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"Guerra Traduzida", estamos na Rádio Observador, estamos no dia 23 de novembro e nos próximos minutos vamos analisar a imprensa da Rússia e também a imprensa da Ucrânia. Hoje, para começar, temos a imprensa russa, num trabalho do jornalista Rui Casanova, com colaboração de Larissa Tovmazian. Rui, estiveste a ler os jornais de hoje e em destaque temos as declarações de Vladimir Putin na Cimeira da Organização do Tratado de Segurança Coletiva.
Sim, uma cimeira que decorre em Minsk, na Bielorrússia, e o discurso de Vladimir Putin está, como habitual, a fazer manchete em todos os órgãos de informação estatais russos. O jornal KP destaca o compromisso do presidente russo no combate ao terrorismo num discurso nesta cimeira. Vladimir Putin não falou diretamente sobre a Ucrânia, mas afirma: os países desta organização não vão permitir o terrorismo em qualquer forma ou em qualquer país, e é preciso continuar esse trabalho de combate ao terrorismo. É o que diz Vladimir Putin nesta cimeira da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, uma aliança militar pós-soviética liderada pela Rússia, foi formada em 2022 e para além da Rússia, integra a Arménia, a Bielorrússia, o Cazaquistão, o Quirguistão e ainda o Tajiquistão.
Já que também para um alerta do porta-voz do Kremlin, um alerta sobre a cobertura mediática da guerra.
Dmitry Peskov avisa que os jornalistas estão a tornar-se um alvo, e estou a citar, "dos inimigos da Rússia no terreno de combate". E avisa também Peskov que esse perigo só tem tendência a aumentar. É a reação do Kremlin à morte de um jornalista de um órgão de informação estatal russo. Boris Maksudov trabalhava para uma televisão russa, morreu na sequência de ferimentos causados por um ataque com um drone ucraniano, isto de acordo com informações da imprensa russa. Citado pela agência TASS, Dmitry Peskov pede aos jornalistas para que tenham cuidado no terreno. De resto, a Rússia tem acusado várias vezes a Ucrânia de atacar jornalistas, não só russos, mas também internacionais, no terreno de combate, jornalistas que estão a fazer a cobertura mediática da guerra. E agora Dmitry Peskov vem pedir aos jornalistas para que tenham cuidado por causa destes ataques.
Dmitry Peskov reforça também que o fornecimento de armas à Ucrânia não vai alterar o curso da operação militar especial.
O porta-voz do Kremlin diz que a NATO vai muito provavelmente continuar a fornecer armas de última geração à Ucrânia, mas afirma isso não vai demover a Rússia ou alterar o curso da guerra. Mais uma vez citado aqui pela agência estatal TASS, Dmitry Peskov reforça que os objetivos militares da Rússia se mantêm intactos apesar deste apoio do Ocidente à Ucrânia. Olhamos também para outras informações relacionadas com operações no terreno e em destaque na imprensa russa. O Kremlin diz ter eliminado nas últimas 24 horas um armazém de munições da Ucrânia num aeródromo ucraniano. As tropas russas afirmam também que deram resposta a ataques da Ucrânia em várias regiões do país nas últimas 24 horas. Há registo de soldados ucranianos mortos ou feridos e também destruição de equipamento militar de Kiev. São informações divulgadas nos habituais relatórios diários do Ministério da Defesa de Moscovo e sempre em destaque na imprensa russa. E como sempre destacamos esse tipo de informações aqui na "Guerra Traduzida".
Viramos agora atenções para a imprensa independente da Rússia. O portal Meduza noticiou hoje um bombardeamento russo que fez três mortos e cinco feridos.
Um bombardeamento na vila de Chernobayevka, na região de Kherson. Três mortos e cinco feridos é o resultado deste ataque russo. Há também registo de mais de 60 edifícios residenciais danificados na sequência deste bombardeamento. As informações foram avançadas nas últimas horas pelo Ministério da Administração Interna da Ucrânia. É uma informação em destaque no canal independente russo Meduza e é uma notícia também naturalmente em destaque nos jornais ucranianos. Já lá vamos no próximo episódio de "Guerra Traduzida".
Destaque da imprensa russa de hoje na "Guerra Traduzida".