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Guerra Traduzida na Rádio Observador. Já sabe que é aqui que analisamos tudo o que escreve a imprensa russa e também a imprensa ucraniana sobre a guerra na Ucrânia. Hoje contamos com a curadoria do jornalista André Maia, que esteve a folhear a imprensa internacional. André, bem-vindo. Vamos começar pelos destaques da imprensa da Ucrânia ou da Rússia?

Da Ucrânia.

Da Ucrânia, e acredito que hoje em destaque, precisamente o encontro entre Donald Trump e Zelenskyy, bem como os principais líderes europeus. Como é que este tema foi tratado nos media ucranianos?

Não foi de forma muito positiva. A maioria dos jornais ucranianos parece ter ficado um pouco desiludida com o desfecho do encontro. Começamos pelo jornal Kyiv Independent, que resume tudo no título: "Palavras calorosas, resultados fracos. A reunião na Casa Branca ajuda a Ucrânia, mas há um caminho difícil pela frente". No artigo, podemos ler algumas críticas em relação à própria postura de Zelensky. A certa altura do texto lê-se que havia uma falta de tensão na sala e um conforto promovido por Zelensky. Em vez de vir a Washington para indicar a natureza terrível da situação, Zelensky apresentou um ar muito mais relaxado e amigável. É o que escreve o jornal Kyiv Independent. Também o TSN olha por um lado negativo. O próprio título da reportagem de análise à cimeira também diz tudo: "É triste olhar para o mapa. Trump permite trocas de território". O jornal sublinha que o presidente dos Estados Unidos afirmou que a questão de uma troca de terras, principalmente na zona do Donbass, seria considerada tendo em conta a atual linha de contacto.

André, há também outro tipo de abordagens ao encontro de ontem e uma muito curiosa, a do jornal Pravda, que prefere olhar não tanto para o que foi dito, mas para o que foi trocado, isto em termos de prendas.

Exatamente, e nem imaginas tu o quê, José. Numa cimeira de paz, com a guerra como plano de fundo, tivemos trocas de material desportivo e também imobiliário. Um pouquinho mais a sério. Como simbolismo, Zelensky deu a Trump um taco de golfe e Trump deu a Zelensky as chaves da Casa Branca.

As chaves da Casa Branca? Imagino que não sejam mesmo as chaves da Casa Branca.

Não é a chave da casa, mas é tudo simbólico. É uma chave simbólica, mas foi dada por Trump a Zelensky. No caso de Zelensky, este tal taco de golfe é uma prenda que Zelensky deu a Trump, que pertencia ao militar ucraniano Kostiantyn Kartatshev. Zelensky explicou que Kartatshev perdeu uma perna nos primeiros meses de invasão russa enquanto resgatava os irmãos. O taco de golfe pertencia a este militar. Trump recebeu, aceitou o presente, gravou um vídeo para agradecer ao sargento ucraniano. Quanto às chaves, como disse, não servem mesmo para abrir as portas da Casa Branca, mas podem servir para abrir as portas das negociações.

Que é o desejo de milhares de ucranianos. Por último, André, falamos também daquilo que a imprensa ucraniana diz em relação aos vários líderes europeus que acompanharam Zelensky nesta viagem até Washington. Neste caso, o jornal Ukrinform destaca as declarações de Emmanuel Macron.

Sim, é uma das notícias mais lidas hoje neste jornal. O título cita uma afirmação de Macron: "Os próximos 15 dias são críticos para determinar garantias de segurança para a Ucrânia". De acordo com o Ukrinform, estes comentários foram feitos numa entrevista à emissora francesa LCI, citada pelo Política. Macron avisou que há todo um trabalho que tem de ser feito previamente em relação às garantias de segurança. "Os próximos 15 dias são absolutamente cruciais para finalizarmos o trabalho com os americanos e dar substância a essas garantias de segurança", é o que disse Emmanuel Macron. Aqui nesta reportagem do Ukrinform também é sublinhada a vontade de Macron de que o local do possível encontro entre Putin e Zelensky, que foi ontem falado, seja Genebra, na Suíça. Tem-se falado bastante da Hungria, com Viktor Orbán, como sabemos, mais alinhado com Putin. É algo que obviamente a Ucrânia não quer. Escreve o Ukrinform que Macron também não quer que isso aconteça. Na entrevista à LCI, esta emissora francesa, Macron terá pressionado por Genebra como uma possível anfitriã, dado o seu histórico também como um local neutro. Já sabemos que a Suíça normalmente é neutra em termos de conflitos. Para esta negociação internacional, é aqui também um sublinhado do Ukrinform.

E o ministro dos Negócios Estrangeiros da Suíça já disse mesmo que dará a Vladimir Putin imunidade se aceitar essa deslocação. Ficamos por aqui com os destaques da imprensa ucraniana. A Guerra Traduzida fica sempre disponível em podcast.