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Gabriel Alves, muito boa noite. Bem-vindo à Rádio Observador. Foi um jogo emotivo em Braga, muito diferente do que vimos, por exemplo, ao final da tarde entre o Alverca e o Sporting. Houve muito mais luta aqui na Pedreira, duas equipes também com mais qualidade, mais próximas na tabela. Mas esta vitória, e já vários comentadores o dizem, coloca o Porto numa situação muito favorável para a conquista do campeonato?

É verdade que é uma excelente vitória num terreno, num estádio e face a uma equipa que não é qualquer, não é uma equipa fácil. Eu começo precisamente por aí, pelas declarações do Horta. Gostei muito. É muito objetivo, muito sereno, muito concreto, conhecedor e falou daquilo que é a maturidade. E de facto este Braga, com o novo treinador, me parece que os bracarenses ainda não perceberam que ele está fazendo um trabalho de base. Eu falei nisso na apresentação do jogo. Não se pode estar sempre à espera dum treinador e mais um treinador que consiga fazer coisas que obviamente têm o seu tempo e o seu trabalho. E ele está a construir aqui uma equipe. Deem algum tempo ao técnico. Mas a verdade é que a equipa tem que ter tal maturidade que falava o Horta, isso nota-se que lhe escapa. O saber segurar um jogo, a questão da solidez competitiva. De fato, a equipo do Braga sendo uma formação de réplica, com qualidade, com bons jogadores, precisa de ter crescimento. É um jogo de detalhes. Há um detalhe que é um pênalti. Eu não vou entrar na análise do pênalti, vou deixar isso para o Pedro Henriques, embora tenha a minha opinião, mas deixo a parte técnica para o nosso áudio árbitro, que o fará certamente com toda a sua competência e com todo o seu saber e pormenor e detalhe que obviamente não deixará, como se costuma dizer em bom português, nada cair em saco roto, portanto, será minucioso na análise. Mas um pênalti num detalhe acaba por abrir um jogo. Um jogo que estava competitivo, estava muito tático, estava muito compacto, estava muito medido, em que ambas as equipos tinham um esforço para chegar à área adversária, ao último terço, mas depois faltava-lhes nos últimos 25 metros circulação de bola capaz, último passe capaz, demarcações capazes e mordedores capazes. Eu diria que o Samu está a fazer, de fato, muita falta naquilo que diz respeito ao Futebol Clube do Porto. Samu foi um jogador telhado pra um determinado tipo de jogo. Ele saiu e não há, obviamente, quem o substitua, porque Denis Gould não é um jogador. É verdade que as bolas têm que lhe chegar para poder ser matador, mas ele tem que ter outro tipo de movimentos que não tem, para que haja outros jogadores que possam surgir na cara do gol. Depois Fofana é bocadinho mais mexido, mais dinâmico, mais agressivo e hoje teve lance fantástico, um passe de bola para Fofana que é, de fato, um passe maravilhoso. Mas o principal detalhe aqui é Farioli, porque sabe mexer e mexe muito bem e atempadamente naquilo que era necessário. Portanto, se o pênalti convertido, e muito bem convertido pelo Salazar, grande conversão sob o ponto de vista técnico, abre o jogo, dá outro cariz ao jogo, dá outra dimensão ao jogo. A verdade é que as substituições operadas por Farioli são mestres. E há um jogador aqui que é, para mim, o jogador do desafio, que é o Fofana. Fofane é que mexeu, revolucionou todo o jogo, com toda a sua capacidade. E é verdade que podemos dizer, é o homem do jogo, porque se o futebol praticado é um futebol de índice físico, se é um futebol força, se é um futebol geométrico, se é um futebol onde a parte atlética tem a sua influência total. Ora bem, Fofana chegou e a sua técnica da força é sobrenatural. E Fofana não só é o gol que marca, mas tudo que influi nos movimentos da partida. E isso trouxe ao FC Porto a vitória. E inclusivamente aquela falta de maturidade que não há no Braga, não saber segurar, porque dois a um é uma pequena vantagem e o Braga tentou forçar a defesa contrária para poder chegar pelo menos à igualdade. A verdade é que o FC Porto soube gerir muito bem e uma vez mais Fofana esteve no centro dessa gestão.

Fica pra ele a técnica da força.

Para mim fica ele a técnica da força e para mim é o homem do jogo. Nada contra a questão do Frolt.

Que foi eleito pela transmissão televisiva. Já o herói do público nas votações foi Piotssevski. Curiosidade.

Até porque ele está no primeiro gol. É, de fato, um lance fantástico, mas aquilo que para mim mexeu em termos globais, em termos de equipe, é a entrada do Fofana, muito bem acompanhado, atenção, do Mofi e do autor do primeiro gol. Mexe muito bem Forioli na equipe do FC Porto.

A entrada dele é como se parasse o PP para dar lugar aos...

Tanto que ele foi pro banco e via-se na face do pessoa futbolista que não estava muito bem consigo próprio. Exatamente, muito bem com eu próprio. Não tava chateado, era com ele próprio. Ele percebeu. Há dias assim, há dias que não te saem, a todos nós, em todas as profissões, em todas as dimensões. Portanto, é um jogo muito forte em termos de emoção, é um jogo campeonato e faça duas boas equipes, uma que é líder do Campeonato e candidata ao título, outra que é uma excelente équipe, que é a equipe do Braga Que a deixem trabalhar, que a deixam crescer porque este Braga pode vir a ser não só uma promessa mas ainda mais do que aquela promessa que vem sendo há anos. É preciso é que os jogadores continuem e que não seja só o rendimento financeiro.

E que o presidente também dê esse tempo.

Exatamente,não seja só o rendimento financeiro, porque para haver bom rendimento financeiro neste negócio que é o futebol, é o rendimento desportivo.

Há pouco falavas da força de Fofana na marcação do penalty muito bem marcado. E sempre durante o jogo também um dos mais influentes numa manobra do Braga.

É um futbolista de muita qualidade e eu queria dar uma nota também ao João Moutinho. O João Moutinho tem 39 anos.

Já saiu tarde no jogo.

Sim já saiu tarde, as pessoas talvez não saibam, a não ser aquelas que estão muito próximas e se interessam por muito mais perto: 146 internacionalizações. João Moutinho é dos jogadores mais fortes naquilo que é o futebol português. Merece todo o respeito e qualquer vénia, porque é um futbolista inclusivamente dentro de campo, um senhor do futebol. Corretíssimo. Obviamente aquilo que ele diz aos seus companheiros enquanto joga nós não estamos lá a ouvir certamente que é muito importante em termos de ordem tática posicionamento postura dos seus colegas e tudo aquilo que é o movimento e a dinâmica da equipa saber ocupa lugar.

Ele tem-no muito apesar dos 39 anos continua a ser uma influência muito grande na equipa do Braga.

Não vou focar a questão do árbitro, tecnicamente quem vai muito bem com todo o seu conhecimento toda a sua capacidade técnica e saber é o nosso áudio árbitro. Mas eu normalmente faço 300 jogos por ano obviamente vejo praticamente 300 arbitragens por ano tenho visto bons menos bons muito bons. Tenho visto árbitros que são bons fazer boas arbitragens tenho visto árbitros bons que não têm os tais dias como os jogadores não conseguem converter os seus golos os defesas cometem as suas gaves os guarda-redes têm os seus sorangues portanto isso é importante que seja sempre tido Porque somos humanos e obviamente não é por teres uma má situação que és mau árbitro ou profissional Não é isto que está em causa Há coisas que me parecem erradas Este árbitro nomeado para este jogo Por muito currículo que tenha Para mim Tem falta de classe

Muito bem Gabriel Alves Com A Força da Técnica disponível Já de seguida Também em formato podcast No site do Observador Até à próxima emissão especial De Desporto aqui na Rádio Observador Um abraço Gabriel

Um abraço observadores! Há campeonato até ao fim É bom que o futebol português Tenha campeonato Que tenha esta emoção Que atraia Mas é na relva Nos 90 minutos de jogo Quanto ao resto É bom que estejam atentos Nós temos equipas Nas quartas final Da Europa Algo que já não acontecia Há muito tempo E que é raro acontecer É preciso tirar partido disso É preciso trabalhar Para que não seja por acaso

Um abraço Gabriel Obrigado