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Guerra traduzida na Rádio Observador. Nos próximos minutos vamos falar sobre as notícias que estão em destaque nos jornais russos e ucranianos com o jornalista Vasco Maldonado Correia. Boa tarde, Vasco. Vamos começar com os jornais ucranianos. O enviado especial de Donald Trump à Ucrânia avisa que ambos os lados do conflito vão ter de fazer concessões se quiserem chegar a um acordo.

São declarações de Keith Kellogg que estão em destaque no portal ucraniano TSN. Kellogg lembra que o próprio presidente Zelenskyy tem suavizado a posição sobre a concessão de territórios e diz a este representante de Trump que agora tem de ser Vladimir Putin também a passar por esse processo de suavização, chamemos-lhe assim. De qualquer maneira, fica já o anúncio de que a Casa Branca pretende abrir negociações entre ambas as partes já num futuro próximo.

E Vasco, neste fim de semana soubemos pela voz deste mesmo representante que os Estados Unidos querem eleições na Ucrânia depois de um eventual cessar-fogo.

São declarações do último sábado, uma posição defendida também por Kenneth Kellogg, diz que a maioria das nações democráticas conseguem ter eleições em tempo de guerra e vai mais longe, acredita que é até importante que esses atos eleitorais aconteçam nestas alturas. Isto como prova da solidez das democracias. Relembro que nesta altura sabemos ainda pouco sobre o plano de Donald Trump para resolver o conflito na Ucrânia, mas de acordo com a imprensa internacional, que cita fontes próximas da Casa Branca, obrigar Kiev a ir a eleições pode fazer parte dos planos para uma trégua inicial com a Rússia.

E entretanto, Vasco, Arábia Saudita ou Emirados Árabes Unidos são as hipóteses em cima da mesa para o encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin.

É outra das notícias em destaque em toda a imprensa ucraniana, desta vez citando a Agência Reuters, de acordo com fonte próxima das negociações, os dois locais são vistos como ideais para a Rússia. Além disso, nas últimas semanas, altas autoridades russas já terão sido também enviadas a estes dois países para estudar a hipótese. De acordo com o TSN, nem todos no Kremlin aprovam a ideia, isto por causa das ligações militares entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos ao Pentágono. Para já, não há qualquer confirmação por nenhuma das partes. A reunião só deve, de resto, acontecer no final do ano.

E Vasco, foi assassinado um gângster ucraniano pró-russo com uma bomba perto de Moscovo. Quem é este gângster?

Era Armen Sarkisyan, também conhecido como Armen Gorlovsky, era um ucraniano natural de Donetsk, visto como homem de mão do antigo presidente Yanukovych, líder que era apoiado pelo Kremlin. Foi assassinado hoje, alvo de uma explosão num condomínio de luxo a noroeste de Moscovo. Estava na lista da Interpol pelo menos desde 2014 e era procurado há muito tempo pelas autoridades ucranianas. Nessa altura, em 2014, ficou conhecido por instigar violência em manifestações pró-europeias na Ucrânia. Mais recentemente, estava a formar um batalhão de combatentes para concorrer com o grupo Wagner. Ora, nas últimas horas foram surgindo informações contraditórias sobre o estado de saúde de Sarkisyan, mas este gângster ucraniano acabou mesmo por morrer vítima desta explosão. Kiev não fez para já qualquer comentário sobre o incidente.

A fechar, a crise política na Lituânia, a imprensa ucraniana culpa a propaganda russa.

"Como uma declaração antiucraniana deu início a uma crise política" é o título que se pode ler no Eurointegration, portal ucraniano. De acordo com este jornal, a crise teve início com uma declaração polêmica do líder do partido populista de extrema-direita chamado Início do Nemunas. O Nemunas é o maior rio do país. Estamos a falar de um partido com ligações antissemitas que faz parte da coligação de poder no Parlamento ucraniano. Ora, o líder deste partido, Remigijus Žemaitaitis, tem vindo a questionar ao longo do último mês o aumento dos gastos no país para o setor da defesa e alegou que o ministro com essa pasta só se deve deslocar à Ucrânia para investigar casos de suborno, corrupção ou venda de armas. Desde aí, o chefe de Estado da Lituânia entrou em ação. Considera que a coligação que segura o Governo não tem pernas para andar. Para já, o primeiro-ministro lituano, Gintautas Paluckas, não vê razões para repensar alianças.