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Começa agora mais um episódio da "Guerra Traduzida", edição especial Guerra no Irão, com a jornalista Laura Figueiredo. Mais uma baixa entre as figuras-chave do Irão, desta vez, o porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica.

Informação avançada pela agência de notícias iraniana Tasnim, que reporta que Ali Mohammad Naeeni foi morto em ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel. Também as forças de defesa israelitas já confirmaram a morte do porta-voz da Guarda Revolucionária Iraniana. Antes de morrer, o porta-voz emitiu uma declaração onde insistia que Teerão continuava a fabricar mísseis, apesar dos ataques norte-americanos e israelitas. Anteriores ataques direcionados de Israel e dos Estados Unidos tinham já matado o antigo líder supremo Ali Khamenei, também o chefe de segurança, o chefe da força paramilitar Basij e ainda o ministro de Informação e Segurança Nacional.

Entretanto, o novo líder supremo do Irão exige uma retaliação pela morte do ministro das Informações e Segurança Nacional.

Através de um comunicado enviado ao presidente iraniano e citado pela imprensa internacional, Mojtaba Khamenei afirma que os inimigos da República Islâmica não devem viver em segurança. Sublinha também a necessidade de retaliar a morte do ministro das Informações e Segurança Nacional, Esmail Khatib. Khamenei não é visto em público já desde que foi nomeado líder supremo. As autoridades norte-americanas e israelitas chegaram a dizer que o novo líder tinha ficado ferido na sequência de um bombardeamento.

E Laura, Israel está a admitir a possibilidade de ter tropas no terreno no Irão.

Pela primeira vez, Benjamin Netanyahu admite a possibilidade de uma componente terrestre na guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão. O primeiro-ministro israelita diz que o objetivo não era substituir um aiatolá por outro e acrescenta que é improvável que o regime iraniano seja derrubado apenas com ataques aéreos. Netanyahu falava numa conferência de imprensa citada pelo The Guardian. O primeiro-ministro disse também que existem grandes possibilidades para avançar com a componente terrestre, embora não tenha avançado com detalhes. Já Donald Trump tinha garantido não ter planos para que os Estados Unidos se envolvessem numa operação deste gênero. No entanto, acrescentou que se tivesse planos, certamente não diria aos jornalistas.

E o Irão avisa o Reino Unido que a disponibilização de bases militares aos Estados Unidos será considerada como participação numa agressão.

Uma advertência do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano à homóloga britânica, numa publicação no Telegram citada pelo The Guardian. Abbas Araqchi diz que tais ações serão definitivamente consideradas como participação numa agressão e ficarão registadas na história das relações entre os dois países. O ministro iraniano insiste também no direito de defender a soberania e a independência do Irão e alega que os Estados Unidos e Israel deram início à guerra enquanto as negociações diplomáticas estavam em curso. O governante condena assim a resposta tendenciosa da Grã-Bretanha e de outros países europeus face ao que descreve como uma agressão flagrante em violação do direito internacional.

E o Irão está sem internet há quase 500 horas.

De acordo com o serviço de monitorização Netblocks, o bloqueio da internet imposto pelo governo iraniano está a aproximar-se da marca das 500 horas. Numa publicação na rede social X, a página de monitorização diz que o Irão está a entrar no Ano Novo Persa numa situação de isolamento digital. Há 21 dias que não há acesso à internet no país.

Laura, o preço do petróleo recuou quase 2% depois das declarações de Netanyahu sobre a guerra.

O primeiro-ministro israelita disse ontem que o Irão está prestes a ser dizimado e que a guerra vai terminar mais cedo do que se imaginava. Por volta das 6h00, hoje, em hora de Lisboa, o barril de Brent, referência internacional, recuou 1,7% para cerca de 106 dólares. Na quinta-feira, tinha subido quase até aos 120 dólares. Numa nota, o analista da SPI Asset Management disse que as declarações de Netanyahu acalmaram os mercados. Numa conferência de imprensa, Benjamin Netanyahu afirmou ainda que o Irão já não tem capacidade para enriquecer urânio, nem para produzir mísseis balísticos.

Ainda assim, por enquanto, o estreito de Ormuz permanece tenso.

De acordo com a Al Jazeera, os Estados Unidos e Israel realizaram operações noturnas perto da costa do Irão, num esforço para garantir a segurança do estreito. A mesma fonte relata que na entrada da passagem continuam ancorados dezenas de navios e que durante a noite, aviões norte-americanos sobrevoaram as águas a baixa altitude, tendo bombardeado navios da Marinha iraniana.

Os ataques continuam por toda a região. Ao início da manhã, os estados do Golfo disseram estar a responder a novos ataques iranianos.

Em comunicados separados, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait afirmam estar a responder a ataques iranianos com mísseis, enquanto a Arábia Saudita anunciou ter interceptado drones. Também no Golfo, estilhaços provenientes de uma agressão iraniana provocaram um incêndio num armazém no Bahrein, onde as sirenes de alerta antiaéreo tinham já sido ativadas. Na Arábia Saudita, seis drones foram interceptados e destruídos no leste do país e outro no norte. O Irão prosseguiu na quinta-feira os ataques às infraestruturas energéticas do Golfo. Os drones iranianos atingiram uma refinaria saudita e outras duas no Kuwait, provocaram danos graves na principal instalação mundial de gás natural no Catar. Isto numa resposta aos ataques israelitas ao campo de gás de South Pars, partilhado por Teerão e Doha.

E a ONU sugere que ambos os lados envolvidos no conflito do Médio Oriente podem ter cometido crimes de guerra.

Em entrevista ao político, o secretário-geral das Nações Unidas diz ter motivos razoáveis para acreditar que tanto os Estados Unidos como Israel e o Irão podem ser acusados. António Guterres afirma que se houver ataques contra o Irão ou ataques do Irão contra infraestruturas energéticas, podem existir motivos para pensar que isto possa constituir um crime de guerra. Esta semana, a escalada de conflito intensificou-se com o ataque de Israel ao maior campo de gás do mundo, o que desencadeou ataques retaliatórios iranianos. Ora, o secretário-geral das Nações Unidas diz que não vê qualquer diferença e que não importa quem ataca civis, tudo é inaceitável.

E fica por aqui mais um episódio da "Guerra Traduzida" da Rádio Observador, edição especial dedicada à guerra no Irão, hoje com edição da jornalista Laura Figueiredo.