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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Seguimos com a imprensa russa, com a Diana Rosa. Putin declara que esta é a fase final do conflito e apela à mediação europeia.

Durante as celebrações do Dia da Vitória, Putin acusou o Ocidente de manter uma política de confrontação que impede a cessação das hostilidades, alegando que as forças russas conseguiram evitar o colapso económico e militar previsto pelas capitais europeias. Como parte de uma nova ofensiva diplomática, o Kremlin sugeriu o nome do ex-chanceler alemão para actuar como mediador directo entre Moscovo e a União Europeia, numa tentativa de reabrir canais de comunicação sobre a arquitectura de segurança continental. Fontes oficiais em Moscovo indicam que a Rússia está pronta para conversar, mas apenas se estas conversas ocorrerem em Moscovo ou em território neutro, Suíça, por exemplo, sob condições que reflitam a realidade territorial actual. A proposta surge num momento em que Putin tenta projectar uma imagem de força e estabilidade interna perante o seu eleitorado.

A Rússia e a Arábia Saudita lançaram um regime de isenção de vistos para fortalecer laços entre os dois países. Permite que os cidadãos viajem sem autorizações prévias para estadias de até 90 dias por ano.

Este desenvolvimento, reportado com destaque pelas agências TASS e RIA, marca um passo significativo na estratégia de Moscovo para diversificar as suas parcerias internacionais e contornar o isolamento imposto pelo bloco ocidental. A Rússia torna-se assim o quarto país fora do Conselho de Cooperação do Golfo a receber este privilégio por parte de Riade, junta-se a Omã, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. Embora a medida exclua viagens para fins laborais ou de residência permanente, espera-se que impulsione o turismo e os intercâmbios empresariais, num momento em que a economia russa procura novos fluxos de capital e de tecnologia. Analistas em Moscovo veem este acordo como uma validação da política externa russa no Médio Oriente, consolidando a influência do Kremlin numa região tradicionalmente alinhada com os interesses de segurança dos Estados Unidos.

Moscovo denuncia sanções britânicas contra projectos de juventude e agências de informação.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia condena de forma veemente o novo pacote de sanções anunciado pelo Reino Unido, que visa 85 indivíduos e entidades russas. Londres acusa estas organizações de estarem envolvidas em operações de desinformação para influenciar as eleições na Arménia e de coordenarem o que descreve como a russificação de crianças ucranianas. Em resposta, as autoridades russas classificam as medidas como hostis e infundadas, argumentam que Yunarmia promove apenas valores patrióticos e de educação cívica entre os jovens. O Kremlin alega que o Reino Unido está a tentar criminalizar actividades educativas e de informação legítimas, utilizando a retórica dos direitos humanos para camuflar objectivos geopolíticos. A imprensa estatal russa destaca que estas sanções não vão afectar o funcionamento das instituições visadas, servindo apenas para demonstrar a incapacidade de Londres em aceitar a emergência de uma ordem mundial multipolar, onde as narrativas ocidentais já não detêm o monopólio da verdade.

Dados divulgados pela imprensa russa indicam que a Coreia do Norte obteve receitas estimadas em 13 mil milhões de dólares nos últimos três anos, através do fornecimento de assistência militar à Rússia.

Esta parceria estratégica, fundamental para a manutenção das reservas de munições de artilharia do exército russo, tem permitido a Moscovo sustentar a intensidade das operações na Ucrânia, apesar das sanções internacionais. O fornecimento inclui milhões de cartuchos de 152 mm e, alegadamente, a transferência de tecnologias de mísseis em sentido inverso. No plano interno, esta cooperação é apresentada como uma prova da capacidade da Rússia em forjar alianças de segurança robustas fora do sistema financeiro ocidental. Contudo, observadores independentes em Moscovo notam que esta dependência externa sublinha os desafios da indústria de defesa russa em acelerar a produção de componentes básicos para uma guerra de desgaste prolongada. A notícia coincide com o reforço da doutrina de religião de guerra promovida pelo Estado, que exalta o sacrifício militar como um pilar central da identidade russa contemporânea.

A "Guerra Traduzida" está de regresso amanhã.