uma ferramenta útil que deveria sair da gaveta ao longo das próximas semanas.