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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Todos os dias falamos sobre o que dizem os jornais ucranianos e o que dizem os jornais russos sobre o conflito na Ucrânia. Vamos dar destaque à imprensa ucraniana. Para isso, contamos com o jornalista João Gama, que esteve a folhear precisamente a imprensa desse país. E João, vamos começar com uma declaração conjunta por parte da Ucrânia, da Polônia e da Lituânia sobre os drones russos que atingiram a Polônia.
Que faz manchete, por exemplo, no Pravda da Ucrânia, José. A diplomacia destes três países avisa que apenas ações coordenadas e em conjunto podem garantir a segurança dos cidadãos da Ucrânia, da Polônia e da Lituânia e evitar uma nova escalada do conflito entre a Ucrânia e a Rússia. E continua. O destaque aqui é dado, obviamente, para a posição da Ucrânia. Estamos a falar dos jornais ucranianos. Kiev assegura que está pronta para partilhar todas as informações operacionais e de inteligência disponíveis com estes dois países, a Polônia e Lituânia, e também outros parceiros ocidentais para construir o que Kiev pretende que seja um sistema eficaz de alerta de proteção contra ataques de mísseis e também com drones russos. Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos três países descreveram a recente incursão de drones russos em território polaco como um ataque deliberado e coordenado que constituiu, dizem, uma provocação sem precedentes e uma escalada das tensões na região.
É também o que diz o porta-voz do presidente da Polônia, Donald Tusk, acredita que o dia 10 de setembro vai ficar registrado nos livros da história, João.
Como o dia em que a Federação Russa tomou um ato de agressão para com um dos países da NATO, o porta-voz de Varsóvia acredita que o dia de ontem mudou muita coisa na guerra da Ucrânia. Revela que alguns drones foram abatidos das várias dezenas que diz terem voado na Polônia, mas que ainda assim apenas um prédio residencial foi destruído e uma família acabou por ficar sem casa para passar a noite. E, por isso, acredita que do ponto de vista histórico, e não só político, a data de 10 de setembro de 2025 não tem como fugir dos livros de história.
E no horizonte pode existir um conflito diplomático. A Ucrânia pede à Eslováquia que não levante dúvidas sobre os drones que caíram em solo polaco. João, o que é isto?
Um pedido, mas também um aviso, José, que é deixado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia depois do líder da diplomacia de Bratislava dizer que quer acreditar que os drones que entraram em território polaco não tinham como objetivo atacar a Polônia, mas sim atacar a Ucrânia. Varsóvia denunciou este incidente como uma provocação deliberada da Rússia. É o que recorda aqui o Kyiv Independent, que cita um porta-voz da diplomacia ucraniana a defender que a entrada de drones em território polaco é um facto empírico e não requer qualquer teoria. Pede assim à Eslováquia que não transfira a responsabilidade de Moscovo com dúvidas que diz ser pouco apropriadas, mas que reconheça a realidade simplesmente como ela é.
E para fechar, João, uma cópia, pelo menos é o que diz a imprensa ucraniana, sobre a tecnologia de drones da Ucrânia que está a ser explorada pela Rússia.
É o que está em destaque no Kyiv Independent. A Rússia está a copiar a tecnologia de drones da Ucrânia. Cita aqui o jornal as declarações do líder das Forças Armadas Ucranianas, que escreve nas redes sociais, mais precisamente no Facebook, que neste momento a Ucrânia está a enfrentar uma corrida tecnológica direta com a Rússia, e quem vai ganhar é quem souber modernizar e continuar na dianteira tecnológica. Kiev, recorda aqui o jornal, tem investido com muito empenho em guerra com drones desde o início da invasão em grande escala por parte da Rússia. Aconteceu em 2022. Kiev tem estado a evoluir os drones de comerciais modificados para drones de ataque e reconhecimento, que são agora produzidos em massa. E agora é a Rússia que, de acordo com a Ucrânia, está a adotar tecnologias militares ucranianas, particularmente na produção de drones. Os drones ucranianos atingiram mais de 60 mil alvos em agosto, com drones de ataque e bombardeiros também de ataque, sendo responsáveis pela maior parte das perdas russas, quer em mão de obra, quer também em equipamentos.
Ponto final em mais uma edição da "Guerra Traduzida". Voltamos amanhã com mais destaques da imprensa, quer da Rússia, quer da Ucrânia.