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A Guerra Traduzida na Rádio Observador. Falamos do que dizem os jornais russos e os jornais ucranianos em tempo de guerra com a jornalista Diana Rosa. Boa tarde, Diana. Hoje começas pela imprensa russa e com as condições para a paz apresentadas pelo Kremlin nas negociações de Istambul.
Não deu nem um passo atrás relativamente à ronda anterior. A Rússia só aceita terminar a guerra se a Ucrânia retirar as tropas das quatro regiões do leste do país, todas elas já controladas, pelo menos de forma parcial, pela Rússia. Falamos de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, já para não falar da Crimeia. O Kremlin quer que a Ucrânia desista formalmente desse território ocupado em 2014. Kiev tem também de parar com a mobilização de militares, não deve aumentar o exército. O longo memorando entregue pelos negociadores russos em Istambul significaria para a Ucrânia uma rendição total. No documento intitulado "Parâmetros mínimos para um acordo final", a Ucrânia tem também de assumir um compromisso de neutralidade, impedindo que existam tropas estrangeiras em território ucraniano, e o Ocidente deve parar de fornecer armas a Kiev. A Rússia exige ainda que a Ucrânia deixe o gás natural russo atravessar o país. Neste momento, está bloqueado. Fica ainda obrigado a proibir qualquer glorificação ou promoção do nazismo e neonazismo, que é uma acusação que tem sido feita por Vladimir Putin e, de resto, uma das razões pelas quais a Rússia diz que invadiu a Ucrânia. Há uma segunda parte do memorando de paz que diz que, para haver um cessar-fogo de 30 dias, a Ucrânia tem duas hipóteses: ou retira as tropas dessas quatro regiões ou aceita finalizar, retirar o país da lei marcial e promover eleições presidenciais no espaço de uma centena de dias. Basicamente, a Rússia não quer fazer quaisquer concessões relativamente ao que tem exigido nos últimos anos. Faz ainda mais.
Do lado oposto, a Ucrânia, em sentido inverso, recusa ceder território.
Sim, como já tem dito também, de acordo com o mapa desenhado pelos representantes ucranianos, Kiev recusa entregar à Rússia os territórios ocupados ou parcialmente ocupados. Nega também quaisquer restrições à capacidade militar. Neste contexto negocial, os representantes ucranianos saíram de Istambul com uma visão negativa sobre o que foi atingido, apesar de ter alcançado um acordo para uma troca de prisioneiros feridos com idades entre os 18 e os 25 anos. O ministro da Defesa ucraniano diz que a equipa vai dedicar uma semana a analisar o memorando, mas alerta desde já para a rejeição da Rússia em promover, pelo menos, um cessar-fogo de 30 dias. Rustem Umerov acusa a Rússia de estar mais uma vez a tentar protelar o fim do conflito, criando uma imagem diplomática aos olhos dos Estados Unidos, mas sem adiantar com quaisquer ações reais. Já Volodymyr Zelensky diz que os representantes russos são idiotas, tendo em conta a proposta de cessar-fogo de dois a três dias, que foi apresentada pelo Kremlin para recolher os corpos dos soldados mortos.
Também em destaque na imprensa russa, a notícia de que o relatório entre a suposta interferência russa nas eleições dos Estados Unidos em 2016 foi removido, Diana, do site do Senado.
Tinha sido publicado em 2020 nesse mesmo site. A imprensa russa sublinha que o documento não comprovou o envolvimento da Rússia na interferência das eleições presidenciais americanas. Ainda sobre este tema, o presidente dos Estados Unidos, quando tomou posse neste segundo mandato, disse que a administração norte-americana tentou acusar Moscovo de supostamente influenciar a escolha dos cidadãos do país em 2016, quando Donald Trump foi eleito pela primeira vez. Hoje, o jornal "Komsomolskaya Pravda" lembra que noticiou no passado que Moscovo comentou as acusações dos Estados Unidos desta suposta influência nas eleições presidenciais, com Dmitry Peskov a sublinhar que o Kremlin nega de forma veemente essas acusações.
E os serviços de segurança da Ucrânia afirmam ter atacado a ponte da Crimeia com uma bomba subaquática.
As estruturas de suporte à travessia foram danificadas, adianta a Ucrânia. A notícia está em destaque no Moscow Times. O SBU diz ter realizado mais uma operação especial ousada e única pela terceira vez desde a invasão em grande escala da Rússia. O primeiro explosivo foi detonado por volta das 5h da manhã. Foram atingidos os pilares da ponte. Há, de resto, vídeos publicados desse momento na página oficial do Serviço de Segurança. Vídeos que, apesar de tudo, não foram confirmados de forma independente pelos meios de comunicação social. Não há registro de feridos. O SBU diz que esta operação levou vários meses a ser preparada, com agentes que plantaram o equivalente a 1100 quilos de TNT nas estruturas de suporte da ponte. Kiev diz que não há lugar para infraestruturas russas ilegais em território ucraniano. Considera que a ponte da Crimeia é um alvo totalmente legítimo, especialmente porque tem sido usada como uma rota de fornecimento fundamental para as forças russas.
Foram os destaques da imprensa russa. Voltamos já a seguir com o que dizem os jornais ucranianos.