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Arranca agora mais uma edição da "Guerra Traduzida", mais um episódio especial para acompanharmos a situação no Irão. Nos próximos minutos passamos em revista os destaques dos jornais do Médio Oriente e também dos Estados Unidos. A edição de hoje é do jornalista Miguel Pina Andrade. Boa tarde, Miguel.
Olá, Ricardo.
Começamos com o conflito israelo-palestiniano. O governo israelita confirma a morte do novo chefe militar do Hamas.
Mohammed Odeh foi morto num ataque na cidade de Gaza na noite passada. A informação foi confirmada pelo ministro da Defesa israelita, citado pelo "Times of Israel". Israel Katz acrescenta que Telavive está a avançar com o objetivo de imigração voluntária no enclave palestino. Na rede social X, Katz escreve que o quarto comandante da ala militar da organização terrorista Hamas em Gaza foi eliminado ontem e junta-se agora aos companheiros nas profundezas do inferno. Odeh foi nomeado para o cargo na semana passada. Sucede a Izz al-Din al-Adad, que foi morto no início deste mês. As Forças de Defesa de Israel acusam Mohammed Odeh de ter desempenhado um papel central no planeamento e na coordenação do ataque do Hamas no dia 7 de outubro de 2023. Posteriormente, terá dirigido ataques e operações secretas.
Miguel, viramos agora a página para olhar para a guerra no Irão. O país considera improvável que haja uma nova guerra com os Estados Unidos.
Mas promete retaliar caso sejam retomados os ataques. A Guarda Revolucionária do Irão diz que nesse cenário vai transformar toda a costa sul do país num cemitério para os agressores. A ameaça foi feita pelo vice-chefe político da Marinha, Mohammad Akbarzadeh, citado pelo "Al Jazeera". O presidente iraniano declarou esta quarta-feira que o principal campo de batalha é hoje a guerra económica. Segundo a agência noticiosa Tasnim, Masoud Pezeshkian fez esta declaração durante uma reunião com os membros da Câmara de Comércio de Teerão. O líder iraniano afirma que depois de não ter conseguido atingir os objetivos na frente militar, os Estados Unidos dedicaram-se a enfraquecer a resiliência económica do país e a perturbar os meios de subsistência da população.
E mantemo-nos pelo Irão. O país vai realizar uma cerimónia fúnebre em memória da esposa e também dos familiares do líder supremo que foram assassinados.
Sim, Ricardo, a informação é avançada pelos meios de comunicação estatais iranianos. Segundo a agência Nour News, o memorial deverá decorrer entre quinta e sexta-feira no santuário em Teerão. As vítimas terão morrido em ataques aéreos ocorridos no início do conflito, de acordo com as mesmas fontes. Entre os mortos estariam também familiares do líder supremo iraniano Ali Khamenei, mas tal não foi confirmado de forma independente. O Ministério da Saúde iraniano afirmou recentemente que Mostaba Khamenei sofreu apenas ferimentos ligeiros, contrariando rumores de lesões graves difundidos por meios internacionais.
Entretanto, a Coreia do Sul vai convocar o embaixador iraniano, isto após o ataque a um navio no estreito de Ormuz.
De acordo com a CNN Internacional, a Coreia do Sul afirma ser altamente provável que um míssil antinavio de fabrico iraniano tenha atingido o porta-contentores HMM Namu na passagem marítima. O navio, operado pela companhia sul-coreana HMM, foi alvo de um ataque ocorrido no início de maio. Segundo Seul, a conclusão resulta de uma análise técnica aos destroços, incluindo a forma da ogiva e resíduos de gás. As autoridades sul-coreanas indicam ainda que o projétil parece corresponder a um míssil da série Noor, desenvolvido no Irão. Perante o incidente, o governo sul-coreano anunciou que vai convocar o embaixador do Irão para transmitir um protesto formal. Teerão rejeita as acusações e nega qualquer envolvimento no ataque, que permanece sob investigação.
Miguel, mantêm-se as tensões entre o Israel e o Líbano. Desta vez, Israel culpa o Líbano após ataques israelitas terem causado a morte de dezenas de pessoas.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel justificou a presença militar no sul do Líbano com o alegado incumprimento do governo libanês em afastar o Hezbollah da região a sul do rio Litani. As declarações surgem após os ataques israelitas terem causado 31 mortos e vários feridos no território libanês durante a noite de terça-feira. De acordo com o Middle East Eye, Israel alargou ainda a operação terrestre para além da chamada Linha Amarela, o que aumenta a tensão na fronteira. Gideon Sa'ar garante que Israel não tem ambições no território libanês, apesar das acusações de repetidas violações do cessar-fogo. A Agência Nacional de Notícias do Líbano dá conta de vários novos ataques no sul do país, que tiveram como alvo as cidades de Dibbin e Sheeba. A agência informou ainda que um drone sobrevoou os subúrbios a sul de Beirute, onde o Hezbollah tem uma presença significativa. Entretanto, Ricardo, o exército israelita apelou, através do porta-voz de língua árabe, Avichay Adraee, no Telegram, à evacuação urgente da cidade de Nabatieh.
E viajamos agora até aos Estados Unidos da América, onde hoje Donald Trump vai reunir com o governo. O encontro, Miguel, ocorre num momento em que procura selar um acordo para pôr fim à guerra.
Mas alguns apoiantes temem que possa encorajar o Irão. O presidente norte-americano afirma que o acordo com Teerão está largamente negociado e poderá levar à reabertura do estreito de Ormuz. Segundo a CBS, Trump procura apresentar o entendimento como uma vitória política. E também alega Donald Trump que o programa nuclear iraniano vai ficar suficientemente limitado. Ainda assim, a possível trégua definitiva tem gerado críticas, incluindo entre apoiantes republicanos, por poder fortalecer o regime iraniano. A situação agravou-se após ataques defensivos das forças norte-americanas a alvos militares no Irão, que Teerão classificou ontem como má-fé. O secretário de Estado, Marco Rubio, avança que as negociações devem ainda prolongar-se por vários dias.
Fica por aqui mais uma edição da "Guerra Traduzida", especial para acompanhar todo o conflito no Irão, desta vez com edição do jornalista Miguel Pina Andrade. Estamos de regresso já amanhã.