Cara Ana Paula, não me leve a mal, teria gosto de a receber por cá, mostrar-lhe a cidade, até lhe disponibilizo estadia se julgar pertinente explorar os belos territórios que se estendem pelos nossos 14 concelhos, mas se usa do nome do nosso distrito para fazer política e ser eleita, por mim não passará. Vá, por favor, para a sua terra!
Não se desencadeou em mim qualquer sentimento positivo quando me deparei – na pretérita quarta-feira – com a notícia de que Ana Paula Martins, atual Ministra da Saúde, seria cabeça de lista do Partido Social Democrata, por Vila Real.
A expressão usada em título não é a mais feliz, nem tão pouco me orgulha. No contexto político nacional, remete-nos para o Chega, do qual não simpatizante ideológico nem apoiante da postura. Contudo, por mais tímido que me sinto no respetivo uso, são os partidos da alternância governativa – entenda-se PS e PSD – que se devem sentir envergonhados pela forma desprestigiante como vêm tratando o distrito de Vila Real.
Já na preparação das legislativas de 10 de março 2024, o Partido Socialista tentou, certamente por intermédio de Pedro Nuno Santos, brindar Vila Real e as suas gentes com a imposição de Álvaro Beleza, Sr. que depressa foi despachado para a sua terra. O resultado? O Partido Socialista teve de comparar o primeiro lugar nas intenções de votos e os 3 mandatos atribuídos em 2022, com o forçosamente conseguido segundo lugar e atribuição de menos um mandato depois deste circo.
Os analistas podem aferir que tal foi fruto do desenvolvimento político do país, o que se percebe e fundamenta, no entanto, existiu logo quem descartasse votar num partido impositor de paraquedistas como opções de representação, tal como fiz.
Pouco mais de um ano volvido desta desconsideração pelos Vila-Realenses, há época amplamente crítica pelo Partido Social Democrata, foi este que acho conveniente ocupar os lugares de representação do distrito de Vila Real por alguém que não conhece a cidade, os transmontanos e, porventura, talvez nunca tenha vindo à capital transmontana sem ser em propaganda ou campanha política.
Seria um cenário igualmente revoltante, mas percetível, se o PSD não dispusesse de quadros para o efeito. Porém, somente na curta legislatura findada deteve três representantes parlamentares pelo distrito, detém quadros Vila-Realenses nos seus ministérios e ainda pode usar – como anteriormente fez – de soluções internas, tal como se julgava que iria suceder.
Em janeiro de 2024, escrevia neste mesmo jornal sobre as desigualdades entre os dois tipos de território existentes do interior, separando o interior provinciano que muito me lisonjeia do “interior de bandeira e propaganda política, das inaugurações e das potencialidades glorificadas em discursos partidários”.
Em pouco tempo aprendi que para o poder central e os senhores da capital, somos todos um interior provinciano, atrasado, retrógrado e sem gente capaz, é esta a mensagem que nos tem transmitido Partido Socialista e Partido Social Democrata.
Como do lado de cá do Marão ainda existe quem saiba que em maio votaremos para eleger deputados e não o Primeiro-Ministro – ao contrário do que vulgarmente se julga – espero que os meus conterrâneos tenham a plena consciência que um voto no PSD não é um voto em Montenegro, mas sim um voto na Ministra da Saúde e um voto numa representante por Vila Real, que somente pretende ser eleita, sendo-lhe indiferente se tal é por Vila Real, por Portalegre ou por Castelo Branco.