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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e ucraniana. Está conosco a Diana Rosa. Olá, Diana. Boa noite.

Boa noite, João.

Começamos com os jornais russos, Diana. Moscovo insiste no cumprimento das promessas da NATO de não expandir a aliança para leste.

O presidente russo sublinha que já houve várias fases de expansão da aliança, que acabaram por culminar nos esforços para incluir a Ucrânia na NATO. Putin realça a importância de honrar os compromissos assumidos publicamente na década de 90, de não expandir a Aliança do Atlântico Norte para o leste europeu. Diz o líder russo que não está a pedir nada fora do comum ou de inesperado, simplesmente exige que as promessas que foram feitas à Rússia sejam cumpridas. O presidente salienta que a expansão da NATO representa uma séria ameaça pra Rússia, uma Rússia que ninguém leva a sério, diz o chefe de Estado. Por fim, Putin refletiu sobre a independência da Ucrânia. Lembrou que o primeiro documento ratificado foi a declaração de soberania e independência do Estado da Ucrânia. Diz que constitui a base da soberania ucraniana e da modernidade do Estado. Afirma claramente que a Ucrânia é um Estado neutro, é o que conclui Vladimir Putin.

E Diana, tudo isso numa altura em que Moscovo está a preparar medidas contra a União Europeia, caso o bloco financie Kiev com fundos russos.

Está sendo preparado um pacote de contramedidas. É o anúncio feito pela porta-voz do Ministério Russo dos Negócios Estrangeiros. Maria Zakharova diz que qualquer ação ilegal que envolva as reservas e bens estatais da Rússia não vai ficar sem resposta. É o que afirma esta porta-voz citada pela agência TASS. Zakharova assegura que vai haver reação de Moscovo se a União Europeia optar por usar os ativos russos que foram congelados na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022.

Já Dmitry Medvedev deixa um aviso à Europa: o confisco de ativos russos congelados poderá ser considerado um ato de guerra.

O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia e ex-presidente da Rússia vai sempre mais longe do que o próprio Kremlin nas declarações. Medvedev diz que, e passo a citar: "Se a doida da União Europeia no final tentar roubar ativos russos congelados na Bélgica sob um pretexto de um suposto empréstimo de reparações, a Rússia poderá muito bem considerar essa ação como um casus belli, com todas as implicações relevantes para Bruxelas e para cada país da União Europeia". Isto porque a Comissão Europeia propôs ontem a utilização sem precedentes de ativos russos congelados ou de empréstimos internacionais para angariar 90 mil milhões de euros para a Ucrânia, com o objetivo de cobrir as despesas militares e os serviços básicos de Kiev.

E Diana, voltamos a Vladimir Putin, que está hoje na Índia e questiona os Estados Unidos sobre as sanções aplicadas a Nova Deli por comprar petróleo russo.

Numa altura em que os Estados Unidos ainda comercializam recursos energéticos com o país. Numa entrevista ao jornal India Today, citado pela TASS, Putin diz que os próprios Estados Unidos ainda compram combustível a Moscovo para as suas próprias centrais nucleares. Ora, pergunta Putin, se os Estados Unidos têm o direito de comprar esse combustível, por que a Índia não deveria ter o mesmo privilégio? É a questão deixada pelo presidente russo, que sublinha que o tema merece uma análise aprofundada e que Moscovo está pronto para discutir, inclusivamente, com o presidente Donald Trump. O chefe de Estado russo admitiu ainda que nos primeiros nove meses deste ano, as trocas comerciais sofreram um ligeiro declínio, mas assegura que não há mudanças profundas no comércio entre a Índia e a Rússia.

Nós voltamos já a seguir para falar da imprensa ucraniana.