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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, o programa com os destaques da imprensa russa e ucraniana. Conosco está a jornalista Diana Rosa. Boa tarde, Diana.

Boa tarde, Luís.

E hoje vais começar pelos jornais da Rússia, em Belgorod. Pelo menos seis pessoas morreram e 35 ficaram feridas num ataque ucraniano.

É a notícia que faz manchete no Moscow Times. Lembrando que Belgorod é essa região russa, mesmo junto à fronteira com a Ucrânia, e que tem sido alvo de vários ataques nos últimos meses. Na sequência de um bombardeamento, dois autocarros que transportavam funcionários de uma empresa para o trabalho e ainda um automóvel de passageiros foram atacados pelas Forças Armadas Ucranianas com drones kamikaze. É o que adianta o governador de Belgorod, que acrescenta que os drones atingiram a aldeia de Berezovka. Ainda de acordo com a mesma fonte, entre os 35 feridos estão duas crianças com ferimentos ligeiros e um homem em estado grave. Este é o ataque mais mortífero por parte da Ucrânia em dois anos de conflito.

E hoje, nos Estados Unidos, o líder do Partido Democrata admitiu a possibilidade de enviar tropas para a Ucrânia e o Kremlin, Diana, já reagiu.

Diz o vice-presidente do Conselho de Segurança Russo que qualquer envio de soldados para território ucraniano é semelhante a uma declaração de guerra destes países à Rússia e vai levar a uma catástrofe à escala global. Ainda antes desta possibilidade ter sido admitida nos Estados Unidos, já foi também posta em cima da mesa várias vezes, como sabemos, pelo presidente francês, o que para o Kremlin não deixa dúvidas. A Rússia vai ter de responder e não é dentro do território ucraniano, é fora. Diz Medvedev, ex-presidente russo, que nesse dia, os líderes ocidentais não vão poder esconder-se nem no Capitólio, nem no Palácio do Eliseu, nem no número 10 da Downing Street, porque não vai haver escapatória possível. É este o aviso de Medvedev, citado pela TASS. Ele acrescenta que está em curso uma espécie de degradação total da classe dominante no Ocidente, liderada por pessoas inconscientes, que não percebem as consequências catastróficas que poderia ter um conflito entre os países ocidentais e a Rússia.

E há mais um líder ucraniano a entrar na lista negra da Rússia. Desta vez, o ex-ministro da Administração Interna. Mas Diana, sabe-se por quê?

Não, Luís. A Rússia não deu qualquer tipo de justificação para ter colocado Arsen Avakov na lista de terroristas mais procurados pelo Serviço Federal de Monitorização Financeira da Rússia. Ele é procurado ao abrigo de um artigo do Código Penal Russo, é o que adianta o Ministério da Administração Interna de Moscovo. Sabe-se apenas que em 2018, o Comitê de Investigação da Rússia abriu um processo criminal contra Avakov por obstruir o livre exercício do direito de voto dos cidadãos russos nas eleições presidenciais. De acordo com os procuradores, Avakov instruiu funcionários do Ministério Ucraniano da Administração Interna, que forneciam segurança às missões diplomáticas russas em Kiev, Kharkov, Odessa e Lvov, para não permitirem a entrada de russos nos locais de votação. Na altura, ele segurava a pasta da tutela. Agora fica por saber se estes episódios estão relacionados. É uma notícia da TASS.

E a Rússia, Diana, vai fazer exercícios com armas militares perto da fronteira com a Ucrânia.

Uma ordem de Vladimir Putin em resposta às declarações do Ocidente, em particular, como já aqui falámos, de Emmanuel Macron, depois de ter admitido o envio de tropas para a Ucrânia. É assim que a decisão é justificada no artigo do Komsomolskaya Pravda. De acordo com o Ministério Russo da Defesa, os exercícios vão ser realizados em breve, vão ser realizados treinos práticos que envolvem a preparação e o uso de armas nucleares não estratégicas. O objetivo desta operação é manter a prontidão do pessoal e também do equipamento, a fim de garantir incondicionalmente a integridade territorial e a soberania da Rússia. Os exercícios vão envolver a Força Aérea, também a Marinha e as forças do Distrito Militar do Sul, que se localiza muito perto da Ucrânia e cobre as regiões que Moscovo anexou.

E fica por aqui este episódio de Guerra Traduzida. Já a seguir olhamos para a imprensa da Ucrânia.