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Como é bonito o futebol até ao fim e foi mesmo até ao fim que os dois jogos se resolveram, os dois jogos desta noite dos oitavos de final, principalmente este último que acaba de terminar. A Ucrânia está apurada para os quartos de final. Venceu no penúltimo minuto do prolongamento a seleção da Suécia por 2-1. São dois jogos, este e também o da Inglaterra e Alemanha, que vamos analisar. É mais um força da técnica e técnica da força e para isso se junta até nós novamente o Gabriel Alves. Boa noite, Gabriel, bem-vindo.
Boa noite.
Esse coração aguentou este final de jogo?
Sim, aguentou. Este jogo estava a tornar-se um jogo chato, porque de facto a Ucrânia não conseguia resolver uma situação, estando em superioridade numérica, dado que havia sido expulso no decorrer do prolongamento o central Danielsson da equipa sueca, e a equipa da Ucrânia não estava a tirar partido dessa superioridade, através de um futebol altamente previsível e facilmente controlado pela equipa escandinava. Até que o Dovbyk, já no prolongamento, ele que era um ponta de lança improvável para jogar, joga precisamente pelo seu companheiro ter saído gravemente magoado pelo central sueco que foi expulso e bem expulso.
O Danielsson.
Danielsson, exato, já referido. Acaba por ser ele que há um movimento muito bom, com o último passe tenso, pentiou a bola para dentro da baliza, não dando azo a que tivéssemos uma sessão de pontapés na marca de grande qualidade. Esta partida até foi uma partida divertida. Foi uma partida interessante durante a primeira parte, eu diria até bastante igual, talvez com uma Suécia em determinados momentos bastante mais ativa, mas sempre uma Ucrânia a dar uma resposta determinante e boa. Marcou até em primeiro lugar, talvez na altura em que os suecos tinham algum ascendente no jogo. Mas a Suécia acabou por igualar. Forsberg acaba por ser o jogador-chave desta equipa escandinava, com os seus quatro gols. E depois na segunda parte tivemos, eu diria, uma vitória dos suecos em bolas ao ferro.
Exato, 2-1.
2-1 e que acabou por transportar isto para um prolongamento, como digo, bastante morno, lento, sem soluções e uma Ucrânia em superioridade numérica sem conseguir resolver, portanto sem andamento, muito contacto físico, muito desgaste físico, as equipas muito cansadas, muito fatigadas, a darem nota desse déficit físico naquilo que era o seu futebol. Portanto, está apurada a Ucrânia, que se junta em termos de Leste à República Checa neste Euro 2020.
E Gabriel, vamos a-
Quero fazer uma palavrinha. Quero fazer uma palavrinha aqui a Shevchenko. Shevchenko tem 354 gols na sua carreira, em 721 jogos. Dinamo Kiev, Milan e Chelsea. Foi campeão da Europa e tem mais 18 títulos no seu palmarés. Bola de Ouro em 2004. Quarenta e oito gols em 121 jogos com a seleção maior da Ucrânia, dois deles à Suécia aqui há uns anos. Portanto, ele hoje acaba como selecionador por vencer a Suécia e qualificar a Ucrânia para os quartos de final do Campeonato da Europa. Shevchenko é uma figura do futebol na Ucrânia, mas eu acho que mais do que isso, é uma figura do futebol mundial. Ele foi um grande jogador. Um grande ponta de lança.
E já fez história de qualquer forma. A Ucrânia está pela primeira vez na história nos quartos de final do Euro.
Exatamente. Por isso é que eu trouxe a terreiro o Shevchenko numa nota especial.
Mais história. Exatamente.
Dado o seu palmarés, que é fantástico e há que dizê-lo.
E já agora por falar em-
E já agora por falar, este Andersson, que é o treinador, viu o tal Ucrânia que venceu a Suécia das bancadas em Kiev. Mas as voltas que o mundo dá. Este Andersson também foi goleador, foi também jogador de ataque. Duzentos e sete gols em 383 jogos. Mas num clube pequeno, no Halmstad BK, num modesto clube da quarta divisão sueca. Ele pegou na seleção desde 2016. Portanto, é preciso ter isto em atenção. Este Andersson é de facto um treinador interessante pela forma com que Cresceu e levou o North Coping a campeão da Liga e a uma Supertaça, depois de muitos e muitos anos, 26 anos, sem ganhar rigorosamente nada.
Exatamente.
A vida dos treinadores e a vida das seleções.
Sim, tal e qual. Estávamos a falar de história, também de recordes, fica também aqui um dado interessante, este gol marcado pelo Artem Dovbyk, o gol da vitória da Ucrânia, foi o gol mais tardio da história dos Campeonatos da Europa, marcado aos 121 minutos. Nunca tinha havido um gol a chegar tão tarde num Campeonato da Europa. O que também chegou tarde, mas a boas horas para os ingleses, foi a vitória da Inglaterra, Gabriel. Chegou ao minuto 75, primeiro por Raheem Sterling e depois ao minuto 86 por Harry Kane a confirmar essa vitória também histórica da Inglaterra. A primeira vez que a Inglaterra consegue vencer numa fase a eliminar do Europeu. Nunca tinha vencido nos jogos a eliminar, consegue aqui pela primeira vez este dado e consegue eliminar uma das favoritas, a Alemanha. Este jogo surpreendeu, esta vitória da Inglaterra?
"The football is coming home".
Novamente o slogan, não é?
Exatamente, o futebol regressou a casa. Foi um jogo muito interessante. A Inglaterra, isto tem que se dizer, quer o pódio e quer o topo do pódio. Sterling foi determinante na partida, a abrir o marcador, a abrir a lata, digamos assim. Ele marcou o seu terceiro gol e com uma jogada muito interessante. Kane mordeu, finalmente, neste Campeonato da Europa e com mestria. Um gesto técnico de cabeça fabuloso.
E difícil, não é?
Pickford foi fundamental quando a Inglaterra precisou do guarda-redes. Grealish, o artista, o grande homem.
Até se estranha quando está no banco, não é?
É verdade. E Southgate, o estratega. Foi um grande jogo este do Wembley. Houve mais Alemanha. Aí Pickford, o guarda-redes, fechou o cofre. Depois Southgate tirou o ás, o joker do bolso. Grealish. Grealish ainda não havia nascido quando Southgate falhou o penalty da marca de grande penalidade em 96, que acabou por eliminar a Inglaterra frente à Alemanha no Europeu de então.
E aqui a vingança.
Exatamente. Sterling disse: "Yes", Kane foi o matador. Foi um desafio em que ambas as equipas apareceram com três defesas, mas com metodologias diferentes, dinâmicas diferentes. Inglaterra num 3-4-3, enquanto que a Alemanha num 3-4-2-1. Muito focado o jogo pelo centro do terreno, Rice e Phillips a marcar, mais contenção por banda da equipa inglesa e maior dinâmica ofensiva dos germânicos com Kroos e Goretzka no meio-campo, principalmente Goretzka, que foi um jogador importante no andamento da equipa alemã em termos ofensivos. E apareceu com Werner como jogador mais adiantado, escolhido para a equipa inicial, para trazer aquilo que mostrou: velocidade, profundidade, surpresa junto da linha de defesa contrária. Kimmich, a certeza da qualidade, a não ser que é que Kimmich faz mal feito? Não sei, nem sei se alguém sabe, porque está à linha quando ele por dentro é bem melhor. Ünal se comandou a defesa alemã e Neuer, o guarda da fortaleza alemã. Ora bem, a Alemanha na primeira parte, mais meio e esquerda, 40%, 20% na direita. Na segunda parte dividiu mais pelas três faixas. Mas segunda parte, depois de um jogo dividido no seu cômputo, muito amarrado, muito tático, em que ambas as equipas se mediram muito bem, embora com as tais dinâmicas diversas. Eu falei em Ünal na defesa da equipa germânica, mas cai muito bem na justeza da defesa da equipa britânica. Rice e Phillips, fantásticos. Dois cartões amarelos ainda na primeira parte, mas na segunda parte perfeitamente esclarecidos e maduros a assumirem e saberem que tinham que ter muito cuidado ao nível do contacto. Portanto, uma Inglaterra e Alemanha presas. A Alemanha a deixar-se correr o jogo, melhor naquela altura em que Grealish sai, em que Southgate chama o menino das meias-caídas. Ora bem, como é que um jogador, de facto, de muita qualidade, de muito talento, um verdadeiro artista do futebol, artista aqui no bom sentido, entrou e mexeu completamente com a equipa inglesa e mexeu com a equipa alemã. Portanto, aquilo que era cómodo para os alemães, terminou com os seus movimentos, ao nível do seu passe, ao nível dos seus posicionamentos e os seus companheiros. Portanto, a equipa começou a funcionar, a ter outro tipo de movimentação, outro tipo de linhas em interpretação, outro tipo de espaço para o passe, porque ele criou essas situações. E depois temos o lance, uma perda de bola, que Sterling ganha, muito bem pela sua velocidade, é de facto muitíssimo veloz. E depois toda aquela combinação atacante com Kane. E aí está Sterling. A deixar um toque para o seu lateral, que fez uma assistência, e Sterling, que começou, já lá estava na velocidade para fazer o ato final, isto é, marcar. É um gol fantástico
E Gabriel, sobre o Jack Grealish, há aqui um dado interessante que é: ele tem pouco mais do que 100 minutos de jogo, pouco mais de um jogo no total dos minutos, e ao mesmo tempo, apesar de ter tão poucos minutos, tem duas assistências para gol neste Euro 2020. Portanto, em tão pouco tempo consegue ser o jogador inglês com mais assistências para gol. É incrível.
É qualidade, é talento, portanto, é um jogador que faz a diferença, não é um jogador qualquer. É um jogador que sabe pisar, tem leitura, executa como pensa. Isso é muito importante, esta velocidade da execução com o pensamento. Sabe ler os posicionamentos, lê o que o adversário pode fazer e portanto, tenta contrariar aquilo que o adversário vai fazer. Percebe na equipa a quem vai passar, onde se vai posicionar e depois faz tudo com qualidade. Com qualidade artística, com qualidade técnica, portanto, que acaba por se sobressair e acaba por trazer mais valia à sua formação. É de facto, este Jack, é um Jack fantástico.
É um Jack fantástico e com isso a Inglaterra avança para os quartos de final, dois zero.
No jogo 300 de Wembley, repare-se, 77 desde 2007, após a reabertura, a Inglaterra ganhou o seu 188º jogo. Esta é que é a verdade.
É uma boa prenda para o Estádio de Wembley, para celebrar.
Num jogo de compêndio tático de grande qualidade, a Inglaterra com o Jota. Southgate, o tal menino que eu já disse, ainda não tinha nascido quando ele falhou o pontapé da marca de penalidade para resolver a partida a favor dos britânicos, pondo na loucura o Wembley.
E temos 10 minutos, Gabriel Alves, para olhar para as habituais rubricas. Antes disso, dar apenas o resumo para os nossos ouvintes dos quartos de final do Euro 2020. Dia 2 de julho, sexta-feira, vamos ter Suíça-Espanha às 17h, Bélgica-Itália às 20h. No dia 3 de julho, no sábado, vamos ter República Checa-Dinamarca às 17h e Ucrânia-Inglaterra às 20h. Gabriel, vamos então olhar para o nosso momento Força da Técnica de hoje. Qual é que é o escolhido nestes dois jogos?
É a força da técnica, é o Jack.
Só podia.
Só podia, porque é de facto um jogador que faz a diferença. Eu praticamente já disse tudo. É um jogador que dentro de um futebol muito mecanizado, muito monitorizado, motorizado, trouxe a fantasia, traz a imaginação, traz a criatividade, traz outro tipo de leitura, traz outro tipo de toque e a tal chamada nota artística que todos nós amamos, adoramos num jogo de futebol. E ele teve exatamente isso, quando da parte da equipa alemã não aconteceu e até um dos seus jogadores, que é dos mais tecnicistas, um jogador muitíssimo bom, Kai Havertz, entre o primeiro e o segundo gol da Inglaterra, teve a hipótese de fazer o empate e não foi capaz. Portanto, a Alemanha inclusivamente acabou por mostrar ter gente talentosa, mas falta-lhe qualquer coisa mais. E isso não apareceu. Apareceu na Inglaterra, no Jack.
E no sentido contrário, olhando mais para a força, quem é que é o momento técnica da força de hoje, deste último dia dos oitavos de final?
Eu acho que foi este jogo entre a Suécia e a Ucrânia. Houve muito mais força do que técnica. Foi um jogo, como disse, divertido, aberto, até não foi muito, digamos, em termos táticos, fechado, mas faltou-lhe ali qualquer coisa que fizesse a diferença. Acabou por ganhar a Ucrânia. Dois gols. Um gol para a Suécia, onde faltou normalmente o jogador que faz a força da técnica, e Zach apareceu pouco.
E vamos então avançar para o momento de estilo inconfundível. Vamos recuar até ao passado dos Campeonatos da Europa e fica a pergunta, Gabriel, vamos recuar até quando nesta noite?
Eu vou dizer, lembrar aquilo que disse e parece que hoje ficou desfeito. Um dia Gary Lineker: "Futebol é um jogo simples, 22 homens, uma bola e no fim ganha sempre a Alemanha".
11 contra 11 e ganha a Alemanha.
Eu acho que 55 anos depois, a Alemanha, obviamente, não foi capaz de vencer a Inglaterra nesta eliminatória, portanto, não deu K.O. aos ingleses, mas sim a "Mannschaft" ficou K.O. pelos ingleses. Desde 1966 que a Inglaterra perdia com a Alemanha de forma multiplicada, o que levou Lineker, hoje grande comentador, excelente e como pessoa, eu tive a oportunidade de o conhecer, um gentleman, a dizer aquilo que todo mundo conhece, porque ficou cego. A Alemanha e o Reino Unido chocaram-se em dois Campeonatos do Mundo, entre duas guerras mundiais. Natural que estes encontros de futebol fossem vistos durante muito tempo, pelo menos pelos ingleses, como reposições dos conflitos do século passado.
É mais do que futebol.
Isto escrito pelo The Guardian, por Jonathan Freedland Antes da meia-final do Euro 96, o Daily Mirror escrevia: "Duas Guerras Mundiais e uma Taça do Mundo. A bola manda e manda e vejamos. Se vencermos, todo o nosso trabalho", disse na imprensa internacional, num excelente artigo no jornal, e cito, A Marca. "Se vencermos, todo o nosso trabalho aqui terá sido em vão", assinalou o embaixador da Alemanha Federal ao tempo em Londres, antes da final de 66. E quando a Inglaterra venceu, toda a embaixada foi ao pub mais próximo, cestina beber, com sentido de puro alívio. Isto contou Constance, Estella de Zen Müller, filha de um diplomata ao tempo. Foi uma final polêmica, que todos nós recordamos. Um hat-trick de Hurst. O terceiro golo, a bola foi de posta a posta. Todos nós conhecemos, os daquela geração, das gerações todas e até das novas gerações. E uma pergunta que vale um milhão de dólares: mas foi ou não foi golo?
Exato.
A bola entrou ou não entrou? A verdade é que o golo foi assim dado. Não havia VAR, não havia chip, havia fiscal de linha, Baranov, que era a figura mais bem colocada, naturalmente, e que validou Hurst, o autor. Eu também acho que a bola não entrou.
Gabriel, mas uns anos depois, em 2010, foi ao contrário, não é?
Foi ao contrário, e isto é muito interessante, porque o tempo e a história, eu diria, este problema é meu, é danada. E na África do Sul, a Alemanha vingou-se. Frank Lampard rematou a bola, cruzou a linha de baliza, portanto, de posta a posta, e depois de bater na base, o árbitro uruguaio Jorge Larrionda não deu golo. A Inglaterra caiu por 4 x 1. Dali em diante, a FIFA criou o chip. Na Itália, 90, na meia final, a Inglaterra e a Alemanha, os ingleses saíram nos pênaltis. Pirlo e outros falharam. No Euro 96, nos pênaltis, falhou um tal de Sol Campbell, que hoje eliminou, enquanto treinador, a equipa alemã. É o que o mundo nos dá. Vamos ver se a Inglaterra, em casa própria, consegue, de fato, chegar ao pódio, porque a final é o palco dos palcos.
Exatamente. Mas primeiro, Gabriel, vamos ter esses encontros dos quartos de final. Muito rapidamente volto a relembrá-los, porque ficamos sem tempo em mais um programa, mas muito rapidamente, dia 2 de julho, na próxima sexta-feira, vamos ter às 17h, em São Petersburgo, Suíça x Espanha, depois às 20h, em Munique, Bélgica x Itália. Promete muito esse Bélgica x Itália. No sábado, dia 3 de julho, em Baku, República Checa x Dinamarca às 17h e em Roma, Ucrânia x Inglaterra às 20h. Já agora, fica também assinado. É a primeira eliminatória deste Euro 2020 em que nenhuma das equipas joga em casa. Gabriel, temos esse encontro marcado pra próxima sexta-feira. Até lá não temos jogos. Vamos ter uns dias sem saber o que fazer, mas o futebol volta na sexta-feira, dia 2 de julho, para esse Suíça x Espanha e Bélgica x Itália. Até lá, Gabriel.
Até lá.
Boa noite.
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