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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos passar em revista a imprensa russa e ucraniana, hoje com o jornalista Vasco Maldonado Correia. Vasco, começamos pela imprensa ucraniana e pelo verão mortal que aguarda os dois lados do conflito.

O artigo é do Wall Street Journal, mas é analisado pela TSN, que fala numa previsão decepcionante por parte do jornal americano. No texto, pode ler-se que para a Ucrânia, o objetivo nos próximos meses passa apenas por manter a posição com a ajuda de novas armas ocidentais e de acordo com as forças de segurança ucranianas, a Rússia vai continuar a utilizar a abordagem padrão, ou seja, sacrificando um grande número de tropas por pequenos ganhos, o que provavelmente vai levar a milhares de mortos, tanto para Kiev como para Moscovo, e sem nenhuma das partes alcançar avanços decisivos.

O Wall Street Journal fala numa sangrenta partida de xadrez.

Os ucranianos não acreditam que a Rússia tenha tropas suficientes para uma grande ofensiva em Kharkiv, até porque a transferência de tropas para a região pode levar ao enfraquecimento de outras áreas da frente de batalha e por isso mesmo, o TSN fala numa estratégia competente por parte da Ucrânia. Enquanto a Rússia ataca centrais elétricas e outras instalações de infraestruturas na Ucrânia, Kiev tem como objetivo a Crimeia e com mísseis de longo alcance fornecidos pelos Estados Unidos e de acordo com o representante de alto escalão do Departamento de Defesa norte-americano, mesmo que a Rússia esteja a conseguir fazer alguns progressos no campo de batalha, há uma sensação de que os ucranianos estão a atacar e a movimentar-se de forma bastante estratégica e a manterem-se firmes.

Entretanto, a Ucrânia pode receber um apoio importante por parte de Israel.

Também o TSN explica que a Ucrânia precisa de sistemas de defesa aérea e mísseis adicionais para proteger a população e as infraestruturas. Essa ajuda pode vir do Médio Oriente, através de um acordo com os Estados Unidos. A ideia é que seja Washington a comprar primeiro os sistemas Patriot modificados a Israel, e neste caso são Patriot PAC-2, e os faça depois chegar a território ucraniano. O anúncio foi feito pelo porta-voz da Força Aérea das Forças Armadas Ucranianas, Illia Yevlash, que não sabe ainda quantos sistemas de defesa existem em Israel, que modificações têm e quantos podem ser transferidos para Kiev. Relembro que recentemente Zelensky, o presidente ucraniano, explicou que os sistemas de defesa aérea Patriot não conseguem proteger as cidades ucranianas de ataques de bombas aéreas russas e, por isso mesmo, a necessidade destes Patriot PAC-2, que seriam importantes nesta fase do conflito.

E ainda na imprensa ucraniana, foi demitido o procurador-geral adjunto depois de um escândalo de corrupção.

Em maio, foi noticiado que Dmytro Verbitsky estava a morar numa casa em Konych, uma cidade rural de elite, de acordo com a imprensa ucraniana, que se situa em Kiev, casa que foi comprada pelo sobrinho, através de um empresário de Odessa, por seis vezes menos do que o valor de mercado real. Além disso, no último mês, a namorada do procurador-geral adjunto tornou-se proprietária de uma propriedade também de elite, sem ter rendimentos oficiais próprios para o fazer. De acordo com as várias investigações jornalísticas que foram feitas ao longo dos últimos meses, Verbitsky estava ainda a preparar a construção de um aeródromo subcelente na cidade turística de Alanya, na Turquia. Por tudo isto, as autoridades iniciaram um processo criminal relativo a um possível enriquecimento ilegal de Verbitsky. O procurador-geral Andriy Kostin foi mesmo chamado ao Parlamento para responder pelo caso e agora chega a notícia, hoje em destaque em toda a imprensa ucraniana, que Kostin assinou a ordem de demissão do vice. Entretanto, Verbitsky já garantiu que renunciou por vontade própria e diz que aceitou demitir-se para preservar a reputação do Ministério Público.

Foram os destaques da imprensa ucraniana com o jornalista Vasco Maldonado Correia. Voltamos já já a seguir com os destaques da imprensa russa.