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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, o programa em que trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana com a jornalista Diana Rosa. Sou o João Gama. Diana, muito boa tarde.
Boa tarde, João.
Hoje começas pelo que dizem os jornais ucranianos e com o artigo que está em manchete no Kyiv Independent: "Com o cessar-fogo em vista, a Ucrânia não vai aceitar garantias de segurança em substituição da adesão à NATO".
No dia em que os ministros dos negócios estrangeiros da NATO têm marcado um encontro em Bruxelas, a Ucrânia sublinhou que considera que a adesão à aliança militar é a única verdadeira garantia de segurança. Num comunicado emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, pode ler-se que com a amarga experiência do Memorando de Budapeste, não há outra hipótese senão uma adesão. O comunicado é publicado na semana em que se assinala também o 30º aniversário do Memorando de Budapeste, um acordo em que se estabeleciam garantias de segurança à Ucrânia em troca da entrega do terceiro maior arsenal nuclear. A Ucrânia desistiu dessas armas nucleares da era soviética em troca também do reconhecimento de fronteiras. O governo ucraniano sublinha que este documento deve servir como um alerta aos atuais líderes da comunidade euro-atlântica de que construir uma arquitetura de segurança europeia às custas dos interesses da Ucrânia, em vez de os tomar em consideração, está destinado ao fracasso. A Ucrânia apela aos Estados Unidos e Reino Unido, signatários do memorando, mas também à França e à China, para que adiram, e a todos os participantes do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, que apoiem o convite da NATO a Kiev para contrariar as tentativas de chantagem russas.
No entanto, a NATO, Diana, avisa que dificilmente vai formalizar o convite de adesão à Ucrânia ainda esta semana.
Pode levar meses para que se chegue a um consenso. Foi o que admitiu à Reuters um funcionário de topo da NATO, em declarações citadas pelo New Voice of Ukraine. Em declarações sob condição de anonimato, este membro da aliança disse que ficaria absolutamente surpreso caso a reunião de hoje resultasse num convite a Kiev. Acrescenta ainda que este encontro vai ter como foco o fortalecimento da posição da Ucrânia para possíveis negociações no próximo ano e a melhor maneira de fazer isso é aumentando o financiamento, o fornecimento de armas e a mobilização. A aliança militar já declarou que o caminho de adesão da Ucrânia à NATO é irreversível, mas até agora não avançou com esse convite para a organização, nem com uma linha temporal sobre a eventual adesão.
Volodymyr Zelensky quer continuar a fazer reformas nas Forças Armadas.
E João já anunciou as mais recentes. Foi nomeado o general Mykhailo Drapaty como comandante das Forças Terrestres da Ucrânia. Quando questionado sobre o motivo de Drapaty substituir Oleksandr Pavlyuk, que ocupava o cargo desde 11 de fevereiro, portanto ainda nem há um ano, Zelensky disse que a mudança está relacionada com o plano de resiliência apresentado há cerca de duas semanas. É um plano que prevê várias substituições, nomeadamente aqui no setor de defesa. De acordo com Zelensky, as decisões delineadas no plano são projetadas para cargos específicos, por isso as mudanças não vão ficar por aqui. O presidente ucraniano acredita que o exército precisa de se mover mais rápido e por isso substituições são necessárias. É uma notícia do Kyiv Independent.
E Diana, no terreno, 2 mil soldados norte-coreanos, liderados por três generais, juntaram-se agora aos militares russos na Ucrânia.
Foram mobilizados para uma brigada de fuzileiros navais e uma divisão de assalto aéreo para se envolverem ativamente no combate. Em declarações à rádio Svoboda, Andriy Cherniak, representante das secretas ucranianas, diz que ainda que essas forças não estejam provavelmente na linha da frente, contribuem, sim, para a agressão contra a Ucrânia e para a morte de soldados ucranianos. De acordo com os serviços de informação, o contingente militar norte-coreano na Rússia é comandado por três generais, precisamente norte-coreanos. Os militares são mantidos da forma mais discreta possível, claro, tendo em conta o contexto. Ficam em campos fechados a realizar treinos específicos. De acordo com o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, mais de 11 mil soldados norte-coreanos estão atualmente na região de Kursk, na Rússia, e já se envolveram em batalhas contra forças ucranianas.
Fica por aqui esta parte da "Guerra Traduzida". Voltamos já a seguir com o que dizem os jornais russos.