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Que grande dia de Euro 2020. Mais um dos oitavos de final com dois grandes jogos, dois 3 x 3. Tivemos um duplo 3 x 3 nesta noite e para analisar esses dois jogos, primeiro o Croácia-Espanha e depois este Suíça-França, com a queda do campeão do mundo, temos conosco o Gabriel Alves, como sempre. Bem-vindo, Gabriel. Boa noite.

Boa noite. Bomba! Isto é uma bomba.

É uma bomba que explode aqui.

Que aconteceu no Campeonato Europeu.

É uma bomba que explode.

O resto é um grande dia de futebol.

Grande dia, com muita qualidade.

Em todos os aspectos. É um grande dia pela qualidade, pela emoção, pela imprevisibilidade e porque os favoritos vão bem. Vamos lá ver. Isso é só no computador.

Exatamente. E Gabriel, desta vez temos apenas 10 minutos para analisar os dois jogos. Deixo já aqui o disclaimer. Vamos então à França.

Vamos começar com a França. Mbappé falhou este pênalti. Ponto. Bateu mal. Ponto e parágrafo. Mbappé, a estrela, ainda não havia marcado, nem marcou, nem assistiu. Portanto, Mbappé passa este Campeonato da Europa como a grande vedeta, a grande estrela, mas negativo.

E sem gols.

E sem gols, foi o que eu comecei por dizer.

Exatamente.

Portanto, Mbappé, a grande estrela, negativo. O seu mercado está a descer. Não quer dizer que não seja um grande jogador, isso não está em causa. O que está em causa é que na linha de mercado, e isto que eu estou a dizer, já está nas grandes manchetes, já está nos mercados, os mercados estão atentos. Estão a bater no computador. França cheia de lesões e cheia de contratempos, com diversos jogadores fisicamente, uma equipa, e hoje também o demonstrou, uma equipa desgastada. Vários jogadores fisicamente tocados, inclusivamente Dembélé, que já havia dito "au revoir". Deschamps hoje teve que alterar o sistema. Entra com três centrais e a verdade é que não funcionou. Não funcionou, dado que, obviamente, a equipe nunca se conseguiu articular, não tinha e nem tem os chamados automatismos devidamente concretizados, as rotinas não estavam devidamente tratadas e a Suíça acabou por tirar partido dessa situação, com um bloco muito bem construído através de um 4-4-2 bem definido. Marcou aos 15 minutos com um grande gol de Ševčičenkô. Há que referir um grande gol de cabeça, um grande passe muito bom do jogador que lhe fez o último passe. É um passe de grande qualidade de Zuber e Ševčičenkô respondeu da melhor forma com um cabeceamento maravilhoso. Isto é em técnica. Isto face a uma França, três centrais a viver dificilmente o tal esquema. E foi todo um jogo muito lento depois da primeira parte, sem que a França conseguisse a largura da equipe suíça, muito larga a jogar bem, a trocar bem, com mutações de flanco, controlando o jogo. A França não mostrou nem profundidade, nem rupturas, nem velocidade, nem fantasia e o seu próprio sistema não funcionou. Portanto, vantagem dos suíços na primeira parte, com Mbappé policiado nos espaços e com esses mesmos espaços devidamente controlados, quer à esquerda, quer à direita. De resto, pra Mbappé, fica aqui mais uma nota: o futebol é velocidade, a velocidade é importante e essa é uma das principais vertentes dele, eu diria, qualidade, mas o futebol não é atletismo, não é corrida aos 100 metros. Mbappé vai ter que aprender e vai aprender. Vai aprender porque certamente vai querer e querer ser, de fato, grande jogador. Ele é muito miúdo, muito jovem e os treinadores, naturalmente, não deixarão de ensinar. A verdade é que na segunda parte a França retificou tudo, portanto Deschamps fez bem, viu, sabe ver. Voltou a defesa a quatro, Sane inglês e Rabiot a lateral esquerdo. Portanto, num 4-4-2, encontrou-se, reencontrou-se, mas a verdade é que é um pênalti de VAR. E aí Rodriguez não teve a capacidade de marcar esse gol. Mesmo assim, a Suíça foi mais perigosa. A França não estava completamente bem. E o fato é que Rodriguez, não tendo maturidade suficiente emocional, aquilo foi muito importante pra ele, permitiu, esse sim, ofereceu a bola ao guarda-redes francês.

E passamos de um possível 2 x 0 para um 3 x 2.

2 x 2, porque se perdeu perfeitamente, a equipe perdeu-se completamente. A equipe da Suíça e a França aí, sim. Funcionou muito bem através dos movimentos de Pogba, grande exibição, melhor homem em campo, e os três avançados com Griezmann a pautar e Benzema a marcar. O primeiro gol de Benzema, uma recepção fabulosa, difícil, e depois um bico. Um bico muito bom, muito suave, tudo ele parecia um vôlei. E depois o segundo, de cabeça. E Pogba faz um golaço aos 74 minutos, 3 x 1, parecia que estava tudo. Nunca se diga em futebol que está tudo pronto. Esqueçam. O futebol só acaba, aliás, não é só o futebol, é o basquete, todas as grandes competições só terminam quando o árbitro apita. E a Suíça aí, de fato, fez substituições, o seu treinador alterou os sistemas, o seu treinador trabalhou bem a sua equipa, principalmente ao bloco central Refrescou, soube colocar jogadores sobre as alas e, acima de tudo, no ataque, fez entrar o autor do terceiro gol suíço, já que o segundo foi de Seferović, que voltou de cabeça numa bela jogada a fazer o gol do 3 x 2 e depois ali sobre o minuto 90, naturalmente, o 3 x 3.

E Gabriel, mesmo para concluir este jogo, para avançarmos para o próximo.

Aqui Deschamps, a única simplesmente, tirou Griezmann, porque pensava que o jogo estava controlado nos 3 x 1. Resolvido. E eu não sei se terá feito bem. A partir daí, temos o prolongamento, e no prolongamento a França não conseguiu. Foi muito bom o trabalho suíço, a serenidade, alguma ansiedade por banda dos franceses, dos campeões do mundo, e aquela dupla de jogadores do meio-campo, o pivô da Suíça e o pivô da França, o pivô suíço levou a melhor. Portanto, au revoir, la France. Willkommen, Switzerland.

Au revoir aos campeões do mundo. Vamos olhar para o Croácia x Espanha muito rapidamente. Temos apenas quatro minutos para olhar para este jogo, Gabriel. Eu sei que é injusto, mas os penaltis abriram-nos isso.

Foi uma autêntica loucura este jogo. Um jogo fantástico, que começa com a Croácia. A Croácia sem um remate à baliza faz um gol. O Nai Simon faz muito destas, desta vez a bola entrou. Enfim, há um atraso de Pedri. Seja uma grande exibição. Pedri é um jogador, é craque. Ponto final.

E tão jovem ainda.

É um craque de 18 anos. Este menino é um craque. Uma passeira divertida e depois uma tentativa de recepção orientada do Nai Simon a abrir a bola para a baliza, era o gol, quando a Espanha massacrava completamente a equipe croata. E desse massacre a 1 x 0, a Espanha depois viu-se em dificuldades, mas de fato conseguiu sobrepor-se e chegar a uma vantagem e naturalmente até determinada altura controlar o jogo, mas só que os croatas não se deram por interessados. E muito bem, de um futebol de maior contenção face ao grande domínio de bola e de espaços por banda da formação espanhola, a verdade é que a equipe também mudou, também alterou o seu sistema, alterou defensivamente, mudou para três centrais, caiu em cima dos espanhóis, marca dois excelentes gols, e então vamos depois para o prolongamento. E eu quero falar de Morata. Trabalhou. É por isso que muitas vezes não se nota, só se quer do ponta de lança, a parte do morder. Não. Luiz Enrique tem lá Morata, porque Morata trabalha. Defende, assiste, incomoda, importuna, desfaz a defesa, obriga a questão de rupturas. Morata faz o quarto gol, que é o gol que desfaz a igualdade.

E um grande gol.

Um gol colossal, a forma como ele o recebe, mas isto depois de já ter corrido e assistido e ter feito uma partida. Para mim, é o melhor homem do jogo e o melhor homem do dia. Morata, um grande gol e que fique para todos aqueles que criticam Morata e principalmente os espanhóis, e de uma forma veemente e desagradável, ao ponto de Luiz Enrique dizer que as críticas já merecem a polícia, portanto, são caso de polícia. Morata, de fato, historicamente, num jogo histórico, deu a resposta. Muito bom, tudo muito bom, desde Busquets, no seu regresso, até Modrić, que é um grande jogador e que parte. Aquelas situações e jogadores de que o futebol quer que eles cheguem, a bola quer que eles a toquem. Grande Croácia x Espanha, Espanha adiante e amanhã vamos ter um clássico do futebol mundial. Alemanha e Inglaterra. Veremos o que é e eu trarei umas histórias giras sobre esses dois jogos.

Muito bem, muito rapidamente vamos então olhar para o momento força da técnica, técnica da força e para o estilo inconfundível. Vamos começar com a força da técnica em dois minutos, Gabriel. Dois minutos no total.

A força da técnica, para mim, é Morata. Há várias hoje. Seria difícil, mas eu escolho Morata. É um gol fabuloso. Tudo recepção, controle e remate. Recepção com o pé, remate com o direito, remate com o esquerdo, um ângulo já um bocado apertado. É um passe fantástico do seu companheiro de equipe que tinha entrado há poucos minutos. Eu tenho aqui os meus apontamentos, entretanto, vou pô-los aqui de lado.

Eu vou tentar ajudar. O Dani Olmo.

O Dani Olmo, exatamente. Foi um passe fantástico que o Morata não desaproveitou e fez um gol de grande classe, de grande categoria.

E a técnica da força de hoje, Gabriel, muito rápido.

Na técnica da força hoje nós temos que dizer que a Suíça é a técnica da força, e a técnica da força hoje impôs-se à força da técnica da França.

Vamos ao estilo inconfundível.

Olha, o Euro 96 em Wembley, um gol duro, quando havia gol duro, também foi pouco tempo, coroou os alemães e fez os tricampeões. Foi a quinta final da Alemanha e o seu terceiro título com o tal gol duro frente à República Tcheca que se apresentava. Um suplente trouxe o ouro do banco e deu o título. A uma vitória difícil dos alemães. Oliver Bierhoff é o seu nome, felizmente. E foi no tempo extra que esse gol foi apontado, depois dos checos terem, aos 57 minutos, feito o primeiro num pênalti inexistente, já que a falta sobre Podolski foi fora da área e o árbitro assinalou dentro, e a bola colocada na marca dos 11 metros. A entrada foi Portanto, cara, chegaram os bilhetes a £130. Histórias: o comitê organizador permitiu que Fox chamasse Ion Tott, dado só ter 12 jogadores em campo, tinha seis lesionados e as histórias interessantíssimas com os guarda-redes, com números de jogadores de campo. Mas foi tudo autorizado e puderam jogar. Mas depois há uma situação muito engraçada. Na República Checa, Smicer, dois dias antes, teve a autorização do seu treinador, Houren, de poder viajar de Londres a Praga para se casar. Momentos felizes, inéditos. Naturalmente, muito interessante. Alan Shearer foi o ponta de lança inglês que marcou cinco gols, foi o goleador do campeonato. A Alemanha chegou ao seu terceiro título. A República Checa, que agora também surpreende aqueles que não acreditavam neles naquela altura. E surpreende que também não acreditavam nela agora. Aí temos alemães e checos a marcarem a presença nos quartos de final deste torneio. São situações que os tempos desdobram e nos trazem nos novos tempos.

E pode ser que seja inspiração para amanhã para alemães. Relembro, amanhã, 17h, Inglaterra x Alemanha, às 20h, Suécia x Ucrânia. Hoje um grande dia de futebol, infelizmente, por causa dos pênaltis, mais apressado, mas Gabriel, estamos de volta amanhã.

Campeão do mundo, campeão da Europa, vice-campeão do mundo e vice-campeão do mundo.

Fora.

Estão fora.

E vamos ver se amanhã temos mais surpresas.

Do grande Campeonato da Europa que está a ser este Europeu.

É verdade, vamos ver se amanhã temos mais surpresas com esses dois jogos que vamos analisar. É mais um "Força de Técnica" e "Técnica da Força". Até amanhã.

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