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Temos connosco a Ana Pimentel, a editora de tecnologia e startups do Observador. Olá, Ana.
Olá, Ana.
Olá, Ana Filipa. Olá, Ricardo.
Bem-vinda. Deixa-nos fazer aqui uma pergunta. A app da vizinha é melhor do que a minha?
Tem dias, hoje não, decididamente não é.
Ora bem, hoje vamos falar de três aplicações para ficar offline, porque no fundo, Ana, nós andamos todos mais ou menos dependentes deste ecrã que anda sempre connosco, não andamos?
Sim, Ana Filipa, andamos um bocadinho, a verdade é essa. Acho que em menor ou maior grau, estamos todos muito dependentes daquilo que se passa no nosso telefone. Seja porque queremos ver como é que está o tempo, seja porque queremos saber quanto tempo é que vamos demorar a chegar àquela reunião ou àquele almoço, ou até para ver que pontuação tem o restaurante onde queremos jantar logo, nós recorremos ao telemóvel para fazer isso tudo. Portanto sim, acho que estamos.
Isto é quase um vício, Ana Pimentel?
Acho que é exagerado dizer que estamos todos viciados. Se bem que sim, pode ser um vício, mas nesta fase acho que não. Acho que a nossa relação com o telefone mudou radicalmente com a introdução dos smartphones e com o iPhone há cerca de 10 anos. É uma relação que tem de ser gerida, como é óbvio, com alguns limites, e se conseguirmos impor esses limites a nós próprios, é uma relação saudável. Portanto, acho que sim, acho que é possível termos uma relação saudável com o telemóvel.
Não deixa de ser irónico quando falaste deste tema para hoje, para este arranque da nossa relação, para essas conversas da nossa relação com a tecnologia, que nos tragas aplicações que nos ajudam a largar a tecnologia.
É verdade, foi de propósito, porque no fundo, o estar offline tornou-se um pouco o luxo dos nossos tempos modernos. E é uma tendência até nas empresas tecnológicas, na Silicon Valley, entre os grandes executivos, que optam eles próprios por estar em retiros e fazer detox tecnológicos, mas também por incutir uma educação às crianças um pouco por essa vida. Portanto, sim, Ricardo, é um bocadinho irónico, mas é possível.
É uma provocação, no fundo.
É uma provocação.
Ana, dá-nos exemplos.
Olha, tenho aqui vários exemplos para dar. Vou começar com um que já vem até instalado.
Deixa-me tomar nota.
Vamos lá.
Sim, força, é agora, é esta hora. Vou começar com um que já vem por defeito nos iPhone e em alguns Android. É uma coisa muito simples. Nós podemos chamar aqui uma app interna, mas na verdade, são as definições do próprio iPhone e dos Android. Nas definições chama-se tempo de ecrã ou equilíbrio digital. Os termos podem diferir um bocadinho consoante o sistema operativo, mas o que é que isto permite? Isto permite que nós consigamos selecionar tipos de apps, como redes sociais, e impor limites. Ao ativarmos esses limites, vamos imaginar que eu não quero estar mais do que 15 minutos por dia no WhatsApp, ou no Instagram ou no Facebook. Eu ativo este limite de 15 minutos e assim que ultrapassar esse limite, as apps ficam bloqueadas, ficam tipo invisíveis, meio escurecidas e nós não conseguimos utilizar.
E não temos acesso a elas?
Não temos acesso a elas. Se quisermos, se aquela vontade for tão forte, nós podemos reativar este modo.
No final de contas, o telefone é nosso, não é?
É final, pois, exato.
Exato, mas se estabelecermos aquele limite, não há problema. Elas vão-se bloquear e portanto, se formos pessoas cumpridoras e disciplinadas, atingiu o limite só no dia a seguir.
E se tudo isto não for suficiente?
Há outra app que eu também achei muito engraçada que é a Flipd. E a Flipd tem uma espécie de mindful moment, que tem vários objetivos, por exemplo, para estudar, para estar focado, a trabalhar, seja o que for, onde nós podemos definir o tempo. E até podíamos pôr uma musiquinha ambiente. E o que é que isto faz? É uma espécie de barreira em que as notificações que nós por acaso pudéssemos estar a receber, não recebemos. Portanto, se nos tagarearem publicações do Facebook, mandarem mensagens pelo WhatsApp, se tiverem push notification dos jornais, nós não recebemos. Se nos ligarem, aí sim, a chamada vai tocar. Isto não desliga o telefone. Põe-nos offline. No fundo, esta app põe-nos offline.
E vão duas. Qual é a terceira?
A terceira é uma app que eu achei muito querida que é a Forest. Lembram-se do Tamagotchi?
Oh, então!
O que isto faz é uma espécie de Tamagotchi, mas neste caso em vez de estarmos a tratar de um animal, tratamos de uma planta e até podemos criar uma espécie de floresta virtual. Quanto mais tempo nós estivermos desligados do telemóvel, mais a nossa planta cresce. E isto é bom porque se nós interrompermos o tempo que definimos para aquele momento, a planta morre. E o truque desta app é que isto não bloqueia notificação nenhuma, nós conseguimos continuar a ver aquilo que nos estão a dizer.
Não podemos é abrir.
Exato, passa a ser por nós aquele controle, aquele resistir à tentação de não carregar nas apps.
Mas a planta lá vai crescendo.
Ricardo, estás-te a rir?
Estou a rir, estou a pensar tratar aqui deste bonsai digital.
Muito bom. Ana, mas quando é que este vício no telemóvel se torna preocupante?
Sim, porque se pode tornar preocupante. Ou seja, é quando entramos aqui numa ansiedade extrema, com sensações de pânico, porque nos esquecemos do telemóvel em casa, porque ficamos sem bateria ou porque ficamos sem rede ou porque o wi-fi não está a dar. Isto sim, já é preocupante. E para isto há um nome, é uma fobia, chama-se nomofobia, "nomo" vem de no mobile, que é mesmo quando o medo que nós sentimos de ficar desconectados é tanto que nos deixa doentes. Isto sim, é preocupante.
E isso afeta muita gente. Antes de ires offline, Ana Pimentel, ainda nos querias deixar aqui mais um recado, não era?
Sim, tenho aqui um recado para os nossos ouvintes, que é: se tiverem dúvidas sobre esta nossa vida digital, ou se tiverem sugestões de temas para falar neste grande bairro que é a nossa internet, enviem e-mail para tecnologia@observador.pt, que eu vou tentar descobrir todas as vossas dúvidas.
E amanhã é dia de newsletter também?
É, sim. Amanhã todas as novidades sobre startups e tecnologias chegam-se por e-mail, ali mais ou menos à mesma hora. Já sabem, já é assim há três anos e assim vai continuar.
Eu estava com a esperança que tu revelasses o grande segredo, que é aquele que eu procuro já há algum tempo, para o qual não há ainda cura, que é como sair de um grupo de WhatsApp sem que ninguém dê por isso.
Vai pensando nisso, Ana Pimentel. Vamos ter respostas.
Challenge accepted.
Ana Pimentel, esse é o teu desafio.
Está, vai ser cumprido. Garanto.
App da Vizinha, todas as segundas-feiras com a Ana Pimentel.
Obrigado.
Obrigada.